O dossiê “Presidente das Bananas” também mostra que Bolsonaro cumpriu fielmente as promessas de campanha feitas aos bananicultores do Ribeira. Em novembro de 2018, após visitar o presidente recém-eleito no Rio de Janeiro, o produtor de bananas João Evangelista, amigo de infância do ex-militar, afirmou que ele havia se comprometido com a proibição das importações. “Ele falou que vai tentar regularizar esse negócio com o Equador que está pondo banana aqui no Brasil, que parece que não veio de boa qualidade”, disse à imprensa.
No ano seguinte, em transmissão ao vivo realizada no dia 07 de março de 2019, o presidente afirmou que pretendia acabar com o “fantasma da importação de banana” do Equador. De fato, na semana seguinte foi publicada a Instrução Normativa nº 4, de 18 de março de 2019, que suspendeu o comércio da fruta oriunda do país sul-americano.
A medida foi comemorada pelo setor. Em abril de 2020, o presidente da Abavar, Ézio Borges, publicou um vídeo agradecendo “o apoio do presidente Jair Messias Bolsonaro”. “A Abavar, reconhecedora do projeto político agrícola para o país, e principalmente para a bananicultura, durante a última campanha presidencial sempre se manteve fiel em seu apoio político incondicional ao atual presidente, Jair Messias Bolsonaro”, afirmou o produtor de bananas.
Da mesma forma, a flexibilização da pulverização aérea sobre os bananais era uma demanda antiga do setor, cuja intervenção direta de Bolsonaro foi explicitada pelo menos em duas ocasiões. Na primeira, em reunião ministerial de 22 de abril de 2020, dias depois da promulgação da IN 13/2020, o presidente elogia a então ministra da Agricultura, a ruralista Tereza Cristina, pelo empenho em revogar medidas anteriores que reduziu a faixa de limite para pulverização aérea de 500 metros para 250 metros.
Poucos meses depois, em vídeo transmitido ao vivo de Eldorado (SP) no dia 03 de setembro de 2020, o presidente admitiu a interferência junto à ministra para flexibilizar a pulverização aérea de agrotóxicos nos bananais: