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Pilotos que transportam órgãos encontram adolescente que recebeu um novo coração

Pilotos da Divisão Aérea da Casa Militar do Governo do Paraná, os comandantes Gustavo Sakakihara e Valter Obiava tiveram um dia diferente nesta qu...

16/05/2024 às 14h56
Por: Redação Fonte: Secom Paraná
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Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Pilotos da Divisão Aérea da Casa Militar do Governo do Paraná, os comandantes Gustavo Sakakihara e Valter Obiava tiveram um dia diferente nesta quinta-feira (16) no hangar do Aeroporto do Bacacheri. Ambos conheceram uma paciente transplantada que teve a vida salva pela celeridade no transporte de órgãos. No ano passado eles transportaram da região Sudoeste do Estado para Curitiba o coração que foi transplantado na adolescente Sofia Ramos, de 15 anos.

Líder nacional em doações de órgãos, o Paraná registrou 486 doadores em 2023, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT). Enquanto a média nacional é de 19,9 doadores por milhão de população, o Paraná alcançou a marca de 42,5 doadores por milhão de população ano passado. O Estado ainda tem a menor taxa de recusa familiar para doação no Brasil. O Paraná registrou ano passado 27% de recusa nas entrevistas familiares, enquanto que a média nacional foi de 42% no ano

Uma dessas vidas salvas graças ao pronto-atendimento das aeronaves paranaenses foi a de Sofia. O que emocionou os pilotos. “Transportei tantos órgãos que já perdi a conta exata de quantos. Mas essa é a primeira vez que conheço alguém que recebeu um órgão que eu transportei. E está sendo uma sensação incrível, indescritível, de ver que hoje a Sofia está bem”, disse o comandante Sakakihara, que é investigador da Polícia Civil e atua há cinco anos na Divisão Aérea.

Já o comandante Obiava, que é cabo da Polícia Militar, afirma que o transporte de órgãos é uma das missões mais gratificantes que a equipe da Divisão Aérea realiza. Ele explica que todo o trabalho, não só da equipe área, mas de todos os participantes, incluindo as equipes médicas, deve ser integrado e ágil para se que consiga o objetivo de salvar vidas.

No transporte de um coração, como foi o caso de Sofia, o prazo é de apenas quatro horas da retirada do doador até o órgão dar entrada no organismo do receptor. “A gente sabe que tem a dor da família que perde o ente. Por outro lado, vendo aqui a Sofia, é muito gratificante saber que hoje ela está bem e tem toda uma vida pela frente”, afirmou o cabo, que pilota aeronaves pela Divisão Aérea há dois anos.

GRATIDÃO– No encontro com os pilotos, Sofia e a mãe, a psicóloga Karen Regina Zampieri, de 42 anos, agradeceram o trabalho da equipe da Divisão Aérea não só por salvar a vida de Sofia, mas de tantas outras pessoas com o transporte de órgãos.

“Receber a notícia de que havia um coração para minha filha foi a melhor sensação do mundo. Melhor até do que o nascimento dela, porque no nascimento a gente espera pela vida. No transplante há esse risco real. E ninguém espera que o filho morra. E o caso da doença dela havia esse risco”, disse a mãe.

Sofia foi diagnosticada com miocardia dilatada do coração ao dar entrada no hospital com vômitos constantes. Até chegar na unidade de saúde, a família acreditava se passar apenas de um mal-estar, mas os exames constataram que o problema era maior. “Passei por uma ecografia que detectou que havia líquido no meu pulmão. Inicialmente acharam que era pneumonia, mas o exame detectou que os meus batimentos cardíacos estavam muito acelerados. Fui direto para a sala de emergência e dali não lembro de mais nada”, afirmou Sofia.

Tanto a mãe quanto a adolescente admitem que até então não sabiam praticamente nada de transplante. Agora, são incentivadoras do procedimento – qualquer pessoa que tenha constatada morte encefálica pode ser doadora de órgãos, se não tiver nenhum impeditivo em termos de saúde, mas para isso é preciso autorização da família.

“Antes, transplante era só uma palavra do vocabulário para mim, como açúcar ou qualquer outra. Agora, depois do meu transplante e vendo toda essa estrutura que leva os órgãos, sei ainda mais da importância”, revelou Sofia.

“Eu não sabia que tinha toda uma estrutura dessa por trás. E quando a gente entende que tem tanta gente trabalhando para salvar vidas, passa a dar valor e incentivar ainda mais a doação”, reforçou a mãe de Sofia.

Foto: Reprodução/Secom Paraná
Foto: Reprodução/Secom Paraná

Profissionais da Casa Militar aproveitaram o momento para explicar como funciona o transporte de órgãos no Estado. Foto: Geraldo Bubniak/AEN


ESTRUTURA – A Central Estadual de Transplantes (CET) fica em Curitiba e é responsável pela coordenação das atividades de doação e transplantes em todo Estado. Além disso, conta com quatro Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), na Capital, Londrina, Maringá e Cascavel. Estas unidades trabalham na orientação e capacitação das equipes distribuídas em 67 hospitais do Paraná, que mantêm Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT).

Ao todo são cerca de 700 profissionais envolvidos, entre eles 32 equipes de transplante de órgãos, 29 serviços transplantadores de córneas, três bancos de córneas (Londrina, Maringá e Cascavel) e um banco de multitecidos (córnea, válvulas cardíacas, pele e tecido ósseo) em Curitiba.

Para efetivação dos transplantes é necessário eficiência na logística do transporte do órgão do doador até o receptor. Para tanto, o Governo do Estado disponibiliza toda infraestrutura aérea e terrestre para o transporte dos órgãos. São nove veículos próprios do Sistema Estadual e Transplantes para atender as unidades distribuídas no Estado, além do apoio da frota das Regionais de Saúde e mais 12 aeronaves à disposição para serem acionadas caso haja necessidade.

Em 2023, a equipe registrou recorde no número de missões para transporte de órgãos. Foram mais de 300 horas em 137 voos, para o transporte de pelo menos 211 órgãos, mais que o dobro do número registrado em 2022, quando as equipes atuaram em 79 missões pela CET.

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