Estadual Corrupção
Novos áudios ampliam suspeitas de caixa dois e tráfico de influência no governo do Paraná
Além de Guto Silva, citado nas investigações iniciais como um dos supostos operadores do esquema, surge com destaque a figura de Rogério Pazzoto, servidor ligado à Casa Civil do Governo do Estado
08/01/2026 12h43 Atualizada há 1 dia
Por: Redação Fonte: https://odiariodemaringa.com.br/2026/01/07/audio-ineditotopa-tudo-por-dinheiro-de-ratinho-junior-e-guto-silva-nao-da-dinheiro-toma/
Reprodução

Um conjunto de novos áudios, divulgados pelo Diário de Maringá, que circula com força nos bastidores da política paranaense, ameaça abalar os alicerces do governo estadual ao adicionar camadas a um cenário já sensível de suspeitas. As gravações, obtidas e analisadas por nossa reportagem, mas ainda sem perícia oficial, contêm alegações gravíssimas: detalhariam um suposto esquema de arrecadação irregular de recursos para a campanha que elegeu o governador Ratinho Junior (PSD), o chamado "caixa dois", e apontariam para um possível tráfico de influência envolvendo cargos comissionados.

Os áudios trazem à tona nomes até então não diretamente vinculados ao caso. Além de Guto Silva, citado nas investigações iniciais como um dos supostos operadores do esquema, surge com destaque a figura de Rogério Pazzoto, servidor ligado à Casa Civil do Governo do Estado. Ele é mencionado em uma conversa que teria como interlocutor Fábio de Souza Benedito, ex-gerente da Sanepar em Londrina.

A conversa, de tom informal, é explícita. Em um trecho crucial, uma voz (que circula atribuída a Benedito) afirma:

“Fábio, beleza? Tudo bem? Ó, eu só queria deixar você ciente aí que o meu advogado vai usar a planilha lá para solicitar meu retorno, tá? Como tem gente que fez doação e não foi mandado embora, seu nome está na planilha e vai usar como base isso aí, tá bom? Só para você ficar ciente, tá? E daí a gente tem provas de que todo mundo que fez doação e também não saiu, tá bom? Então só para te avisar aí, beleza? Para você ficar ciente.”

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O conteúdo sugere, de forma alarmante, que doações políticas teriam sido usadas como moeda de troca para a nomeação ou a permanência em cargos públicos. A menção a uma "planilha" indicaria um registro sistemático da prática.

Esta não é a primeira vez que o governo é atingido por gravações do gênero. Em vazamentos anteriores, o nome do secretário estadual da Saúde, Beto Preto, também foi mencionado, ampliando o raio político das suspeitas.

Implicações e Negativas

Caso confirmadas por investigações formais, as alegações configuram um quadro complexo de improbridade administrativa e ilícito eleitoral. A suposta vinculação entre doações e cargos configura tráfico de influência, enquanto o financiamento não declarado de campanha caracteriza "caixa dois" – crimes previstos na legislação eleitoral e penal.

Até o momento, as acusações carecem de confirmação oficial. A reportagem contactou as autoridades e pessoas mencionadas. A Casa Civil do Paraná, por meio de sua assessoria, negou qualquer irregularidade envolvendo Rogério Pazzoto e afirmou que "repudia veementemente tentativas de associar o órgão a supostos esquemas". Procurados, os representantes de Guto Silva e Fábio de Souza Benedito não se manifestaram até o fechamento desta edição. O Governo do Estado emitiu uma nota reafirmando "total compromisso com a legalidade" e declarando confiar nas instituições para apurar os fatos.

O que vem a seguir

A bola agora está com as instituições de controle. A profundidade e a gravidade das novas informações devem pressionar por uma reação formal do Ministério Público Estadual (MP-PR) e da Justiça Eleitoral. Os próximos passos essenciais são:

  1. perícia técnica dos áudios para atestar sua autenticidade e integridade.

  2. abertura de investigações para apurar a existência da "planilha", a veracidade das conversas e a identidade de todos os envolvidos.

  3. aprofundamento das investigações já em curso sobre financiamento de campanha no estado.

O episódio coloca o Paraná no centro de uma crise política de alto escalão, cujo desfecho dependerá da robustez das provas e da atuação das instituições responsáveis pela Justiça e pela lei.

Confira os Áudios Abaixo: