
Pessoas desconhecidas, sites impróprios, crimes cibernéticos e chances de exposição exagerada. A internet é um território cheio de perigos para crianças e adolescentes, o que tem deixado muitos pais preocupados.
Um deles é o especialista de tecnologia da informação Leonardo Shikida. Ele confessa que é "bem assustador" pensar em todos os riscos que sua filha, Teresa Shikida, de 10 anos, pode correr navegando na internet.
É justamente por isso que ele toma todos os cuidados necessários. O controle à navegação de Teresa começou manualmente, quando Leonardo pegava o celular da filha para ver por onde ela tinha navegado.
Depois de perceber que a menina não estava cumprindo com os horários de uso do celular, foi hora de dar um passo a mais: o pai instalou um aplicativo de controle parental no celular da filha.
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Aplicativos de controle parental permitem, como o próprio nome já diz, que os pais controlem os dispositivos eletrônicos de seus filhos. Existem diversos aplicativos que oferecem esse serviço mas, no geral, eles deixam que os pais definam um horário para bloquear as ações no celular da criança e escolham sites e aplicativos que são proibidos de serem acessados pelos pequenos, além de mandarem informações sobre a segurança dos filhos para os pais. É como se o celular dos pais se tornasse um controle remoto que define tudo aquilo que a criança pode, ou não, acessar.
Roberto Rebouças, diretor geral filial brasileira da Kaspersky , empresa internacional de cibersegurança , explica que, no fundo, o que esses programas de controle parental fazem é cumprir "o papel de manter as regras estabelecidas entre os pais e a criança na ausência dos adultos".
O diretor ressalta, ainda, que os adultos são tão responsáveis pela cibersegurança das crianças quanto tão pela sua segurança física e, por isso, é preciso sempre estar de olhos abertos. "É importante que a criança seja ensinada a usar a internet e que sua navegação seja sempre acompanhada por um adulto responsável", afirma.
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E as ferramentas de controle parental funcionam como um olho dos pais nos momentos em que eles não podem estar junto dos filhos.
"Com a ajuda da tecnologia , é possível saber se a criança está se interessando por assuntos sensíveis, como droga, álcool ou sexo e usar esses sinais para iniciar uma conversa pessoal para orientá-los sobre estes temas. Também é possível saber a geolocalização da criança ou limitar o tempo de uso do dispositivo, além de protegê-los contra as ciberameaças comuns como phishing ", resume Roberto.
Para Roberto, o principal ponto para o uso dos aplicativos de controle parental é o consentimento da criança.
Para a psicóloga de crianças e adolescentes Lidiane Passarinho, é essencial que os pais estabeleçam um diálogo , lembrando sempre que não estão de olho porque não confiam nos filhos, mas sim porque têm mais conhecimento e precisam acompanhar, e não vigiar.
"É preciso ir negociando, encontrar o equilíbrio. Porque não adianta dizer que a criança não vai ter acesso [à internet], mas também não pode acontecer um acesso indiscriminado e ilimitado", aconselha a psicóloga.
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E é assim que funciona na casa de Leonardo. Ele conta que, na hora de escolher qual aplicativo de controle parental ele utilizaria no celular da filha, uma das questões que levou em conta era que a ferramenta não ficasse "escondida" para a criança. Teresa sabe que o pai tem controle do seu celular e conhece os motivos pelos quais isso acontece.
"Eu sei que isso é para a minha segurança e para o meu bem, porque eles [os pais] são responsáveis por mim na internet, e na internet tem muita pessoa perigosa que pode tentar me machucar", afirma a menina. "Eu não disse que eu gosto, mas eu entendo. Talvez, quando eu for um pouco mais adolescente, eu comece a reclamar. Mas por enquanto por mim está tudo bem", completa.
Se antes os pais temiam ter com os filhos a conversa sobre sexo, hoje o bicho de sete cabeças é falar com os pequenos sobre segurança digital . Pelo menos é assim que Leonardo se sente.
"Eu realmente não sei qual é a melhor forma [de falar com a filha]. Eu tento acompanhá-la no processo dela de utilização da internet , mas eu não consegui sentar com ela e ter esse papo, porque eu não consegui pensar em todos os lados, acho que é uma coisa que nós vamos construir juntos", afirma.
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O pai levanta, ainda, a questão de que esse é um assunto muito novo e com o qual, muitas vezes, nem os próprios adultos sabem lidar. "Com a internet, a gente tem poder demais na mão, e as crianças também. Mas a gente ainda não sabe usar para a gente, muito menos sabe conscientizar as crianças", diz Leonardo.
Lidiane afirma que, mais do que se preocupar com uma conversa formal com os filhos, é importante dialogar sempre e, sobretudo, dar o exemplo . A psicóloga aconselha, por exemplo, que os pais convidem os pequenos a fazerem atividades prazerosas que façam com eles deixem de lado as tecnologias por um tempo.
Além disso, ela aponta que as crianças aprendem muito por observação. Então, de nada adianta proibir os filhos de utilizarem o celular em certos horários, por exemplo, se os pais não tiram os olhos da telinha. Uma pesquisa da Kaspersky mostrou, por exemplo, que 70% dos pais admitem que passam tempo demais em seus celulares.
E, embora a responsabilidade dos adultos com a segurança digital das crianças seja grande, o estudo trouxe, ainda, outros dados preocupantes. 52% dos pais entrevistados disseram confiar nos filhos para determinarem seus próprios horários de uso de eletrônicos, enquanto 40% deles afirmaram que não acham necessário supervisionar as atividades online das crianças.
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Para quem decide instalar um aplicativo de controle parental no celular dos filhos, as opções são bastante variadas. Na hora de escolher, é preciso ver quais características você mais preza, além de conferir o preço, já que a maior parte desses aplicativos é paga.
Alguns deles, porém, oferecem teste gratuito, então vale a pena instalar e checar as funcionalidades antes de bater o martelo na escolha. Confira algumas opções e seus diferenciais: