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Telegram bloqueia mais de 60 canais na Alemanha
Após pressão de autoridades alemãs, plataforma encerrou canais de teóricos da conspiração e negacionistas da pandemia, entre outros, informou reportagem do periódico alemão Süddeutsche Zeitung.
13/02/2022 10h04
Por: Redação Fonte: https://www.dw.com/pt-br/telegram-bloqueia-mais-de-60-canais-na-alemanha/a-60758823

O aplicativo de mensagens Telegram bloqueou dezenas de canais na Alemanha, incluindo uma conta pertencente a um proeminente teórico da conspiração, informou nesta sexta-feira (11/02) o periódico alemão Süddeutsche Zeitung.

A medida ocorre em meio ao aumento da pressão do governo e das autoridades alemãs, que expressaram preocupação com grupos que usam o aplicativo para espalhar desinformação sobre a pandemia de covid-19 e organizar protestos que se tornaram violentos.

O Telegram fechou um total de 64 contas, informou o jornal. Segundo a publicação, é "a primeira vez" que o aplicativo toma medidas contra a disseminação de "ódio e incitação" em sua plataforma na Alemanha.

O fechamento das contas ocorreu após pressão do Ministério do Interior e do Departamento Federal de Investigações (BKA, na sigla em alemão), que apontaram aos responsáveis pelo aplicativo problemas em diversos canais.

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Um dos canais fechados pertencia ao teórico da conspiração Attila Hildmann, que espalhou mensagens antissemitas e desinformação sobre a pandemia de coronavírus para seus seguidores na plataforma, informou o jornal. Não ficou imediatamente claro quais outros canais foram afetados.

Hildmann, que ganhou fama como chefe de cozinha vegano, já era notório por convocar seus seguidores ao uso da violência contra o Estado alemão, além de fazer numerosas declarações antissemitas. Depois que um mandado de prisão foi emitido contra ele, o ativista de direita de 40 anos fugiu da Alemanha para a Turquia em 2021.

A ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faeser, disse que continuará seu esforço para que o Telegram coopere com as leis alemãs.

Ao Süddeutsche Zeitung, ela afirmou que há crescentes ondas de "ódio" na plataforma, bem como "ameaças contra o povo e a democracia".

"O Telegram não deve mais ser um acelerador para extremistas de direita, teóricos da conspiração e outros agitadores. Ameaças de morte e outras mensagens perigosas de ódio devem ser apagadas e ter consequências legais", disse ela. "A pressão está funcionando", acrescentou Faeser.

De acordo com o jornal, o governo alemão estava frustrado com o Telegram, após várias tentativas fracassadas de remover discursos de ódio e contas que emitiam ameaças da plataforma.

Faeser chegou a ameaçar fechar o Telegram na Alemanha e disse que a empresa poderia enfrentar multas maciças de até 55 milhões de euros.

De acordo com a lei alemã, os gigantes da mídia social devem remover conteúdo ilegal – como discurso de ódio e ameaças de morte – ou enfrentar grandes multas. Plataformas como o Telegram, no entanto, têm sido mais difíceis de monitorar do que sites mais populares como Twitter e Facebook.

Crescentes preocupações com o extremismo

O Telegram, com sede em Dubai, é um aplicativo popular que fornece mensagens criptografadas e até agora evitou amplamente a supervisão regulatória.

Grupos de extrema direita e extremistas têm se voltado cada vez mais para plataformas alternativas como o Telegram depois de serem expulsos das principais plataformas de mídia social.

Durante a pandemia de coronavírus, o Telegram se tornou uma plataforma popular para teóricos da conspiração, oponentes de vacinas e membros do movimento Querdenken.

O Telegram tem sido usado para organizar protestos contra as restrições impostas para conter o coronavírus que, às vezes, terminam em violência. Mensagens ameaçando políticos alemães e outras figuras públicas também foram compartilhadas na plataforma.