
A Câmara Municipal de Campina da Lagoa, na região Centro-Oeste do Paraná, publicou nesta segunda-feira (09) o afastamento cautelar do vereador Edmar Vaiz pelo período de 120 dias. A medida, formalizada por meio do Ato da Presidência nº 001/2026, atende a uma decisão judicial expedida pela Vara da Comarca local.
O afastamento, de caráter temporário, não implica perda do mandato eletivo, mas suspende todas as prerrogativas parlamentares do vereador durante este período. Isso significa que Vaiz está impedido de participar de sessões, comissões e demais atividades legislativas. O documento publicado no Diário Oficial do Município determina ainda que, assim que transcorrido o prazo de 120 dias ou havendo revogação da decisão judicial, o parlamentar deverá ser imediatamente reconduzido ao cargo.
Com a vacância temporária, a legislação municipal prevê a convocação do suplente para garantir a continuidade da representação legislativa na cidade.
A decisão judicial que resultou no afastamento do vereador é desdobramento do processo nº 0001374-82.2025.8.16.0057, que tramita na Justiça estadual. O caso teve origem em um inquérito policial conduzido pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), que investigou denúncias de assédio e importunação sexual ocorridas no município.
De acordo com a delegada Muriel Cunha, responsável pelas investigações, os episódios teriam acontecido dentro de uma unidade de saúde de Campina da Lagoa, onde uma servidora pública teria sido vítima de constrangimentos reiterados por parte do investigado.
Conforme os depoimentos colhidos pela polícia, o vereador teria direcionado à servidora comentários de cunho sexual, abordagens físicas inadequadas, toques não consentidos, além de tentativas de abraços e contatos corporais sem autorização da vítima.
Durante as diligências, uma segunda mulher também foi ouvida e relatou ter sido vítima de assédio sexual praticado pelo mesmo investigado em período anterior, o que reforçou os indícios reunidos no inquérito.
A delegada destacou ainda que, segundo os elementos apurados, o investigado teria constrangido a vítima com a finalidade de obter favorecimento sexual, utilizando-se da condição funcional que exercia.
Com a conclusão das investigações, o inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário, que agora dará prosseguimento às medidas legais cabíveis.
Após a divulgação de um vídeo no qual a delegada comenta o caso, a defesa do vereador Edmar Vaiz, representada pelos advogados Cristiano Augusto V. Calixto, Murilo de Abreu Santos e Halylla dos Reis, emitiu nota oficial na qual nega "categoricamente" qualquer envolvimento do parlamentar com as práticas de assédio sexual investigadas.
No comunicado, os advogados classificam a denúncia como "inverídica, sem ínfima prova" e sugerem que as acusações teriam motivação política. A defesa também afirma que o vereador não foi notificado pela Câmara Municipal sobre qualquer procedimento interno e ressalta que sua trajetória como servidor público por mais de 15 anos sempre foi "ilibada".
O documento conclui declarando que Edmar Vaiz se coloca à disposição das autoridades, confia na Justiça e manterá seu mandato com "responsabilidade e respeito à população de Campina da Lagoa".
O afastamento do vereador entrou em vigor na própria segunda-feira (09), data da publicação do ato oficial no Diário do Município. A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.