
O switch recém-construído aborda uma das principais barreiras para a construção de uma Internet Quântica: a maneira como as informações são distorcidas e perdidas durante o trajeto. Essas informações são transferidas com fótons disparando através de redes de fibra óptica, mas, às vezes, eles se ‘perdem’ ao longo do caminho. Ajustando a quantidade de dados que vai para cada usuário por meio de um sistema que seleciona e redireciona os comprimentos de onda da luz que transportam diferentes canais de dados, o switch programável pode lidar com um número crescente de usuários sem causar perda adicional de fótons.
“Mostramos uma maneira de fazer roteamento de comprimento de onda com apenas um equipamento – um switch seletivo para comprimento de onda – a fim de, em princípio, construir uma rede de 12 a 20 usuários, talvez até mais”, disse o engenheiro Andrew Weiner da Universidade de Purdue, Indiana (EUA).
“Abordagens anteriores exigiam a troca física de dezenas de filtros ópticos fixos ajustados para comprimentos de onda individuais, o que tornava a capacidade de ajustar as conexões entre os usuários praticamente inviável e a perda de fótons mais provável”.
O switch elimina a necessidade de adicionar esses filtros sempre que algum novo usuário desejar fazer logon na rede quântica, já que o switch cuida do direcionamento dos dados – reduzindo os custos operacionais e de manutenção, bem como melhorando a eficiência. Melhor ainda, o switch pode ajustar a largura de banda de acordo com as necessidades específicas do usuário – atendendo ao equivalente quântico de alguém transmitindo vídeo 4K e outra pessoa apenas verificando seus e-mails.
Se vamos construir e aumentar as redes quânticas no futuro, precisamos descobrir como distribuir o emaranhamento, o conceito central da física quântica – partículas que estão inextricavelmente ligadas umas às outras à distância.
“Quando as pessoas falam sobre uma Internet Quântica, é essa ideia de gerar emaranhamento remotamente entre duas estações diferentes, como entre computadores quânticos”, dissse o estudante de graduação em engenharia Navin Lingaraju, também da Universidade de Purdue.
“Nosso método muda a taxa na qual os fótons emaranhados são compartilhados entre diferentes usuários. Esses fótons emaranhados podem ser usados ​​como um recurso para emaranhar computadores quânticos ou sensores quânticos em duas estações diferentes”.
Ainda há muito trabalho a ser feito para preparar esse switch para uma rede quântica real – os pesquisadores por trás dele já estão investigando maneiras de fazê-lo funcionar para mais usuários de uma vez – mas, como muitos avanços que vimos ultimamente, estudos como este estão nos aproximando cada vez mais do objetivo final da comunicação quântica.
A natureza frágil da informação quântica significa que qualquer rede quântica precisa ser ajustada com precisão, delicadamente equilibrada, e a nova pesquisa pode acabar sendo uma parte importante para se conseguir isso.
Uma das técnicas dos pesquisadores – a multiplexação por divisão de comprimento de onda densa ou DWDM – já é usada no ramo das comunicações para aumentar a largura de banda das redes de fibra óptica.
A ideia é que quanto mais tecnologias uma Internet Quântica puder pegar emprestado de nossas redes existentes, mais fácil será implementá-las adiante.
“Pela primeira vez, estamos tentando pegar algo inspirado por esses conceitos clássicos de comunicação usando equipamentos comparáveis ​​para apontar as vantagens potenciais que têm para as redes quânticas”, disse Weiner.
A pesquisa foi publicada na Optica.