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Saúde Logística

Empresas de logística terão de se adequar as novas normas da cadeia de abastecimento dos medicamentos

Um alerta às empresas de logística farmacêuticas que precisam se adequar às novas regras e também explicativo de forma didática à população brasileira, que, no fim, é a principal beneficiária dessas mudanças.

07/04/2021 19h33
Por: Redação
Empresas de logística terão de se adequar as novas normas da cadeia de abastecimento dos medicamentos

Nos últimos 22 anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se firmou como uma das principais fontes de proteção à saúde dos brasileiros. Sua missão inclui intervir nos riscos decorrentes da produção e do uso de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária. Em meio à pandemia de Covid-19, a agência ocupa posição central no combate ao novo coronavírus por meio da aprovação de vacinas seguras destinadas à população. Em ação coordenada com o Sistema Único de Saúde do Brasil, a Anvisa constitui parte responsável em salvaguardar a saúde pública em todos os seus domínios.
Com a necessidade de produção, armazenagem e distribuição de medicamentos e imunizantes em larga escala, o ano de 2021 e os que virão ainda reservam grandes desafios logísticos para que insumos e produtos da Saúde cheguem com qualidade a cada paciente. Nesse sentido, ganhamos como potente aliada a resolução RDC 430/2020, que passou a vigorar em março e padroniza as regras de boas práticas que se aplicam às empresas que realizam as atividades de distribuição, armazenagem ou transporte de medicamentos.
O dispositivo é uma atualização da RDC 304/2019, desenvolvida alguns meses antes da eclosão da pandemia de Covid-19, e, não por acaso, se conecta com a fase que estamos vivendo de vacinação da população contra a doença. Essa regulamentação, por exemplo, pode viabilizar que as vacinas cheguem em diversas regiões, como, por exemplo, as comunidades ribeirinhas e/ou aldeias indígenas que estão distantes da rota rodoviária com o máximo de sua eficácia. O complexo de ações do governo ao nível de regulamentação trata dessas garantias.
Essas normas são de suma importância porque estabelecem, por exemplo, a necessidade de que os operadores logísticos mantenham um sistema de gestão da qualidade ativo na operação, auto inspeções periódicas e investigação para apontar a causa raiz de possíveis falhas no trato com os produtos para mitigá-los. Outro destaque é a necessidade de haver monitoramento e controle das condições de temperatura, acondicionamento, armazenagem e umidade de medicamentos e produtos termolábeis com o uso de instrumentos calibrados e localizados nos pontos críticos do ambiente para empresas de armazenamento e distribuição. Num primeiro momento a questão pode parecer complexa, mas é mais simples quando transferida para a ótica do cidadão comum O usuário que nunca tenha buscado informação sobre a cadeia de suprimentos brasileira, provavelmente não sabe o quanto nosso Sistema de Saúde é dependente da malha rodoviária e o quanto o país tem de variedades de temperatura e umidade. As regiões Norte e Sul, por exemplo, são distintas em seu clima, e muitas vezes as fábricas da indústria farmacêutica estão localizadas em lugares com clima seco. Tirar um medicamento desse ambiente e levá-lo para lugares distantes ou com condições climáticas distintas, pode causar no medicamento uma instabilidade físico-química em seus ativos. A RDC 430 impacta nisso, mesmo que o paciente não saiba dessas variáveis, ele ficará mais seguro quanto a eficácia de seu tratamento, principalmente quando os medicamentos forem termossensíveis, ou seja, que precisam ficar em temperaturas mais amenas e sempre dentro de uma faixa específica — vacinas, por exemplo, normalmente devem ser mantidas entre 2°C a 8°C. Isso, claro, quando obedecidas às normas da Anvisa.
Uma das grandes aliadas nessa adequação das empresas à RDC 430 é a tecnologia, que vai conferir maior precisão no monitoramento, além de medicamentos disponíveis com comprovações de que a estabilidade foi mantida ao longo de toda a cadeia fria da saúde. Quem lê as pesquisas científicas e documentações da Organização Mundial da Saúde (OMS), sabe que há um índice significativo de perdas em armazenagem e trajeto, então a busca de trazer tecnologia para monitorar, registrar, avaliar tem o intuito de garantir a confiabilidade dos dados e segurança aos pacientes.
Essa mobilização certamente fará com que nos próximos meses mais empresas de logística busquem implantar soluções de monitoramento inteligentes à serviço da saúde, haja vista o setor ser bastante regulado e com intensas vistorias. É preciso que, um a um, os operadores logísticos revejam suas tecnologias e processos e se adéquem à regulamentação. Não há espaço para ignorar as novas regras, nem fazer nada “meia boca”, porque ações assim podem funcionar pontualmente, mas não perduram quando este serviço tem impacto real sobre a possibilidade de preservar mais vidas.

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