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Curiosidade Ondas sonoras

Estes gemidos sinistros são ondas sonoras reais de um buraco negro supermassivo

Podemos não ser capazes de ouvir som no espaço, mas isso não significa que não haja som.

09/05/2022 às 19h14
Por: Redação Fonte: https://universoracionalista.org/estes-gemidos-sinistros-sao-ondas-sonoras-reais-de-um-buraco-negro-supermassivo/
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Imagem do Chandra do aglomerado de Perseu. (Créditos: NASA/CXC/SAO/E.Bulbul, et al.)
Imagem do Chandra do aglomerado de Perseu. (Créditos: NASA/CXC/SAO/E.Bulbul, et al.)

Traduzido por Julio Batista
Original de Michelle Starr para o ScienceAlert

Em 2003, astrônomos detectaram algo realmente surpreendente: ondas acústicas se propagando através do gás ao redor de um buraco negro supermassivo, a 250 milhões de anos-luz de distância. Não seríamos capazes de ouvi-los em seu tom atual. Emanando do buraco negro supermassivo no centro do aglomerado de galáxias de Perseu, as ondas incluem a nota mais baixa do Universo já detectada por humanos – bem abaixo dos limites da audição humana. Uma nova sonificação (dados transformados em som), no entanto, não apenas aumentou as notas detectadas no buraco negro, mas as trouxe até 57 e 58 oitavas para que possamos ter uma noção de como elas soariam, ecoando pelo espaço intergaláctico.

É a primeira vez que essas ondas sonoras são extraídas e tornadas audíveis.

A nota mais baixa, identificada em 2003, é um Si bemol, pouco mais de 57 oitavas abaixo do dó central; nesse tom, sua frequência é de 10 milhões de anos. A nota mais baixa detectável por humanos tem uma frequência de um vigésimo de segundo.

As ondas sonoras foram extraídas radialmente, ou ao redor do buraco negro supermassivo no centro do aglomerado de Perseu, e tocadas no sentido anti-horário a partir do centro, de modo que podemos ouvir os sons em todas as direções do buraco negro supermassivo nas alturas 144 quatrilhão e 288 quatrilhões de vezes maior que sua frequência original.

O resultado é estranho e sinistro, uma espécie de uivo ou gemido que não é deste mundo (obviamente), como muitas das ondas gravadas do espaço e transpostas para frequências de áudio.

Os sons não são apenas um fato científico curioso, no entanto. O tênue gás e plasma que flutua entre as galáxias em aglomerados de galáxias – conhecido como meio intraaglomerado – é mais denso e muito, muito mais quente do que o meio intergaláctico fora dos aglomerados de galáxias.

As ondas sonoras que se propagam através do meio intraaglomerado é um mecanismo pelo qual o meio intraaglomerado pode ser aquecido, pois transportam energia através do plasma.

Como as temperaturas ajudam a regular a formação de estrelas, as ondas sonoras podem, portanto, desempenhar um papel vital na evolução dos aglomerados de galáxias por longos períodos de tempo.

Esse calor é o que nos permite detectar as ondas sonoras também. Como o meio intraaglomerado é tão quente, ele brilha intensamente em raios-X. O Observatório de Raios-X Chandra permitiu não apenas a detecção das ondas sonoras inicial, mas também o projeto de sonificação.

Outro famoso buraco negro supermassivo também recebeu o tratamento de sonificação. M87*, o primeiro buraco negro a ser capturado em imagem diretamente em um esforço colossal pela colaboração do Telescópio de Horizonte de Eventos, também foi capturado por outros instrumentos ao mesmo tempo. Esses incluem Chandra para raios-X, Hubble para luz visível e o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array para comprimentos de onda de rádio.

Essas imagens mostraram um jato colossal de material sendo lançado do espaço imediatamente fora do buraco negro supermassivo, em velocidades que parecem mais rápidas que a da luz no vácuo (é uma ilusão, mas é legal). E agora, elas também foram sonificadas.

Para ser claro, esses dados não eram ondas sonoras, como o áudio do aglomerado de Perseu, mas luz em diferentes frequências. Os dados de rádio, nas frequências mais baixas, têm o tom mais baixo na sonificação. Os dados ópticos mantêm a faixa intermediária e os raios X estão no topo.

Transformar dados visuais como esses em som pode ser uma nova maneira legal de experimentar fenômenos cósmicos, e o método também tem valor científico.

Às vezes, transformar um conjunto de dados pode revelar detalhes ocultos, permitindo descobertas mais detalhadas sobre o misterioso e vasto Universo ao nosso redor.

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