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Bastidores do Teatro Guaíra: "atletas dos palcos", bailarinos contam com fisioterapia personalizada
Teatro conta com diversos equipamentos, além das duas banheiras de imersão, de água fria e quente, que ficam junto a uma máquina de gelo. A fisiot...
08/05/2026 08h35
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Quem poderia imaginar que dentro das dependências do Teatro Guaíra há uma sala com uma máquina de gelo a duas banheiras de imersão? Esses equipamentos, que em um primeiro momento podem causar uma certa estranheza, são essenciais dentro da rotina do Centro Cultural Teatro Guaíra e fazem parte do setor de fisioterapia que fica nas dependências do teatro.

São diversos equipamentos e aparelhos, macas, além das duas banheiras de imersão, de água fria e quente, que ficam junto à máquina de gelo, e que chamam bastante a atenção.

Todos servem de suporte principalmente para o Balé Teatro Guaíra, com acompanhamento do trabalho de fisioterapia, essencial para a longevidade profissional e o desempenho artístico dos bailarinos. As banheiras de imersão servem para aliviar dores, principalmente após os ensaios mais puxados ou apresentações.

As sessões de imersão no gelo duram 10 minutos, com gelo reposto conforme derretido pelo calor corporal. “Eu faço a imersão na banheira de gelo uma ou duas vezes por semana. Não é todo dia, mas recupera a musculatura para o dia seguinte”, explica a bailarina do BTG, Amanda Soares.

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Na porta da entrada da sala destinada ao trabalho de fisioterapia há uma placa com o nome de Aurino Lorenzetti, o massoterapeuta conhecido como Nino, que por 37 anos cuidou dos corpos dos bailarinos do Centro Cultural Teatro Guaíra (CCTG). Hoje, quem ocupa essa sala é Amanda Perna, fisioterapeuta que está desde 2023 trabalhando no teatro.

Predestinada pelo sobrenome e a trajetória, Amanda trilhou os caminhos da dança antes de se dedicar à área da saúde. Aluna da Escola de Dança do Teatro Guaíra, formou-se técnica em dança, depois migrou para a educação física e, no último ano da faculdade, decidiu ingressar na fisioterapia: ofício pelo qual se apaixonou e achou seu propósito de vida.

"Fiz escola de dança no Teatro Guaíra, me formei técnica em dança e, ao terminar, cursei Educação Física. No último ano, comecei Fisioterapia. Sempre fui ligada ao movimento", conta. Sua experiência como aluna e também como estagiária no Balé Teatro Guaíra (BTG) foi decisiva quando participou do processo seletivo para escolha de um profissional de fisioterapia no CCTG. "É muito diferente trabalhar com a escola e com profissionais. Isso me deu um olhar criterioso para biomecânica, ouvir queixas e prestar atenção aos movimentos”.

“Para nós, que trabalhamos como atletas de alto rendimento, ter uma fisioterapeuta aqui é essencial", afirma a bailarina do BTG Amanda Pessoa Soares. O bailarino Rodrigo Castelo Branco reforça. "O trabalho da Amanda colabora muito no nosso desempenho, acho bem importante o trabalho preventivo que ela desenvolve aqui conosco. Há três anos, reverti uma lesão no quadril. Graças ao trabalho dela, podemos continuar atuando com segurança e com mais qualidade de vida".

Com uma rotina intensa e marcada pelos protocolos preparados de diversos cuidados preventivos, Amanda mescla atendimentos agendados, participação em ensaios do Balé e também em apresentações da companhia. Nos bastidores, ela fica de prontidão na coxia, com equipamentos para emergências e segue também acompanhando o grupo em viagens.

"O espetáculo é como um jogo: a demanda é alta, e o foco é esportivo. Se há cãibra ao sair do palco, libero a musculatura para a próxima entrada. É um trabalho invisível ao público, mas essencial para a performance e o bem estar dos bailarinos", afirma.

Amanda faz avaliações individuais, testes de força para simetria muscular e protocolos preventivos, comparando resultados com exames anteriores. "Quando cheguei, implementei cuidados diários: além de aulas e ensaios, orientei exercícios personalizados. Hoje, eles incorporam isso à rotina e pedem protocolos para autocuidado", diz. Ela conta também, que, embora atenda principalmente bailarinos pela demanda física intensa, o seu trabalho estende orientações também aos demais corpos estáveis do Teatro Guaíra.

Amanda se diz satisfeita com o trabalho. "Fiquei muito feliz quando vim pra cá, a sensação foi de voltar para casa. O mundo da dança sempre esteve comigo, mesmo afastada profissionalmente. Me sinto muito realizada em estar aqui e poder compartilhar meu conhecimento", completa.