
Durante o evento, um homem que se apresenta como médico familiar dedica 7 minutos contra a “discriminação” no ambiente escolar, questionando a vacinação contra a Covid-19 como questão de segurança sanitária.
O material foi apontado pela organização de checagem de fatos First Draft como um viral de destaque na volta às aulas nos EUA.
Os comentários foram enviados ao YouTube e a plataformas de vídeo alternativas, como BitChute e Rumble.
Uma análise da Media Matters, agência americana de checagem e análise de mídia, descobriu que o vídeo recebeu pelo menos 90 milhões de interações no Facebook nos últimos dias.
O caso é um exemplo da desinformação médica nas redes sociais, que sempre existiu mas aumentou e se tornou mais perigosa após a Covid-19.
Em conversa com o MediaTalks em dezembro, Drauzio Varella, médico oncologista, ex-diretor do serviço de Imunologia do Hospital do Câncer, em São Paulo, entre outras tantas atribuições, ressaltou a necessidade de responsabilizar agentes de saúde que espalharem desinformação sobre doenças.
O dr. Drauzio afirma que os conselhos de medicina do país estão sendo omissos ao não punir médicos que se manifestam publicamente defendendo conceitos cientificamente errados ligados à Covid-19. Ele ainda citou o exemplo da atuação do conselho norte-americano, que suspendeu por vários meses o registro de um médico que insistia em não usar a máscara em locais públicos.
“Devido ao seu conhecimento técnico, os médicos têm muito mais responsabilidade do que qualquer outra pessoa de se manifestar corretamente sobre a pandemia. Não consigo entender as motivações de alguns. E nem a omissão dos órgãos de classe que têm a obrigação de zelar para que isso não aconteça.”
O médico, que se apresenta como dr. Dan Stock, afirma que as máscaras não protegem contra o coronavirus e que não é possível erradicar a Covid-19 por ela ter “reservatório” em animais, o que a manteria eternamente na natureza.
Ele levanta dúvidas sobre eficácia das vacinas, apontando surtos da Covid-19 em pleno verão americano. E ainda afirma ter curado pacientes com vitamina D, zinco e ivermectina.
Além de defender tratamentos comprovadamente sem eficácia, o médico desconsidera que o foco principal da primeira geração de imunizantes contra a Covid-19 é diminuir o número de mortes e cessar a pressão sobre os hospitais, que tiveram as UTIs lotadas nos picos da pandemia.
Durante a reunião do conselho da escola Mount Vernon, no estado de Indiana, Stock, que dirige um serviço de “medicina funcional”, mas afirma ser “especialmente treinado em imunologia e regulação de inflamação”, pediu que a administração escolar rejeitasse o conselho “contrafactual” do governo americano sobre o uso de máscaras, vacinação e tratamentos.
Stock também afirmou que tratou com sucesso uma dúzia de pacientes Covid-19 em seu consultório, inclusive por meio do uso de ivermectina, um tratamento não comprovado que é popular entre indivíduos e grupos antivacinas.
O próprio laboratório que fabrica a ivermectina, a norte-americana MSD (Merck Sharp and Dohme), afirmou em fevereiro que o remédio não tem eficácia contra o coronavirus.
O discurso na escola remete à teoria da Amplificação Dependente de Anticorpos, uma narrativa que defende que os micro-organismos induzidos pela vacina contra a Covid-19 aumentam a doença e causam a morte.