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Abril Verde: pandemia exige maior investimento em prevenção de acidentes e segurança do trabalho

Segundo representantes do Crea-PR, cenário pandêmico deixou trabalhadores exaustos e mais vulneráveis. Na região de Campo Mourão, emissões de ARTs de serviços da área cresceram 12% em 2020

10/04/2021 12h41
Por: Redação
Abril Verde: pandemia exige maior investimento em prevenção de acidentes e segurança do trabalho

Durante o mês de abril, órgãos públicos e instituições engajadas nas questões relativas aos acidentes de trabalho aderem à campanha Abril Verde, uma forma de promover a conscientização sobre a importância da segurança e da saúde do trabalhador brasileiro. O mês foi escolhido porque o dia 28 é dedicado à memória das vítimas de acidentes e de doenças do trabalho. Em 1969, uma explosão de uma mina da cidade de Farmington, na Vírginia, Estados Unidos, matou 78 trabalhadores, caracterizando o episódio como um dos maiores e mais conhecidos acidentes trabalhistas da humanidade.

Por isso, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) apoia a campanha com o objetivo de mobilizar a sociedade para a prevenção das doenças decorrentes do trabalho, bem como valorizar a atividade dos profissionais de Engenharia de Segurança do Trabalho. A iniciativa é ainda mais importante no momento pandêmico. Segundo os Engenheiros de Segurança do Trabalho ouvidos pelo Conselho a pandemia tem deixado trabalhadores exaustos, aumentando, assim, o risco de acidentes.

“Estamos no pior momento  da pandemia. As pessoas estão cansadas. No ano passado, algumas pessoas ainda estavam trabalhando de casa. Atualmente, a maioria está realizando as atividades normalmente, mas totalmente esgotada psicologicamente e, o pior, com medo de ser contaminado. Isso diminui o foco do trabalhador, aumentando o risco. A pandemia trouxe malefícios na saúde física e mental”, avalia a Conselheira do Crea-PR e Engenheira de Segurança do Trabalho, Elizandra Sartori.

Apesar disso, a pandemia gerou um hábito que o trabalhador não tinha anteriormente: o uso de equipamentos de proteção individual (EPI). “Esse cenário construiu a conscientização sobre a necessidade desses equipamentos. Infelizmente, algumas pessoas ainda são resistentes quanto ao uso, apesar de obrigatório, mas podemos dizer que a cultura já foi criada e que nada será como antes”, aponta Elizandra. Outro fator positivo foi a valorização do profissional de Engenharia de Segurança do Trabalho. Empresas, hospitais e órgãos públicos, por exemplo, tiveram que elaborar planos de segurança para minimizar riscos e gerar ambientes seguros para os trabalhadores.

Para o Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho, Luciano Testa, inspetor do Crea-PR na região de Campo Mourão, a pandemia desafiou os profissionais da área. “Tivemos pouco tempo para se reinventar, montar treinamentos obrigatórios com um novo plano pedagógico, com formato híbrido (presenciais e virtuais) das Normas Regulamentadoras (NR), que fossem eficazes e acessíveis para todos os trabalhadores expostos as atividades de risco. A dinâmica não foi fácil, exigiu alto investimento financeiro, conhecimento, qualidade e criatividade nas capacitações on-line para prender a atenção de todos os colaboradores sem perder em qualidade de aprendizagem”, diz.

Levantamento realizado pelo Crea-PR comprova o impacto do setor: de 2017 até 2019, o mercado de Engenharia de Segurança do Trabalho vinha numa linha ascendente de emissão de ARTs (Anotação de Responsabilidade Técnica). Em 2018, o crescimento foi de 15% em relação ao ano anterior. No ano seguinte, o aumento registrado foi de 11%. Já em 2020, houve redução no número de ARTs: foram emitidas 18.383 contra 21.858 de 2019. Queda de 15%. Mas na região de Campo Mourão não houve redução no período, sim aumento. Foram 172 emissões em 2019 e 193 em 2020 – crescimento de 12%. Já neste ano, até segunda-feira (5), foram emitidas 24 ARTs de serviços nesta área.

A ART identifica de forma legal, objetiva e rastreável, que a obra e/ou serviço foi planejado e executado por profissionais legalmente habilitados pelo Crea, e que cabe exclusivamente a este, ou a estes profissionais, a responsabilidade técnica por ambos.

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