
O Ministério Público do Paraná denunciou criminalmente um policial militar de 31 anos pelos crimes de feminicídio e homicídio qualificado, após ele assassinar a ex-companheira e o atual namorado dela na madrugada do dia 31 de janeiro, no Jardim Botânico, em Terra Boa, município a 40 quilômetros de Campo Mourão. A denúncia foi protocolada pelo promotor de Justiça Vinícius Bento Galli.
Segundo o documento, o agente, que estava de folga, invadiu a residência da ex-mulher por volta de 0h40, arrombou a porta e efetuou 17 disparos com a arma funcional, uma pistola Beretta calibre 9 milímetros. Jéssica Brito de Lima, de 30 anos, e o companheiro dela, Gabriel Dulo, de 23, morreram no local. Testemunhas relataram que a vítima ainda tentou impedir a ação, implorando para que o atirador parasse, antes de ser atingida.
O Ministério Público aponta que o crime foi cometido por motivo torpe, marcado por ciúmes e sentimento de posse, além do uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. A acusação também destaca circunstâncias agravantes: Jéssica era mãe de dois filhos menores, de 11 e 7 anos, sendo o mais novo filho do próprio denunciado.
“O que nós temos é um feminicídio seguido de homicídio qualificado. Um policial militar, no período de folga, vai até a casa da ex-companheira, arromba a porta, entra e desfere vários disparos que a matam. Em seguida, vai até o quarto e executa a pessoa que estava com ela”, afirmou o promotor Vinícius Galli.
De acordo com o boletim de ocorrência, o casal trocava mensagens por aplicativo quando Jéssica parou de responder. O policial então se deslocou até o imóvel, onde encontrou uma motocicleta estacionada em frente à casa. Após chamar pela ex-companheira e não obter resposta, arrombou a porta e invadiu a residência.
Depois de atirar contra Jéssica, o agente foi até um dos quartos e executou Gabriel. Equipes do Samu foram acionadas, mas as vítimas já estavam em óbito. Após o crime, o policial se apresentou espontaneamente no destacamento da Polícia Militar da cidade, confessou os fatos e foi preso em flagrante.
Além das penas previstas em lei, o Ministério Público requereu a condenação ao pagamento de indenização no valor de R$ 100 mil para os familiares de cada uma das vítimas.
A Polícia Militar do Paraná informou, em nota oficial, que o autor é lotado em Cianorte e estava de folga no momento do crime. A corporação disse ainda que acompanha o caso e adotará as medidas administrativas cabíveis. O policial permanece preso à disposição da Justiça.