Saúde

Mundo lembra psiquiatra que descreveu a Síndrome de Asperger

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O Dia Internacional da Síndrome de Asperger é lembrado hoje em todo o mundo. A data marca o nascimento do psiquiatra e pediatra austríaco Hans Asperger, primeiro médico que descreveu esse transtorno, em 1944.

Em entrevista à Agência Brasil, a neuropediatra Deborah Kerches, diretora do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantojuvenil de Piracicaba (SP), lembrou que Asperger observou crianças que apresentavam falta de empatia, dificuldade de fazer amizades, conversação unilateral, hiperfoco, ou foco intenso, movimentos descoordenados e habilidade em decorrer sobre um tema em detalhes. O quadro ocorria, preferencialmente, em meninos. Hans Asperger viveu de 1906 a 1980. Seu livro A psicopatia autista na infância foi traduzido do original em alemão para o inglês em 1980, por Lorna Wing.

A Síndrome de Asperger foi incorporada ao Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais 4 (DSM, do nome em inglês) em 1995, sendo descrita como um subtipo dos transtornos globais do desenvolvimento. Com a atualização do DSM 5, as pessoas com Síndrome de Asperger foram enquadradas no termo Transtorno do Espectro Autista nível 1, que é um quadro mais leve e funcional do espectro do autismo.

Membro da Academia Brasileira de Neurologia e especialista em Transtorno do Espectro Autista e Saúde Mental Infantojuvenil, a doutora Deborah Kerches deixou claro que a Síndrome de Asperger é um “espectro do autismo mais funcional, sem atraso intelectual ou atrasos importantes na aquisição da fala, porém com dificuldades na socialização, interesses restritos e estereotipados, com hiperfoco em determinado assunto”.

Identificação

Deborah Kerches explicou que muitos pais podem ter dificuldade para identificar que a criança tem a Síndrome de Asperger, porque os sintomas na infância costumam passar despercebidos. “Não é notado atraso intelectual e importantes atrasos na aquisição da fala”. A neuropediatra admitiu que algumas crianças podem, inclusive, desenvolver a fala de maneira precoce e ter um vocabulário amplo e rebuscado, além de ter outras habilidades precoces para a idade. “Devido ao fato de apresentarem recursos cognitivos favoráveis, as dificuldades de socialização acabam sendo mais percebidas quando as demandas sociais aumentam. Então é possível notar reciprocidade social inadequada, dificuldade em iniciar e manter um diálogo, especialmente quando não é de interesse, e rigidez comportamental”.

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Por outro lado, ela afirmou que crianças e adolescentes com Asperger costumam se interessar por áreas específicas, mostrando conhecimento detalhado sobre elas. Acrescentou que, na escola, não costumam apresentar dificuldades pedagógicas e, muitas vezes, podem se destacar em algumas matérias, em detrimento de outras que não lhes interessam.

Dificuldades

Segundo a médica, embora não apresentem atrasos na aquisição da linguagem verbal e até possam fazer uso de uma linguagem rebuscada, crianças e jovens com esse transtorno podem ter dificuldades para iniciar e manter uma conversa. Mostram também dificuldade para entender piadas, metáforas, mímicas faciais e linguagem corporal, por exemplo.

“Embora os sintomas desse espectro autista sejam considerados mais leves por muitos, há dificuldades em fazer amigos, em entender sutilezas e regras sociais, dificuldade em abstrair, em se adaptar a novas rotinas e de se sentir pertencendo a um grupo social. Alterações sensoriais relacionadas a uma ou mais portas sensoriais como visão, audição, olfato, tato, paladar, propriocepção (capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo) e sistema vestibular podem contribuir para a dificuldade de socialização. Pessoas com Asperger são sinceras demais e até mesmo ingênuas”, revelou Deborah.

A doutora explicou que a maioria das pessoas com Síndrome de Asperger consegue, na vida adulta, entrar no mercado de trabalho e constituir família. Para que isso ocorra, entretanto, é necessário que esse transtorno seja identificado precocemente por especialista, para que suas habilidades sociais possam ser trabalhadas.

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Destacou, por outro lado, que as dificuldades e prejuízos da Síndrome de Asperger ou TEA leve, especialmente na adolescência e na vida adulta, podem resultar em outras condições associadas, entre as quais mencionou depressão, ansiedade, síndrome do pânico, “porque o esforço para se sentir pertencendo a um grupo social e conseguir lidar com as demandas de cada contexto social é tamanho que pode trazer grandes sofrimentos psíquicos”.

Recomendação

Para os pais que perceberem algo diferente no filho ou filha, seja alguma reação esquisita ou mesmo falta de reação diante de um estímulo, Deborah recomendou que ajam imediatamente, no sentido de buscar apoio de um especialista para um diagnóstico correto. “Quaisquer que sejam os prejuízos observados na comunicação e interação social ou no comportamento que se apresenta mais rígido, inflexível e estereotipado, isso merece investigação o mais precoce possível para que se possa iniciar um tratamento especializado e, assim, minimizar as possíveis dificuldades e desenvolver as potencialidades, possibilitando melhor qualidade de vida”.

Deborah Kerches observou que as pessoas com Síndrome de Asperger apresentam os sintomas mais leves conhecidos dentro do espectro autista. Acrescentou que a síndrome não deve ser chamada de doença, porque quem tem esse transtorno tem um quadro para toda a vida. Não é uma doença, porque não pode ser curada, afirmou.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Saúde
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Saúde

Saiba os cuidados que o folião deve ter no carnaval

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Já é carnaval! São quatro dias de festa, no mínimo. Haja preparo físico e disposição. O folião deve ficar atento à saúde e à segurança na hora de pular carnaval.

Preparo físico

 “Resistência muscular é importante”, diz o educador físico, Marcos Medeiros. Então se você é sedentário, nada de ficar pulando o dia todo atrás do trio elétrico ou nos blocos de rua.

Lesões

O ortopedista Serafim Costa chama a atenção para o tipo de calçado ideal para o carnaval. O tênis diminui o impacto nas articulações de sustentações. “O calçado deve ser confortável, que não aperta os pés. O solado funciona como amortecedor. Então, se você usar um tênis, o melhor é aquele de corrida, que amortece o impacto. Aquele tênis com solado mais fininho não é ideal. Usar sandálias rasteiras não é uma boa ideia porque o impacto é maior. É melhor usar sandálias com solado mais fofo”, explica Costa. Sobre sapatos com salto, “quanto mais alto o salto, maior a possibilidade de você desequilibrar e torcer o pé e o tornozelo”, acrescenta. Outra dica do ortopedista e dosar a brincadeira. Quem extrapolar os limites pode desenvolver dores musculares e processos inflamatórios nos tendões, e comprometer o pós-carnaval. “Quando estiver em casa, para descansar, coloque as pernas inclinas para cima e repouse”, finaliza Costa. 

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Brasília – Bloco de carnaval de rua, Galinho de Brasília – Wilson Dias/Agência Brasil

Hidratação

“É muito importante a parte da hidratação. Beber água, água de coco e isotônico. Isso ajuda muito entre o intervalo das bebidas [alcoólicas], entre uma cerveja e umaa caipirinhas”, aconselha a nutricionista Priscila Correa.

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São Paulo – Bloco de carnaval Mais Saúde na Cidade, na Praça da República – Rovena Rosa/Agência Brasil

Alimentação

Durante o carnaval, o folião tem um maior gasto energético. A nutricionista Karine Bello dá algumas dicas para o folião curtir o carnaval com energia e saúde. Karine diz que alguns foliões esquecem de se alimentar. “É importante o folião estar atento ao café da manhã, almoço, lanche, jantar. Parar para essas refeições para que consigam brincar o carnaval até o final”, lembra a nutricionista. A recomendação é ingerir alimentos leves, produtos integrais, cereais e frutas. Melão, abacaxi e melancia podem ajudar na hidratação. Karine também recomenda evitar os energéticos.

Mas cuidado com o local onde vai comprar o alimento. Consumir produtos e bebidas clandestinos na rua pode provocar intoxicação alimentar. Na hora de comprar esses produtos, o ideal é conferir as condições de higienização, embalagem, refrigeração do produto e verificar se há nos rótulos o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), dos municípios (SIM) ou estados (SIE). É importante também prestar atenção se existe um funcionário exclusivo para manusear dinheiro, para não haver a contaminação cruzada. Além de intoxicações alimentares, ingerir alimentos de origem animal não fiscalizados pode ser a porta de entrada para doenças transmitidas dos animais aos homens, as chamadas zoonoses, como tuberculose e brucelose, além de outras enfermidades.

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Rio de Janeiro – Blocos carnavalescos – Fernando Frazão/Agência Brasil

Bebida alcoólica no carnaval

Os jovens com menos de 18 anos não devem consumir qualquer quantidade de bebidas alcoólicas. No Brasil, a venda desse tipo de bebida é proibida para essa faixa etária.

O cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior alerta para o coquetel da morte. “Se a combinar estimulante sexual, energético e bebidas destiladas, ela passa a ingerir um coquetel de morte. Aumenta muito o risco de infarto e morte súbita”, afirma o médico.

“Nesta época do ano, as pessoas se alimentam mal, ficam longos períodos de exposição ao sol e não se hidratam e se excedem na ingestão de bebidas alcoólicas. Muitas vezes com isso elas acabam sobrecarregando o sistema cardiovascular, elas acabam se expondo a um risco mais elevado de ter algum evento cardiovascular agudo e pode levar a vida dela a risco e levar à morte por arritmia cardíaca ou infarto do miocárdio”, afirma.

O médico explica que os energéticos têm uma quantidade muito grande de cafeína, que é uma substancia estimulante, que a curto prazo aumenta as pressões cardíaca e pressão arterial, e essa combinação aumenta o risco de infarto. “Então essa combinação é extremamente perigosa”, alerta José Lima. 

Camisinha

O uso do preservativo é recomendado para evitar a gravidez e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, HPV, sífilis, gonorreia e hepatites B e C.

Edição: Liliane Farias

Fonte: EBC Saúde

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