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Queda de energia provoca mortandade de 900 mil quilos de tilápia e prejuízo de R$ 9 milhões
Produtor rural de Tupãssi enfrenta a segunda grande perda em dois meses e acusa a Copel de negligência; laudo aponta oscilação constante de voltagem e Justiça determina regularização em 48 horas
03/03/2026 12h21
Por: Redação Fonte: Catve
Reprodução

O piscicultor Paulo Michelon, de Tupãssi, na região Oeste do Paraná, acumula um prejuízo estimado em R$ 9 milhões após a morte de aproximadamente 900 mil quilos de tilápia em sua propriedade. O episódio mais grave ocorreu entre os dias 25 e 26 de fevereiro, mas, segundo o produtor, os problemas no fornecimento de energia elétrica se arrastam desde o início de 2025.

Em entrevista ao Portal catve.com, Michelon afirmou que a tragédia era um desfecho previsível diante da repetição das falhas no sistema elétrico da região. "A gente já sabia que poderia acontecer. Desde o fim do ano passado estamos abrindo protocolos por causa do mau fornecimento de energia. A Copel nada fez ou não conseguiu solucionar", desabafou.

Além dos registros junto à concessionária, a família também formalizou uma reclamação na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Equipes terceirizadas chegaram a ser acionadas e identificaram problemas pontuais, como chaves caídas, mas não conseguiram resolver a instabilidade na tensão da rede. Em janeiro, uma mortandade menor já havia sido registrada nos tanques, servindo como um primeiro alerta ignorado.

Diante da recorrência, o produtor contratou uma perícia técnica independente. O laudo obtido pela reportagem aponta que a energia fornecida chegava à propriedade com baixa tensão e, em momentos críticos, com picos acima do necessário. O padrão correto exigido para o funcionamento do sistema é de 220 volts constantes. No entanto, foram registradas variações frequentes, níveis fora da especificação e diversas interrupções em um curto intervalo de dias.

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As oscilações danificaram painéis elétricos e motores. O ponto crítico foi a queima da placa do gerador, que deixou de suprir automaticamente a energia durante as quedas. Sem o sistema de oxigenação, os tanques ficaram impróprios para a sobrevivência dos peixes, resultando na morte de 90% a 95% de toda a produção, que já estava pronta para a comercialização.

Desde então, funcionários da propriedade trabalham na remoção dos animais com o auxílio de máquinas, em uma operação de limpeza dos tanques que deve se estender pelos próximos dias.

Justiça determina prazo para regularização

O caso chegou à Justiça e, em decisão liminar, o juiz Luiz Fernando Montini, da Comarca de Tupãssi, classificou as oscilações no fornecimento de energia no Paraná como "fato público e notório". Na decisão, o magistrado reforçou a obrigação legal da concessionária de garantir um serviço adequado, seguro e contínuo.

A Copel foi intimada a comprovar a regularização do serviço no prazo de 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 60 mil. O produtor agora aguarda o cumprimento da medida e cobra uma solução definitiva para evitar que a tragédia se repita.