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As possibilidades da ciência de dados aplicada à medicina
A implementação de ferramentas para armazenar e analisar informações pode contribuir para avanços em diagnósticos e tratamentos de pacientes
05/07/2022 19h50
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A coleta e a análise de grandes volumes de dados já é uma realidade em várias áreas que fazem parte do cotidiano da população. Considerando as possibilidades quase infinitas de interpretação e uso desses dados, o setor de saúde se torna um campo fértil para demonstrar a importância que a aplicação da ciência de dados pode representar na melhoria geral dos serviços prestados aos pacientes e a sociedade em geral.

Termos como big data, machine learning e data analytics já não são tão incomuns em estudos e pesquisas, e as aplicações dessas tecnologias perpassam quase que a totalidade dos processos médicos e hospitalares. Com a utilização dessas ferramentas, os médicos podem chegar a uma consulta com um diagnóstico preliminar bastante apurado, tendo como base uma análise do histórico completo de um paciente.

Para que isso seja possível, existe a necessidade da constituição de um banco de dados onde todo esse tipo de informação possa ser inserida, armazenada e analisada através do uso de IA (Inteligência Artificial, em tradução livre). De acordo com Leonardo Pedroso Costa, especialista em Ciência de Dados, a partir do momento em que o médico tiver acesso a esse prontuário eletrônico do paciente, poderá consultar um grande número de dados de saúde relacionados. 

Internações anteriores, medicações administradas, tratamentos pelos quais já passou e a probabilidade de desenvolver determinada comorbidade, de acordo com a faixa etária em que se encontra, são apenas alguns exemplos das possibilidades proporcionadas pela utilização de sistemas de data analytics. 

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"Além disso, médicos também poderiam considerar possíveis problemas hereditários do paciente com base em cruzamento de dados dos familiares", exemplifica o especialista.

A utilização de tecnologias relacionadas à data science não se resume apenas ao escopo de tratamento individual de pacientes. A análise desses dados pode ser de grande utilidade para a compreensão da evolução de doenças e indicar o caminho para o desenvolvimento de novas formas de diagnóstico e tratamentos. O reconhecimento de padrões também pode contribuir para aprimorar o resultado de análises de exames laboratoriais e de imagens.

Essas ferramentas são capazes de compilar e comparar dados de forma extremamente ágil. O estudo desses dados pode ser útil para encontrar soluções mais eficientes, e de forma mais rápida, para diversos problemas. Os benefícios poderiam ser utilizados para auxiliar a tomada de decisões contra o avanço de epidemias e o surgimento de novas formas de contágio, por exemplo.

Ainda nas palavras do especialista em ciência de dados, no caso da Covid-19, as ferramentas podem ajudar a descobrir novos medicamentos de forma muito mais eficaz do que os testes tradicionais. Utilizando dados pré existentes, milhares de avaliações podem ser realizadas em questão de segundos, o que elimina muitas variáveis irrelevantes. Isso otimizaria todo o processo de pesquisa e aceleraria o avanço nas fases de teste.

Outra possibilidade seria a análise de dados coletados a partir de gadgets de uso pessoal, como smartphones e dispositivos vestíveis - ação essa que foi realizada por alguns países durante a pandemia. A localização de pessoas infectadas, e o caminho por elas percorrido, são utilizados para rastrear outros possíveis casos e traçar um mapa com áreas e regiões de atenção para políticas de prevenção e isolamento.

"Através de smartwatches, o sistema capta e analisa dados como mudanças de frequência cardíaca e oximetria e, em casos mais avançados, até a tosse do paciente", diz Costa.

Sendo utilizada em conjunto com inteligência artificial, a ciência de dados seria capaz até de confirmar diagnósticos antes mesmo que o paciente fosse efetivamente atendido por um médico. "Isso evitaria filas em hospitais, já que não seria necessário um médico para avaliar se o paciente está ou não com covid", aponta Leonardo Pedroso Costa. 

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