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Alvo de preconceitos, funk muda vidas e movimenta economia

Série da TV Brasil sobre o gênero musical está disponível no Youtube

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
13/08/2023 às 12h15 Atualizada em 13/08/2023 às 12h29
Alvo de preconceitos, funk muda vidas e movimenta economia
Imagem Ilustrativa

Nascido na favela, marginal, alvo de preconceitos, associado ao erotismo, à violência e à criminalidade, criticado, perseguido e no topo das paradas da música pop internacional. Esseé ofunk, gênero musicalque, na última semana, teve umasérie exibida pelaTV Brasil-Funk: das favelas do Brasil para o mundo. Os episódios estão disponíveis na íntegra no Youtube .

“O preconceito que o gênerosofre hoje é o que a capoeira e o samba já sofreram”, diz o pesquisador e professor de música Thiagson. Apesar disso, está entre os ritmos brasileiros mais tocados no exterior, de acordo com a plataforma Spotify, e ganha cada vez mais ouvintes.“A gente tem Anitta, Ludmila, MC Carol, que são funkeiras desde muito tempo, mas ainda falta”, diz a MC Natitude.

Neste ano, o álbumFunk Brasil Vol. 1, do DJ Marlboro, lançado em 1989, completa 34 anos. O disco é considerado o marco zero dofunkbrasileiro. O disco nasceu de um encontro. Certo dia, no ano de 1986, o antropólogo Hermano Vianna presenteou o DJ Marlboro com uma pequena bateria eletrônica Boss DR-110, tirada do estúdio do seu irmão Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso.

“O Hermano Vianna me procura na rádio, ele ouvia meu programa e estava fazendo a tese de mestrado, ele queria que eu o levasse aos bailes. Um belo dia me dá a bateria eletrônica.Cara, acendeu a primeira eureca”, diz Malboro. O disco, que tinha letras exclusivas em português, sofreu resistência das gravadoras e do próprio movimentofunk, até entãomais voltado para a música internacional. Maso disco foi um sucesso, com milhares de cópias vendidas.

Desde a década de 80, Malboro prevê que ofunkvai se espalhar. “O futuro dofunk, eu já previa. Sabia que ia cada vez mais se popularizar e se transformar em música pop dançante com batida defunk. Continuar sendo voz dos excluídos”, diz. O movimento se espalha, então, do Rio de Janeiro para São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santos, Pernambuco e outras capitais.

“Quanto mais artistas tinha na favela, menos violenta ela era. Vão surgindooutras pessoas como exemplo de vida de ascensão, de cidadania, de vida melhor”, acrescentaMalboro.

Economia e impacto social

Com milhões de ouvintes e de visualizações em clipes, ofunkmovimenta a economia. São vários os projetos, as gravadoras e as produtoras voltadas para o gênero musical. Entre os projetos citados nas reportagens da TV Brasil estão o Rede Funk Social, em São Gonçalo (RJ), o Projeto Estudeofunk, no Rio de Janeiro, Enxame de MC, em Recife, Pernambuco e KondZilla, que é o maior canal de música da América Latina.

“A KondZilla nasce nesse lugar de repensar como ofunké visto e é reproduzido. É posicionar nossos artistas, nosso movimento, as pessoas que constroem esse movimento dofunknum lugar de artistas que têm que ser legitimados e reconhecidos pela arte que fazem”, diz agerente de artistas e repertório da KondZilla, Rachel Daniel.

Ofunkmudou vidas, como a da bailarina e educadora Lilian Martins, criada em Pedreira, zona sul da cidade de São Paulo. “Eu sempre fui para o bailefunk, desde pequenininha, sempre assisti. Depois, com meus 15, 16 anos comecei a frequentar os bailes. Mas, eu ia de bicicletinha, ficava escondida atrás do carro e sempre via o baile como um grande espetáculo”, conta.

Ela faz parte daClarín Cia de Dança, que levou o passinho ao palco do Theatro Municipal de São Paulo, com adaptação do espetáculoOu 9 ou 80. O 9 faz referência ao Massacre de Paraisópolis , na zona sul da cidade de São Paulo, quando nove jovens foram mortos em ação policial no bailefunkDZ7 em Paraisópolis.Já o 80faz referência ao assassinato do músico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, em decorrência de uma operação do Exército, em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. O carro de Evaldo foi atingido por mais de 80 tiros de fuzil, disparados pelos militares .

“As pessoas da comunidade não acreditam na própria potência. A gente cresceu ouvindo que ofunktinha criminalidade, inúmeras coisas que acontecem, mas nunca como expressão cultural. Eu sou a prova viva de que ofunkmudou minha vida”, diz Martins.

A série é dividida em cinco episódios. O primeiro aborda o surgimento do ritmo; o segundo, ofunkcomo expressão de identidade; o terceiro, as polêmicas e preconceitos; o quarto, a cadeia produtiva e a economia; e, o último, o futuro dofunke o impacto social.

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