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Estudo apoiado pelo Governo do Amazonas investiga uso de amido de mandioca aliado a fungos amazônicos no tratamento de câncer

Redação
Por: Redação Fonte: Secom Amazonas
26/06/2022 às 17h40
Estudo apoiado pelo Governo do Amazonas investiga uso de amido de mandioca aliado a fungos amazônicos no tratamento de câncer
Foto: Reprodução/Secom Amazonas

Pesquisa pretende criar curativos que serão aplicados na pele e terão atividades anticâncer e cicatrizante

Um estudo investiga o uso de amido extraído da mandioca aliado a fungos amazônicos no tratamento do câncer de pele. Com apoio do Governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), a pesquisa pretende criar curativos para liberação controlada de medicamentos que serão aplicados na pele e terão atividades anticâncer e cicatrizante. O projeto deve ser concluído no segundo semestre de 2023.  

O projeto de pesquisa é realizado de forma colaborativa entre a Fapeam e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), via Chamada Pública nº 01/2020 – Programa Fapesp-Fapeam – sob a coordenação da doutora em Química, Patrícia Melchionna, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da doutora em Engenharia Química, Mariana Agostini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  

Segundo a pesquisadora Patrícia Melchionna, no projeto, é proposto o desenvolvimento de membranas de amido extraído da mandioca, que possam atuar como dispositivos de liberação controlada de fármacos com efeito cicatrizante e anticancerígeno, sendo estes produzidos por fungos isolados das seguintes espécies vegetais da região amazônica: Myrcia guianensis (Myrtaceae) e de Piper hispidum (Piperaceae), conhecidas popularmente com “pedra-ume-caá” e “aperta-ruão”, respectivamente.  

“Os dispositivos que serão desenvolvidos neste projeto possuem potencial de substituição de filmes e patches transdérmicos, que utilizam materiais sintéticos em sua composição, utilizando materiais oriundos da biodiversidade amazônica (extratos fúngicos, com atividade citotóxica e amido de mandioca), os quais poderão auxiliar no tratamento do câncer de pele”, complementa a pesquisadora.  

Ainda, conforme a coordenadora do estudo, os curativos transdérmicos podem auxiliar no tratamento de lesões ocasionadas pelo câncer de pele, uma vez que a liberação controlada de fármacos utilizando esse tipo de dispositivo garante que o princípio ativo passará para a pele de forma lenta e contínua.

“Os extratos fúngicos amazônicos já foram preparados, o amido da mandioca já foi extraído e o filme de amido preparado. A incorporação dos extratos fúngicos nos filmes já foi realizada. Neste momento, está sendo iniciada a concentração dos compostos bioativos no sistema de extração com líquidos pressurizados (PLE – pressurized liquid extraction), bem como a caracterização dos filmes de amido produzidos. A conclusão está prevista para agosto de 2023”, reforça Patrícia Melchionna.  

Apoio e colaboração 

Para a pesquisadora, a parceria Fapeam e Fapesp foi muito importante para a aproximação dos pesquisadores da UEA e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) com os cientistas da Unifesp. O projeto representa a integração das áreas do conhecimento de biologia, biotecnologia, química e engenharia. A integração multidisciplinar entre os pesquisadores dos dois estados possibilita a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico de ambas as regiões.  

“O apoio da Fapeam é fundamental para o desenvolvimento do estudo, pois possibilitou a aquisição de equipamentos para o Laboratório da UEA, bem como de material de consumo para que a pesquisa seja realizada. Além disso, a Fapeam concedeu bolsa de apoio técnico, que nos auxilia com a produção dos extratos fúngicos na UEA e com a realização dos ensaios de atividade biológica na Ufam”, finaliza Patrícia.  

Integram o grupo de pesquisa os docentes do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Univesp: Priscilla Carvalho Veggi e Juliane Viganó; da Ufam, Pedro Henrique Campelo Felix e Marne Carvalho de Vasconcellos; e a bolsista de apoio técnico, Anne Terezinha Fernandes de Souza, graduanda em ciências biológicas da UEA.  

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