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Crônica para uma sociedade hipócrita

Temos presenciado nos últimos tempos, no que diz respeito a segurança púbica, a hipocrisia preencher todos os espaços sociais.

14/09/2021 às 17h43
Por: Redação
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Crônica para uma sociedade hipócrita

De um lado temos uma sociedade que é incapaz de dar bom dia a um policial e ao mesmo tempo cobra que este mesmo policial seja educado e cortês; uma sociedade que se diz contra a corrupção policial, mas oferece dinheiro ao guarda para o seu carro não ser rebocado; uma sociedade que não se comove com a morte de centenas de policiais a cada ano, uma sociedade que reclama e grita por falta de segurança, mas não pensa em parar de usar drogas que incontestavelmente financiam o tráfico e a violência. 

 

De outro lado temos um movimento social ultrapassado ainda usando as surradas camisas com a foto do Che Guevara, que gritam cada vez que as forças de segurança entram em uma comunidade, mas se calam perante às atrocidades praticadas pelos traficantes; se calam quando os traficantes obrigam os moradores a guardar armas e drogas; se calam quando os moradores são expulsos de suas casas; se calam quando moradores são covardemente assassinados por não concordarem com o tráfico, e se calam quando as filhas dos homens de bem das comunidades são levadas a força para servir sexualmente aos poderosos chefes do morro. 

 

Infelizmente temos algumas organizações de direitos humanos que só consideram humanos os “manos”, aqueles que empunham armas e comentem crimes, esses sim as verdadeiras vítimas da sociedade segundo eles, não os trabalhadores, não os estudantes, não os bravos policiais mortos em serviço, mas eles somente eles “os manos”.

 

Temos uma classe política (se é que podemos chamar essa categoria de classe) que usurpa os nossos recursos em proveito próprio, que usam o seu mandato para encobrir falcatruas e dar sustentação ao crime organizado, repetindo sempre o mesmo falido discurso de opressão e discriminação, jogando uns contra os outros, negros contra brancos, ricos contra pobres, homossexuais contra heterossexuais, na velha tática maquiavélica de dividir para reinar. 

 

A todas essas grotescas figuras que nada fazem além de encenação eu pergunto: quando não houver mais polícia e quando as suas casas forem invadidas e suas famílias subjugadas a quem vocês irão recorrer? ao dono do morro? ao espírito do Che Guevara? aos “Direitos dos manos”? aos políticos corruptos que se escondem atrás de um mandato ou quem sabe aos super-heróis das histórias em quadrinhos, que certamente após salvá-los serão crucificados, por abuso de poder e uso excessivo da força. 

 

E em meio a tanta hipocrisia, a tanta política e corrupção estamos nós, homens e mulheres de bem, cumpridores de nossos deveres, pagadores de nossos impostos, sem ter a quem recorrer, aguardando simplesmente que a sociedade vença a hipocrisia, valorize as suas instituições e reivindique os seus legítimos direitos. 

 

Prof. José Ricardo Bandeira

É Perito em Criminalística e Psicanálise Forense, Comentarista e Especialista em Segurança Pública, com mais de 1.000 participações para os maiores veículos de comunicação do Brasil e do Exterior. Presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, Presidente do Conselho Nacional de Peritos Judiciais da República Federativa do Brasil, membro ativo da International Police Association e Presidente da Comissão de Segurança Pública da Associação Nacional de Imprensa. 

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