A região Oeste do Paraná busca consolidar roteiros e atividades que promovam cultura, respeito e contato com comunidades tradicionais. Localizado no município de São Miguel do Iguaçu, a menos de uma hora de Foz do Iguaçu, passando por Santa Terezinha de Itaipu, o Quilombo Apepu é um dos exemplos de comunidades que estão em busca do desenvolvimento turístico aliado à sustentabilidade e valorização cultural.
Chamado “Turismo de Base Comunitária no Quilombo Apepu”, o projeto busca promover, ao longo dos próximos dois anos, a união entre identidade, ancestralidade e a natureza que cerca os moradores do local. A comunidade é vizinha ao Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as famosa Cataratas do Iguaçu, uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo e eleita neste ano como principal atrativo do Brasil e América do Sul pela plataforma de viagens TripAdvisor.
“Este modelo valoriza a participação ativa da comunidade durante o processo, desde o planejamento dos roteiros que vão ser oferecidos aos turistas, até os benefícios que a atividade gera. O Paraná é rico em tantos aspectos e, certamente, o cultural é um deles”, explica Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná, órgão de promoção do setor no Estado. “Neste segmento entra o turismo sustentável, valorizando raízes que compõe o Estado, respeitando espaços e, ao mesmo tempo, mostrando experiências únicas que podem ser encontradas no Paraná”.
Segundo o Ministério do Turismo, este é o segmento em que uma comunidade local, em muitos casos, povos indígenas, quilombolas, caiçaras e afins, é a protagonista do roteiro e das atividades turísticas. É uma forma de propagar o desenvolvimento sustentável e preservar o patrimônio cultural e ambiental, promovendo a vivência e troca de experiências.
APEPU– Desenvolver o turismo partiu do próprio Quilombo Apepu, que contou com apoio e elaboração do projeto feito pela Adetur - Agência de Desenvolvimento Cultural e Turístico da Região Cataratas do Iguaçu e Caminhos ao Lago de Itaipu. A Adetur é uma das Instâncias de Governança Regional (IGR) do Paraná, responsável por fomentar o turismo em suas áreas de abrangência. A iniciativa também conta com apoio de outras organizações.
PREPARO E QUALIFICAÇÃO– Nos próximos dois anos estão previstos o desenvolvimento de roteiros turístico, formações comunitárias e infraestrutura. O objetivo é fortalecer a cultura quilombola e promover a conservação ambiental, focando no protagonismo dos moradores e no reconhecimento das raízes e identidade local.
O mais recente passo para a consolidação do projeto foi o Curso de Condutores de Visitantes, promovido ao longo de agosto, com aulas presenciais na comunidade. O objetivo foi capacitar condutores quilombolas e indígenas para atuar com segurança, ética e responsabilidade ambiental, preparando os alunos para trabalhar profissionalmente como condutores de visitantes no Parque Nacional do Iguaçu.
As aulas foram ministradas pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) e, localmente, contaram com apoio do ICMBio Parna Iguaçu, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Regional Oeste), de secretarias municipais de turismo da região e outras organizações.
INSTÂNCIA DE GOVERNANÇA– O projeto no Quilombo Apepu integra o “Abrace o Parque”, idealizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o Parque Nacional do Iguaçu e outras Unidades de Conservação Federais do Brasil, e executado pela Adetur Cataratas e Caminhos.
O “Abrace o Parque” é uma plataforma de articulação entre comunidades, um convite para a construção conjunta de formas de cuidar da biodiversidade e das pessoas que vivem com ela. Além do Turismo de Base Comunitária, o programa desenvolve ainda o “Plano de Envolvimento com o Entorno” e o “Frutos do Iguaçu”.
“É muito importante essa vertente do turismo ser utilizada, porque é benéfico não apenas ao Quilombo Apepu, mas para todas as comunidades no entorno. Nos faz olhar para a região e tentar identificar outras comunidades tradicionais onde é possível trabalhar esse segmento, o desenvolvimento de experiências, artesanato e outras economias criativas que ajudam a impulsionar o turismo nas comunidades”, disse Sara Fernanda de Moraes gestora técnica e coordenadora de projetos da Adetur Cataratas e Caminhos.