
Um soldado da Polícia Militar do Paraná assassinou a ex-mulher e o companheiro dela na madrugada deste sábado (31), em Terra Boa, município a cerca de 40 km de Campo Mourão. O crime, classificado como feminicídio e homicídio qualificado, ocorreu por volta das 1h30 no Jardim Botânico, conforme informou o Centro de Comunicação Social da PM em nota.
As vítimas foram identificadas como Jessica Brito de Lima, 30 anos, e Gabriel Dulo, 23 anos. Ambos morreram no local. De acordo com o boletim de ocorrência e a nota oficial, o autor do crime é lotado em Cianorte e estava de folga. Ele se deslocou até a casa da ex-companheira e efetuou diversos disparos.
Em seu relato às autoridades, o militar confessou ter usado sua arma funcional, uma pistola Beretta calibre 9mm, e efetuado cerca de 17 disparos. Ele descarregou o carregador primeiro contra Jessica e, em seguida, contra Gabriel.
O registro policial detalha que, momentos antes, o policial mantinha contato com Jessica por aplicativo de mensagens. Ao perceber que ela parou de responder, dirigiu-se à residência. Lá, ao ver uma motocicleta estacionada e não obter resposta após chamar pela ex-companheira, ele atirou contra uma porta de vidro, invadiu o imóvel e executou os crimes.
Ainda segundo o boletim, Jessica tentou intervir e pediu que ele parasse, mas foi atingida. O agressor então entrou em um dos quartos e efetuou novos disparos contra Gabriel. Equipes do SAMU foram acionadas, mas apenas constataram os óbitos.
Após o duplo homicídio, o policial apresentou-se espontaneamente no Destacamento da PM em Terra Boa, onde entregou a arma institucional utilizada no crime. Ele foi preso e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, sendo posteriormente levado à 21ª Subdivisão Policial de Cianorte, onde permanece à disposição da Justiça.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Científica em Campo Mourão para exame necroscópico.
O militar responderá por: Feminicídio (no caso de Jessica): crime hediondo, com pena prevista de 20 a 40 anos de prisão. Homicídio qualificado (no caso de Gabriel): com pena de 12 a 30 anos de reclusão.
Além da responsabilização criminal, ele responderá a procedimentos administrativos e disciplinares internos na PM-PR. Em nota, a corporação afirmou lamentar o ocorrido e reforçou o "compromisso com a legalidade e a apuração rigorosa dos fatos".