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Tecnologia Violência online

Nunca tantas jornalistas foram vítimas da violência online, alerta UNESCO

Foram ouvidas 901 jornalistas de 125 países. Mais de sete em cada dez disseram ter sofrido abusos via mídias sociais

04/05/2021 19h20
Por: Redação
Nunca tantas jornalistas foram vítimas da violência online, alerta UNESCO

Mais de sete em cada dez das jornalistas ouvidas em um estudo apresentado durante a Conferência do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que está sendo realizada pela Unesco na Namíbia, disseram ter sofrido violência online.

A pesquisa The Chilling: global trends in online violence against women journalists, que entrevistou 901 profissionais de 125 países, mostra que a violência online tornou-se a mais importante forma de intimidar o trabalho da imprensa, principalmente das mulheres jornalistas.

As entrevistadas revelaram que o abuso online não se limita ao discurso de ódio, mas também a ameaças de violência sexual ou física, muitas das quais acabam se tornando realidade.

Uma em cada cinco das jornalistas ouvidas disse ter sofrido ataques ou abusos no âmbito off-line decorrentes das ameaças online.

O Facebook foi apontado como a rede mais insegura para as mulheres, bem à frente do Twitter, embora o percentual de uso das duas plataformas por jornalistas seja semelhante. 

Para se protegerem, as vítimas recorrem à autocensura nas mídias sociais e na prática do jornalismo. A minoria, apenas 25% do total, buscou apoio de seus empregadores.

A pesquisa apurou que boa parte das que buscaram ajuda não receberam, e algumas chegaram a ser perguntadas sobre o que teriam feito para provocar a situação.

O resultado é que uma em cada dez das entrevistadas abandonou a função, o emprego ou o próprio jornalismo em decorrência da violência online sofrida, prejudicando não apenas suas carreiras, mas o poder do jornalismo crítico e a diversidade de gênero da mídia jornalística.

As conclusões da pesquisa, encomendada pela Unesco e realizada pelo International Center for Journalists (ICFJ), são preocupantes.

Elas estão detalhadas abaixo e fizeram com que o secretário-geral da ONU, António Guterres, se manifestasse:

“Não deveria haver espaço para misoginia e violência no jornalismo.

As plataformas de mídias sociais e os governos têm o dever de proteger as mulheres jornalistas da violência online”.

Políticos são os maiores abusadores entre os autores conhecidos

A maior parcela (57%) dos ataques citados pelas vítimas partiu de pessoas anônimas ou desconhecidas, o que ressalta a importância da discussão sobre o fim do anonimato nas redes sociais.

Entre os ataques de fontes conhecidas, o maior percentual partiu da classe política.
Os líderes políticos foram identificados não apenas como autores, mas também entre os maiores instigadores de campanhas, amplificadas pela mídia partidária, tropas cibernéticas a serviço de governos e por seguidores nas mídias sociais.

Quatro em cada dez das entrevistas (41%) revelaram terem sido alvo de ataques online que pareciam ligados a campanhas de desinformação orquestradas.

Essa tendência foi vinculada a reportagens sobre temas como extrema direita, redes de extremismo e teorias de conspiração.

Estudo em 125 países pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa revela a dimensão dos ataques, quantifica as ameaças que se tornaram realidade e mostra quantas acabaram deixando o cargo ou a profissão.
* Luciana Gurgel, Editora, MediaTalks / Londres

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