
Do interior às grandes cidades, os dados revelam uma ausência que se repete — e que começa já no primeiro documento de cidadania. A falta do nome paterno na certidão de nascimento segue como uma realidade expressiva no Paraná. Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, 9.171 crianças foram registradas sem o reconhecimento do pai, o que corresponde a 6,03% dos nascimentos no estado.
O número paranaense acompanha a média da Região Sul, onde a taxa chega a 6,59% — totalizando 25.163 crianças sem o nome do pai em 381.351 nascimentos, segundo levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).
Nos municípios analisados, os percentuais variam, mas permanecem dentro desse mesmo padrão estrutural. Em Nova Cantu, por exemplo, foram registrados 552 nascimentos no período. Desses, 12 crianças tiveram o registro feito apenas com o nome da mãe, um índice de 2% do total de nascimentos entre as cidades acompanhadas.
A legislação permite que o registro de nascimento seja feito somente em nome da mãe quando o pai for ausente ou se recusar a comparecer ao cartório. Nesse ato, a mãe pode indicar o nome do suposto pai, e o cartório dará início ao processo de reconhecimento judicial de paternidade.
Para ampliar o acesso a esses dados, a Arpen-Brasil lançou uma nova página em seu Portal da Transparência, voltada especificamente à identificação do número de crianças registradas apenas em nome da mãe em todo o país. A ferramenta, chamada “Pais Ausentes”, está disponível no endereço:
https://transparencia.registrocivil.org.br/painel-registral/pais-ausentes