
raduzido por Julio Batista
Original de Peter Dockrill para o ScienceAlert
Recentemente, pesquisadores descobriram evidências de que ela não estava sozinha. Em um estudo de 2019 que analisou a complexa bagunça da pré-história da humanidade, os cientistas usaram inteligência artificial (IA) para identificar uma espécie ancestral humana desconhecida que os humanos modernos encontraram – e se relacionaram – na longa jornada para fora da África há milênios. “Há cerca de 80 mil anos ocorreu o chamado ‘Fora da África’, quando parte da população humana, que já era formada por humanos modernos, abandonou o continente africano e migrou para outros continentes, dando origem a todas as populações atuais”, explicou o biólogo evolutivo Jaume Bertranpetit da Universidade Pompeu Fabra na Espanha.
Conforme os humanos modernos forjaram esse caminho para a massa continental da Eurásia, eles forjaram algumas outras coisas também – cruzando com hominídeos antigos e extintos de outras espécies. Até recentemente, pensava-se que esses parceiros sexuais ocasionais incluíam neandertais e denisovanos, sendo que o último era desconhecido até 2010.
Mas neste estudo, um terceiro ex-parceiro de muito tempo atrás foi isolado no DNA eurasiano, graças a algoritmos de aprendizagem profunda que vasculham uma massa complexa de código genético humano antigo e moderno.
Usando uma técnica estatística chamada inferência bayesiana, os pesquisadores encontraram evidências do que eles chamam de “terceira introgressão” – uma população arcaica ‘fantasma’ com a qual os humanos modernos cruzaram durante o êxodo africano.
“Esta população está relacionada ao ramo Neandertal-Denisovano ou divergiu cedo da linhagem Denisovana”, escreveram os pesquisadores em seu paper, o que significa que é possível que esta terceira população na história sexual da humanidade seja possivelmente uma mistura de Neandertais e Denisovanos. Em certo sentido, do ponto de vista da aprendizagem profunda, é uma corroboração hipotética com uma espécie de ‘fóssil híbrido’ de uma adolescente identificada em 2018; embora ainda haja mais trabalho a ser feito, e os próprios projetos de pesquisa não estejam diretamente ligados.
“Nossa teoria coincide com o espécime híbrido descoberto recentemente em Denisova, embora ainda não possamos descartar outras possibilidades”, disse um membro da equipe, o genomicista Mayukh Mondal, da Universidade de Tartu, na Estônia, em nota à imprensa no momento da descoberta.
Dito isso, as descobertas feitas nesta área da ciência estão vindo em grande escala e rápido.
Também em 2018, outra equipe de pesquisadores identificou evidências do que eles chamaram de “terceiro evento de cruzamento definitivo” ao lado de denisovanos e neandertais, e um par de papers publicados no início de 2019 traçou a linha do tempo de como essas espécies extintas se encontraram e cruzaram em detalhes mais claros do que nunca antes.
Ainda há muito mais pesquisas a serem feitas aqui. Aplicar esse tipo de análise de IA é uma técnica decididamente nova no campo da ancestralidade humana, e as evidências fósseis conhecidas com as quais estamos lidando são incrivelmente escassas.
Mas, de acordo com a pesquisa, o que a equipe encontrou explica não apenas um processo de introgressão há muito tempo esquecido – é uma relação que, à sua maneira, informa parte de quem somos hoje.
“Pensamos em tentar encontrar esses locais de alta divergência no genoma, ver quais são neandertais e quais são denisovanos, e então ver se eles explicam todo o quadro”, disse Bertranpetit ao Smithsonian.
“Acontece que, se você subtrair as partes Neandertal e Denisovana, ainda há algo no genoma que é altamente divergente.”
Os resultados foram publicados na Nature Communications.