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Rodolpho Riskalla fala das chances de medalha nos Jogos de Tóquio

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Classificado para representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, o brasileiro Rodolpho Riskalla, que compete no adestramento paraequestre do hipismo, conversou com a Agência Brasil direto da França, onde reside.

Riskalla, que compete no grau 4 (os atletas são divididos em cinco graus e, segundo as normas, quanto maior o número, menor a deficiência), falou das chances de medalha no próximo ano, da sua entrada no paradesporto, da pandemia do novo coronavírus (covid-19), entre outros assuntos.

Agência Brasil: Você já tem vaga garantida há algum tempo para Tóquio e, antes da pandemia, vinha em uma sequência de bons resultados. São conquistas que credenciam você ao pódio do próximo ano, não é?

Rodolpho Riskalla: No dia 31 de janeiro, quando a Federação Equestre Internacional [FEI] fechou a classificação, eu liderava o ranking das Américas para atletas de países que não classificaram equipes completas para os Jogos. E fiquei com uma das duas vagas brasileiras para as disputas individuais. Tudo isso ocorreu antes da pandemia e não será mexido. Estou muito feliz. Vinha com uma sequência excelente, com um cavalo novo, o Don Frederic, que estou montando desde novembro do ano passado. O último concurso foi em fevereiro no Catar. Venci as três provas disputadas com médias que me possibilitariam, sim, sonhar até mesmo com o ouro em Tóquio. Não quero ir para participar. A intenção é fazer bonito no Japão.

Agência Brasil: Falando dos cavalos nos quais você treina. O Don Henrico, que é de propriedade da Ann Kathrin Linsenhoff (alemã medalhista de ouro no adestramento por equipes nos Jogos de Seul, em 1988), está com você há mais tempo (dois anos e meio). Já o Don Frederic, que, como você citou, chegou no final do ano passado. Ele pertence à brasileira Tânia Loeb Wald. Qual a importância de ter dois cavalos?

Riskalla: Tenho essa vantagem. Era algo que queria há algum tempo. No hipismo em alto nível é complicado ter apenas um para treinar e fazer os grandes concursos. Eles são como atletas. Você não pode exigir tudo de apenas um. É preciso saber dosar. O meu cavalo mais antigo, o Don Henrico, que esteve comigo na conquista das duas pratas nos Jogos Equestres Mundiais de 2018, já tem uma certa idade. Ele é ganharão e sempre foi mais sensível. Nos conhecemos muito bem e sempre tivemos resultados muito bons. O Don Frederic está comigo há bem menos tempo. Ele chegou em novembro do ano passado. É irmão do Don Henrico. Tem muito mais potência, naturalmente mais andadura e força. Não é tão sensível. Ele já faz parte do nosso projeto visando o Mundial de 2022 e os Jogos de 2024. Os dois têm os índices para os Jogos de Tóquio. Mas ainda não decidi qual vou montar no ano que vem.

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Agência Brasil: Você reside na Europa desde sua adolescência. Tendo residido grande parte desse período na França, que foi um dos locais mais afetados pela pandemia de covid-19. Como isso afetou seus treinos?

Riskalla: Tudo aconteceu rápido. Não esperava que as coisas fechassem tão rápido aqui em Paris. Tinha acabado de regressar de um concurso em Doha e já tinha previsto outro na Dinamarca, que acabou cancelado no começo de março. Na França, o presidente anunciou o fechamento no dia 15 de março, e no dia 16 já estávamos em quarentena. A hípica na qual deixo os cavalos é um local privado, mas recebe público, por isso também foi fechado. Só que, para continuar meus treinamentos, tive que tirá-los de lá. Fomos para um haras a 60 quilômetros de Paris. E para ficar com eles alugamos um camping car. Ficamos morando lá mesmo. No começo achamos que ia durar uns 15 dias. Depois virou um mês. E acabou que ficamos dois meses lá. A vantagem é que continuei trabalhando em home office e segui treinando com os cavalos. E no dia 15 de maio já conseguimos voltar. Graças a Deus os cavalos já estão na hípica, e nós em casa.

Agência Brasil: Como foi o seu início no paradesporto?

Riskalla: Eu já era atleta de alto nível do hipismo antes de tudo isso. Em 2015, cheguei até a tentar uma vaga na equipe brasileira nos Jogos do Rio (2016). Em 2015, quando já estava na França, meu pai adoeceu e morreu. Quando cheguei aqui ele já tinha morrido. Fiquei no Brasil para dar andamento nas questões burocráticas e passar por aqueles momentos ao lado da minha família. Mas, duas semanas depois, tive uma meningite bacteriana, uma doença um pouco parecida com o coronavírus. Cada pessoa reage de uma forma. Eu passei mal do nada. Depois de um dia já estava no hospital. Fiquei em coma por cerca de três semanas. Sobrevivi, mas minhas mãos e pernas foram as partes mais afetadas do meu corpo. Tive que amputar as duas pernas na altura da tíbia e parte das minhas mãos. Na verdade, a direita praticamente inteira. Foi aí que eu entrei no paradesporto. Resumindo, em julho de 2015 estava competindo para tentar a vaga olímpica, e em outubro daquele ano já tinha perdido meu pai e passado pela doença e pelas amputações.

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Agência Brasil: Como foi a emoção de estar nos Jogos do Rio de Janeiro, pouco mais de um ano depois da morte de seu pai e da sua doença?

Riskalla: Pensando bem, os Jogos de 2016 terem acontecido no Rio de Janeiro foi o que me fez continuar. Busquei a vaga para a equipe paralímpica sem muito tempo para pensar, o que foi muito bom na verdade. Minha família e amigos me ajudaram demais. Menos de cinco meses depois, ainda sem próteses, consegui um cavalo emprestado. Cheguei a perder cerca de 30 quilos. Mas, em março, consegui entrar nas seletivas e, em julho, já tinha conquistado a vaga. Foi tudo muito rápido, mas muito natural. Algo fundamental para conseguir continuar. Fiquei em décimo no individual e em sétimo por equipes. E, logo na sequência, já troquei de cavalo, foi quando veio o Don Henrico. Pude ter mais resultados e comecei a brigar pelas medalhas no individual. O cavalo tinha mais qualidade. E eu também já tinha mais treinos. As duas medalhas de prata nos Jogos Mundiais dos Estados Unidos, em 2018, foram importantes demais para alavancar meu nome. Eu fui o único integrante da delegação a medalhar. E, agora em Tóquio, já chego como alguém que tem um nome feito.

Edição: Fábio Lisboa

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Natália Gaudio defende maior longevidade para atletas brasileiras

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A capixaba Natália Gaudio pratica ginástica rítmica desde os seis anos. Nessas mais de duas décadas, ela construiu uma carreira cheia de conquistas. O hexa brasileiro, hepta sul-americano, o bronze no Pan de Lima e a vaga olímpica para os Jogos de 2016 (Rio de Janeiro) no individual são algumas delas. Sem sombra de dúvidas, vitórias importantes dentro das quadras. Porém, a atleta busca uma outra conquista fora delas, o reconhecimento da importância de uma maior longevidade para ginastas da modalidade. “Infelizmente é uma carreira curta. Gostaria que fosse diferente, mas posso dizer que é praticamente a reta final da minha carreira”, declarou à Agência Brasil.

Muito da cultura de as atletas se aposentarem cedo na ginástica rítmica tem relação com a Rússia. “Eles têm pela ginástica rítmica o mesmo sentimento que os brasileiros têm pelo futebol. A Rússia tem muito material humano. As atletas acabam se tornando descartáveis. Um caso clássico é a Yevgeniya Kanayeva, única bicampeã olímpica, que se aposentou aos 22 anos”, diz.

Segundo Natália, “a ginástica precisa tratar melhor as atletas de mais idade. Somos mulheres na hora de entrar na quadra, temos uma experiência totalmente diferente. A ginástica rítmica foi feita também para nós. Tenho lutado muito por isso e gosto de ver que essa realidade tem mudado bastante aqui no Brasil”.

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Vale lembrar que a modalidade é exclusivamente feminina, e ingressou no programa olímpico nos Jogos de 1984 (Los Angeles). Naquela edição, os países da antiga União Soviética não participaram por causa do boicote aos Estados Unidos. Depois, as atletas soviéticas garantiram uma hegemonia na modalidade com muitas conquistas (apenas em 1992 e 1996 o ouro não ficou com russas, mas foi para atletas da Ucrânia, outra antiga república socialista). A atleta mais velha em uma edição olímpica foi a espanhola Carolina Rodríguez, que participou dos Jogos do Rio de Janeiro com 30 anos.

E foi justamente na edição de quatro anos atrás que a brasileira quebrou uma marca de 24 anos sem representantes nacionais na prova individual olímpica, sendo também a terceira atleta a representar o país nos Jogos (a primeira foi Rosana Favila, em 1984, e a segunda foi Marta Schonhurst, em 1992): “Estar nos Jogos era meu maior sonho. Foi a maior emoção da minha vida. Graças a Deus, deu tudo certo. E foi um sonho realizado com felicidade em dobro, porque, além de estar entre as melhores do mundo, foi diante da minha família. Inesquecível”.

Agora, o objetivo da Natália é fazer história mais uma vez e se classificar para a segunda olimpíada consecutiva. O caminho mais acessível é buscar a vaga através do Pan-americano da modalidade, que deve ocorrer até junho do ano que vem. “Se mantiver minha posição dos Jogos Pan-americanos do ano passado (bronze), ficando atrás apenas das americanas, estaria classificada para Tóquio. Os Estados Unidos já conquistaram as vagas pelo Mundial de Baku do ano passado. A tendência é que eu e a Bárbara Domingos briguemos pela vaga com as mexicanas e as canadenses”, projeta Natália, que também foi quarta colocada no aparelho fita em 2018 e finalista em 2019 na Copa do Mundo de Portimão (Portugal). “De um tempo para cá, estamos quebrando marcas importantes. Estamos abrindo portas para as próximas gerações, mostrando que as brasileiras são muito fortes no individual também, não só nas disputas em conjunto”, diz.

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Para os Jogos de Paris, em 2024, quando Natália estará com 31 anos, ela mantém cautela. “Quem sabe, né? Mas vou deixar a vida me levar. Nunca fui de fazer muitos planos a longo prazo. Prefiro deixar as coisas acontecerem, ainda mais nesse momento. Nem sabemos se as Olimpíadas vão acontecer em 2021, então vou dar tempo ao tempo. Vou vivendo um passo de cada vez”, disse a ginasta em live nas redes sociais da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

Edição: Fábio Lisboa

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