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Hemepar passa a fazer testes sorológicos para aumentar segurança em transplantes
Além dos exames que já eram feitos em laboratório terceirizado que teve o contrato descontinuado, entre eles os de Hepatite B, Hepatite C, Doença ...
28/04/2026 16h05
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Com a finalidade de aumentar a segurança e garantir maior agilidade nos transplantes de órgãos e tecidos, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), alinhou uma parceria inédita entre o Sistema Estadual de Transplantes (SET) e o Laboratório do Hemocentro Coordenador do Paraná, do Hemepar, para garantir proteção e cuidado ao paciente transplantado na Macrorregião Leste.

Além dos exames que eram feitos em laboratório terceirizado que teve o contrato descontinuado, entre eles os de Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, HTLV, Toxoplasmose e Citomegalovírus, a nova parceria permite a realização do teste NAT (Teste de Ácido Nucleico), uma nova tecnologia para as amostras provenientes de doadores de múltiplos órgãos.

Para a execução dos testes, são empregadas plataformas de triagem baseadas na tecnologia de quimioluminescência, considerada uma das mais avançadas técnicas atualmente utilizadas na triagem sorológica em âmbito mundial. Adicionalmente, com o objetivo de ampliar a segurança dos transplantes, são realizadas técnicas complementares de biologia molecular, por meio de PCR em tempo real, para a detecção de HIV, Hepatite B, Hepatite C e Malária, com rapidez e precisão.

“Dessa forma, a segurança dos transplantes de órgãos no Paraná é fortalecida por meio da utilização de testes de alta qualidade e elevado desempenho, assegurando um processo de triagem seguro, ágil e eficaz, com impacto direto na proteção e no cuidado ao paciente”, disse César Neves, secretário de Estado da Saúde.

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A ampliação dos exames feitos por laboratórios que recebem amostras de doadores de órgãos cumpre as exigências da Portaria nº 8.041, do Ministério da Saúde (MS), publicada em setembro de 2025, com prazo inicial de adequação até março de 2026. Esse prazo foi prorrogado pelo MS por mais 180 dias por meio da portaria nº 10.344 em abril deste ano.

PRESENÇA EM TODAS AS MACRORREGIÕES - Na Macrorregião Leste, os testes são feitos pelo Laboratório de Sorologia do Hemocentro Coordenador do Paraná (Hemepar); na macrorregião Oeste está no laboratório terceirizado Parzianello; as macrorregiões Norte e Noroeste concentram os exames no laboratório do Hospital Universitário de Londrina.

A diretora do Hemepar, Vivian Patricia Raksa, destacou a importância desta nova fase dos serviços realizados pelo Laboratório do Hemepar e os avanços que a hemorrede atingiu nos últimos anos no Paraná. “Os investimentos recebidos pela rede Hemepar nos últimos anos têm permitido a modernização do nosso laboratório e, assim, atender aos paranaenses com eficiência e responsabilidade”.

Para a coordenadora do Serviço Estadual de Transplantes (SET), Juliana Ribeiro Giugni, a testagem feita diretamente por um serviço público vai reforçar ainda o Paraná como referência em captação e transplantes de órgãos. “O Paraná é referência em captação e transplantes de órgãos no País e registra o dobro de doadores por milhão de população (40,4 pmp) em relação à média brasileira (20,2 pmp). Isso é fruto de uma rede de captação estruturada que envolve cerca de 700 profissionais e 34 equipes de transplantes integradas”, afirmou.

SERVIÇO ESTADUAL DE TRANSPLANTES- Em 2024, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), elaborado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Paraná foi o Estado com o maior número de doadores de órgãos por milhão de população (pmp), alcançando uma média 42,3 pmp, número muito superior à média brasileira, que foi de 19,2 pmp.

Os dados parciais de 2025, abrangendo os nove primeiros meses do ano no relatório da ABTO, apontam que o Paraná ocupava até aquele período a segunda colocação com 39,7 pmp, ficando atrás de Santa Catarina, com 43,7 pmp. Os dados do Sistema Estadual de Transplantes em 2025 apontam para uma elevação no índice, com 40,4 pmp. O Paraná tem o dobro de doadores da média brasileira, que é de 20,2 pmp.

O desempenho do Paraná se apoia em uma das estruturas mais completas do país e conta com 4 Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba; 70 hospitais notificantes; 34 equipes transplantadoras de órgãos e 72 de tecidos; 5 laboratórios de histocompatibilidade, 3 de sorologia e 3 bancos de tecidos; e cerca de 700 profissionais especializados.

Outro fator que reforça a liderança paranaense é o baixo índice de recusa familiar. Desde 2020, o estado mantém uma das menores taxas do Brasil. Em 2025, até junho, apenas 31% das famílias recusaram a doação, contra média nacional de 45%. O índice é resultado da capacitação contínua de equipes médicas e da abordagem humanizada junto às famílias.