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Jovem que recebeu polilaminina em Cascavel apresenta primeiro sinal de sensibilidade após lesão medular

Procedimento pioneiro no interior do Paraná aplicou proteína brasileira desenvolvida pela UFRJ; paciente de 23 anos teve resposta clínica inédita menos de uma semana após cirurgia

Redação
Por: Redação Fonte: CGN
25/02/2026 às 19h17
Jovem que recebeu polilaminina em Cascavel apresenta primeiro sinal de sensibilidade após lesão medular
Imagem Ilustrativa

Quatro dias. Esse foi o tempo necessário para que a ciência entregasse um sinal onde antes só havia silêncio neurológico. Na última quarta-feira (25), o jovem Wagner Felipe de Lima, 23, morador de Catanduvas, no oeste do Paraná, apresentou os primeiros indícios de sensibilidade após receber uma proteína experimental na medula espinhal — um marco silencioso, mas de proporções gigantescas, em uma trajetória marcada pela imobilidade.

A informação, obtida com exclusividade pela CGN em entrevista ao jornalista Luiz Haab, representa não apenas um avanço individual, mas um capítulo promissor na medicina regenerativa brasileira. Wagner foi vítima de um acidente de carro no dia 14 de fevereiro, sofrendo uma lesão medular completa entre as vértebras T3 e T4 — região torácica que, quando comprometida, afeta tronco e membros inferiores, comprometendo severamente a autonomia.

Internado no Hospital Universitário de Cascavel (HUOP), o paciente foi diagnosticado com lesão grau A, o mais grave na escala médica: ausência total de movimento e sensibilidade abaixo da área atingida. Um quadro historicamente associado a prognósticos irreversíveis.

“Para esses pacientes com lesões medulares graves, o que a gente fazia até algum tempo era apenas comunicar e oferecer um pouco de esperança”, afirma o neurocirurgião Lázaro Lima, responsável pela equipe que conduziu o caso. “As lesões mais graves têm uma taxa de reversibilidade muito pequena.”

Foi justamente nesse cenário de desafios que surgiu a oportunidade de acesso à polilaminina, proteína desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália, sob liderança da doutora Tatiana Sampaio. O medicamento experimental ainda está em fase de estudos clínicos e propõe atuar como uma matriz biológica capaz de favorecer a reconexão neural, criando condições para a regeneração das fibras nervosas lesionadas.

A aplicação em Wagner foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio do chamado uso compassivo — mecanismo que libera terapias experimentais para pacientes sem alternativas eficazes e que atendem a critérios rigorosos. O procedimento ocorreu no último sábado (22), após articulação da equipe médica com os pesquisadores no Rio de Janeiro.

“Ele sofreu um acidente recente, passou pela descompressão de T3 e T4 e tratamento da ruptura de T3. Após a estabilização, avaliamos que ele tinha critérios para receber a polilaminina. Organizamos toda a documentação e solicitamos à Anvisa”, detalha o neurocirurgião.

A agilidade não foi burocrática, mas biológica. Em lesões agudas, ainda não há formação de fibrose extensa — a temida cicatriz que impede a regeneração. Essa “janela biológica” torna a intervenção precoce um diferencial crítico.

A aplicação, única, foi realizada em dois pontos estratégicos: acima e abaixo da lesão. O procedimento milimétrico foi conduzido com base em protocolos rigorosos, como explica o neurocirurgião Bruno Cortês, do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, que participou da padronização da técnica.

“A ideia é criar uma rede de sustentação que favoreça a reconexão entre os neurônios que vêm do cérebro e os da parte inferior da medula”, detalha. “É um procedimento que exige precisão absoluta.”

Antes da cirurgia, Wagner já demonstrava uma postura serena diante do desafio. “A gente tem que ter esperança, né? Esperança nunca deve morrer. Eu acho que vai dar tudo certo. Pelas pesquisas que eu andei vendo, os resultados podem ser bons”, disse à equipe médica.

A família foi informada de que se tratava de uma possibilidade científica, não de uma promessa. “Existe um protocolo rigoroso. O paciente e a família demonstraram confiança e desejaram seguir”, afirma o médico Arthur Luiz Freitas Forte, que integra a equipe de pesquisa.

A resposta veio antes do esperado. Quatro dias após o procedimento, os primeiros sinais de sensibilidade começaram a surgir — ainda discretos, mas suficientes para redefinir as expectativas. Cada contração muscular, cada estímulo percebido, por menor que seja, agora carrega um peso imenso.

O caminho, no entanto, está apenas começando. Wagner segue em acompanhamento clínico rigoroso, com exames periódicos e reabilitação multiprofissional intensiva. Fisioterapia, avaliações neurológicas e monitoramento constante farão parte da rotina nos próximos meses.

“A partir de agora, começa uma nova etapa — feita de espera, reabilitação, pequenos sinais e grandes expectativas”, resume um dos profissionais envolvidos. “Cada avanço terá um peso imenso.”

Quando as portas do centro cirúrgico se fecharam, não era apenas o término de um procedimento. Era o início de uma história que, até então, parecia estática — e que quatro dias depois já não era mais a mesma.

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