
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou, em caráter liminar, a soltura do homem de 44 anos preso em flagrante no último dia 20 de fevereiro de 2026, em Nova Cantu, suspeito de instalar uma microcâmera no banheiro da residência da família para registrar as filhas — uma adolescente de 15 anos e uma criança de 7 — durante o banho. A decisão, assinada pelo desembargador Mario Nini Azzolini, substituiu a prisão preventiva por um conjunto de medidas cautelares.
Na decisão, o magistrado determinou o afastamento imediato do investigado do lar, a proibição de qualquer tipo de contato ou aproximação com as vítimas, com a residência da família e com as testemunhas do caso. Foi imposta ainda a utilização de tornozeleira eletrônica para monitoramento contínuo.
"Defiro parcialmente o pedido liminar, para determinar a substituição da prisão preventiva do paciente por medidas cautelares", escreveu Azzolini no despacho. O desembargador autorizou, ainda, que o juízo de origem possa impor restrições adicionais que julgar necessárias. Com a decisão, o suspeito responderá ao processo em liberdade, condicionada ao cumprimento integral das medidas estabelecidas.
A prisão ocorreu após o Conselho Tutelar de Nova Cantu receber uma denúncia anônima sobre a suspeita de abusos. A informação foi imediatamente repassada à Polícia Civil, que se deslocou até a residência para averiguação. Durante vistoria no banheiro, os agentes localizaram uma microcâmera embutida no forro de PVC, com fiação oculta conectada à rede elétrica e à internet. O dispositivo estava estrategicamente direcionado para a área do chuveiro, captando imagens das meninas durante o banho.
O celular do suspeito foi apreendido no local. Segundo a investigação preliminar, o aparelho continha um vasto arquivo de vídeos produzidos no banheiro. As análises periciais apontam indícios de que parte desse conteúdo pode ter sido compartilhada com terceiros. A Polícia Civil segue apurando os crimes de produção, armazenamento e possível divulgação de material de exploração sexual infantil, tipificados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Em depoimento formal, o homem confessou ter adquirido o equipamento espião pela internet e realizado a instalação sem o conhecimento de qualquer membro da família. A mãe das vítimas declarou à polícia que ignorava completamente a existência do dispositivo e afirmou estar em estado de choque com a revelação. O Conselho Tutelar segue prestando acompanhamento psicossocial à família, integrando a rede de proteção municipal.
De acordo com informações apuradas pela reportagem da Band Paraná, a adolescente de 15 anos foi diagnosticada com quadro de depressão desde que os fatos vieram à tona. A jovem está sob acompanhamento psicológico e, segundo relatos do círculo de proteção, tem expressado sentimentos de profundo abalo emocional e "nojo de si própria". A irmã mais nova, de apenas 7 anos, também recebe atendimento especializado.
A Polícia Civil mantém o sigilo sobre a identidade do investigado como medida de preservação das vítimas, que são crianças e adolescentes. As investigações prosseguem em sigilo para mapear a extensão total dos crimes e identificar eventuais destinatários das imagens íntimas.