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Senado iniciou nesta sexta teste da covid-19 para quem trabalha presencialmente

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Os colaboradores do Senado que trabalham presencialmente começaram a fazer, nesta sexta-feira (5), o teste de covid-19. O primeiro grupo é o dos policiais. Segundo a médica Daniele Calvano, da Coordenação de Atenção à Saúde do Servidor (Coasas), o objetivo é diminuir a circulação do novo coronavírus dentro do Senado para aumentar a segurança das pessoas que não puderam aderir ao teletrabalho.

— O teste periódico em assintomáticos busca detectar a doença precocemente, permitindo isolar mais rapidamente a pessoa. Os assintomáticos também transmitem a doença. Além disso, sabendo que a pessoa tem o coronavírus antes de manifestação clínica, o Serviço Médico já inicia um acompanhamento preventivo com orientações que podem ajudar na recuperação.

Será utilizado o exame RT-PCR para SARS-COV-2, considerado “padrão-ouro” no diagnóstico da covid-19, de acordo com a médica. A coleta, rápida e não-invasiva, é feita por meio de uma raspagem na região do nariz e da garganta com um swab (cotonete). O procedimento, portanto, não impede que o servidor continue trabalhando. Só fará o teste quem receber a confirmação por e-mail.

Calendário

O calendário de testagem está sendo definido pela Secretaria de Gestão de Pessoas (SEGP). A lógica é testar os grupos que convivem ao mesmo tempo no mesmo ambiente, explica Daniele. Por exemplo, a equipe de comunicação que acompanha presencialmente as sessões deliberativas remotas (SDR) fará o teste juntamente com o pessoal da Secretaria-Geral da Mesa (SGM) que estão trabalhando no mesmo local.

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Segundo a médica, participarão os colaboradores indicados pelos gestores, que precisam, afirma, enviar da forma mais detalhada possível as informações sobre os colaboradores. A testagem será realizada a cada duas semanas.

— Nós pedimos que todos os diretores e chefes de gabinete categorizem suas equipes em grupo vermelho ou amarelo, independentemente do vínculo com o Senado: terceirizados, estagiários e menores aprendizes inclusos. Todos os colaboradores — afirma Daniele.

O grupo vermelho inclui aqueles que trabalham de forma aglomerada em ambiente fechado. Fazem parte do amarelo os que trabalham presencialmente, mas não de forma aglomerada.

Prevenção

Diretor da Polícia do Senado, Alessandro Morales afirma que, desde o início da pandemia de covid-19, a sua Secretaria buscou implementar procedimentos para prevenir a transmissão do novo coronavírus na Casa. Entretanto, afirma, pela própria natureza de suas atribuições, a Polícia teve de manter o funcionamento de atividades essenciais, como escoltas parlamentares, controle de manifestações, policiamento interno e externo, investigação e inteligência. Por isso, disse, a grande maioria dos policiais permanece trabalhando de forma presencial.

— A testagem busca complementar as medidas sanitárias e de prevenção e reduzir as chances de transmissão, mantendo a operacionalidade do serviço e provendo melhores condições de controle de saúde para os servidores policiais — diz o diretor.

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Chefe do Serviço de Credenciamento (Secred), o policial legislativo Mauricio Silva Lagos disse que a iniciativa é importante para oferecer segurança não somente aos colegas da Polícia, mas também para o público que procura o setor para obter documento de identificação e ter acesso à Casa.

— Nós somos uma parte da polícia que tem uma relação muito próxima com o público. Apesar de a gente estar trabalhando em plantão, com revezamento, tem sempre algum contato, alguma proximidade com as pessoas. O teste vem em um momento muito oportuno. A gente não pode parar, a Polícia não para. Eu não esperava que [a testagem] fosse tão rápido. Ótimo que tenha sido rápido e oportuno.

Luciana Bezerra Pereira de Carvalho, do Serviço de Credenciamento, fez o teste nesta sexta-feira. Para impedir a contaminação no seu local de trabalho, diz, fica apenas um colaborador na sala. Além disso, todos usam máscara facial, mantêm o distanciamento durante o atendimento ao público, usam álcool gel para higienizar as mãos e recebem apenas uma pessoa de cada vez.

— Mas como o número de casos está aumentando muito, especialmente em Brasília, acho muito importante fazer o teste. Fomos atendidos por ordem de chegada e a coleta foi super-rápida.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Política Nacional

Lava Jato e PGR: Entenda a crise que pode acabar com a força-tarefa

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Procuradoria-Geral da República
José Cruz-Agência Brasil

Operação que dominou o cenário político nos últimos anos pode estar chegando ao fim.

Criada em 2014, a Operação Lava Jato é um conjunto de ações da Polícia Federal (PF) que investigam esquemas de lavagem de dinheiro que teriam movimentado bilhões de reais em pagamento de propina.

A operação foi uma das responsáveis por desestabilizar o governo de Dilma Rousseff e levou políticos e empresários a serem investigados e presos. Entretanto, os dias da operação podem estar contados.

Isso porque a portaria que criou a força-tarefa da Lava Jato expira em agosto, cabendo ao Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, renovar a operação por mais um ano, como foi feito em outras cinco oportunidades. Entretanto, fontes da Lava Jato dizem que Aras não tem a intenção de renovar a operação até 2021. Mas afinal, onde o atrito entre o órgão e a operação começou?

O conflito

 Lindora Maria Araújo
Gil Ferreira/Agência CNJ

Visita de Lindora Maria Araújo foi estopim para o conflito.

O embate entre a equipe da Lava Jato e a PGR começou quando, entre os dias 23 e 25 de junho, a subprocuradora-gera da República Lindôra Araújo visitou os escritórios da força-tarefa no Paraná e pediu acesso a documentos sigilosos da operação.

O pedido gerou incômodo nos membros da equipe da força-tarefa, que fizeram uma queixa à Corregedoria do MPF. Em contrapartida, segundo o jornal O GLOBO, a PGR disse que a visita de Lindôra estava marcada há mais de um mês.

Em nota divulgada após a visita da subprocuradora, a PGR também afirmou que estranhou a “a reação dos procuradores e a divulgação dos temas, internos e sigilosos, para a imprensa”.

Sergio Moro

Sergio Moro
Carolina Antunes/PR

Sergio Moro foi juiz da Lava Jato entre 2014 e 2018.

Agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro, Sergio Moro foi juiz da Lava Jato entre 2014 e 2018, sendo um dos principais nomes da operação. Desde que os atritos começaram, o magistrado se posicionou a favor da continuidade da Força-Tarefa e contra um eventual encerramento das atividades.

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Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Moro disse que ‘não entende’ as propostas de revisionismo da Lava Jato. “Não entendo essa lógica do revisionismo, como se a Lava Jato não representou algo extremamente positivo, que foi uma grande vitória contra a impunidade da grande corrupção. Quem ataca a Lava Jato hoje eu sinceramente não entendo bem onde quer chegar”, disse o ex-ministro.

Na ocasião, Moro também disse que respeita Aras, mas que acredita que falta apoio do PGR às ações da PF. “Tenho respeito ao Augusto Aras, seria importante que ele refletisse um pouco mais, ele e também a cúpula da Procuradoria. Ele tem que se somar a esses esforços das forças-tarefa da Lava Jato e de demais forças que certamente terão que ser criadas”, completou o magistrado.

Além disso, o ex-ministro também utilizou suas redes para dizer que o Brasil vive um momento “anti Lava Jato”. 

Moro, Bolsonaro e corrupção

O combate à corrupção foi uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. Ao nomear Sergio Moro para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Bolsonaro acenava à sua base eleitoral, que via no juiz uma figura de herói. Entretanto, ao deixar o governo, Moro pode ter criado situações adversas para o governo Bolsonaro. A principal delas, é o enfraquecimento da Lava Jato.  

Para Pedro Fassoni Arruda, cientista político e professor da PUC/SP, a saída de Moro do governo Bolsonaro pode contribuir para o fim da Operação Lava Jato. Segundo ele, a operação vem sendo enfraquecida ao longos dos últimos anos por uma séries de motivos, entre os quais está a saída de Moro do ministério da Justiça e Segurança Pública. 

“O ponto principal da Lava Jato foi a condenação e a prisão do ex-presidente Lula e depois, gradualmente, a Operação Lava Jato foi ficando cada vez mais distante dos holofotes da mídia, chamando cada vez menos atenção e perdeu bastante apoio da população e até mesmo no meio jurídico depois que se descobriu o conluio entre Ministério Público Federal e a Justiça Federal de Curitiba.”, afirma Pedro. 

Jair Bolsonaro
Agência Brasil

Discurso anticorrupção é uma das marcas da campanha de Jair Bolsonaro.

Entretanto, o cientista reafirma que o eventual fim da Lava Jato se deve, também, a outros fatores. “esse processo já vinha, gradualmente, perdendo força e agora, com a saída do Sergio Moro, isso pode contribuir pro fim da Lava Jato. Claro que isso não é uma explicação unicausal porque tem muitos outros fatores que ajudam a explicar. Além desse, o próprio fato de que algumas iniciativas foram invertidas pela Justiça. Muitas condenações foram anuladas em outras instâncias. Isso pode facilitar também o fim da operação lava jato.”, completou.

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Outro ponto a ser levado em conta são as consequências da saída de Moro e a perda de apoio de Bolsonaro. Ao comentar sobre possível essa possível perda após a saída de Moro e seus desdobramentos, Pedro diz que, apesar de condenar, no campo retórico, práticas ilícitas, o presidente, seus familiares e membros do alto escalão do governo estão envolvidos em irregularidades. E, segundo ele, a tentativa de tentar proteger seus filhos motivou a saída de Moro e pode acarretar em perda de apoio. 

“O Bolsonaro vinha falando em combater a corrupção durante a campanha eleitoral. Mas agora fica cada vez mais evidente que ele também estava envolvido em práticas ilícitas que ele mesmo condenava. A saída do Sergio Moro, sem dúvida, contribui para que ele (Bolsonaro) perca apoio. Até mesmo porque a motivação desta demissão do Moro foi o fato de que o Bolsonaro queria exercer um controle maior sobre o Ministério da Justiça e sobre a Polícia Federal para proteger os seus filhos”, concluiu.

Porque não renovar?

Apesar do atrito entre o órgão e a força-tarefa, Aras não se pronunciou sobre o caso e nem deu indícios públicos sobre qual será sua decisão. Entretanto, um dos motivos pelos quais o PGR estaria cogitando encerrar a Lava Jato seria a proposta de criar um novo órgão de combate à corrupção dentro do Ministério Público Federal (MPF).

Nomeado Unidade Nacional Anticorrupção (Unac), o órgão pertenceria ao MPF, seria coordenado por um membro da PGR e iria unificar forças-tarefas de combate à corrupção em um único local. Dados obtidos pelas investigações seriam disponibilizados para agentes da Unac.

A proposta da criação do órgão teria sido feita por dois subprocuradores que pertencem ao Conselho Superior da PGR.

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