
Durante o período de isolamento social , a internet se tornou a única forma de contato para muitas pessoas. E, para não ficar de fora, muitos idosos tiveram que aprender do zero a como utilizar as tecnologias presentes no smartphone , como o WhatsApp .
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É o caso, por exemplo, de Maria Martins da Silva, de 81 anos, que vive sozinha em Campinas, no interior de São Paulo. Logo no início do isolamento social , quando ela fez aniversário, os filhos decidiram que era hora de ela ganhar um smartphone para se manter conectada a eles, mesmo que de longe.
"A minha mãe já tinha algum desejo de dar um celular para ela. Quando começou a quarentena, a gente percebeu que é muito ruim você não ver a pessoa, e que era necessário ter um celular para ver e aproximar", lembra Carolina Martins Ribeiro, de 25 anos, neta de Maria.
Carolina e sua mãe foram quem ensinaram a senhora a mexer no WhatsApp para ficar conectada com toda a família. "Para ela, foi um desafio", diz a neta. Tem muita gente passando pela mesma situação, e nem sempre é fácil ensinar tecnologia para um idoso.
Reginaldo Henrique Bernardo, instrutor de informática , conta que o processo de aprendizado pode ser muito desafiador para os idosos. "Por mais que, para nós, não seja nenhuma novidade, para eles muitas coisas acabam sendo", diz Reginaldo.
O instrutor conta que as maiores dificuldades dos idosos são as letras pequenas dos smartphones . E, do lado de quem está ensinando, o maior desafio é ter paciência. "Eu sempre ouço a seguinte frase dos idosos: ‘apesar de eu ter o meu filho ao meu lado, ele simplesmente não tem paciência comigo’. Se essas pessoas que estão próximas a eles tivessem paciência, talvez não precisariam nem recorrer ao Reginaldo", brinca.
Na prática, isso também é observado. Carolina conta que, no começo, foi preciso ter bastante paciência até Maria entender o funcionamento das ferramentas. "Minha mãe explicava para ela como funcionava e eu era a responsável por fazer os testes com a minha avó. Então, eu ia para um cômodo da casa e ligava para ela, para ela atender e falar comigo. E era só risada no começou, porque ela não entendia", lembra.
Mas o resultado de tanta paciência, garante a neta, foi gratificante. "Ela era resistente, mas a gente percebeu que ela gostou muito e aproximou ela muito mais. Ela fica contente de ver as pessoas hoje, não só de falar no telefone. O WhatsApp foi uma ferramenta que ajudou muito nessa quarentena", afirma.
Além da paciência, Reginaldo diz que é preciso saber ouvir os idosos. Ele conta que é preciso estar atento às dificuldades e dúvidas que eles têm, que muitas vezes serão apresentadas em uma linguagem simples.
Carolina diz que também é necessário treinamento, incentivando o idoso a utilizar sempre o smartphone , além de muita afetividade na hora de tirar as dúvidas. "Quando você dá a voz para esse idoso, dá o celular, você está integrando ele na sociedade, então você tem que ter um afeto, tem que saber como falar, e tem que ter todo um carinho para conectar ele", opina.
Confira algumas dicas práticas para ensinar um idoso a mexer no WhatsApp :