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Justiça dos Estados Unidos julga cartolas dois anos após prisões

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Justiça dos Estados Unidos julga cartolas dois anos após prisões

 

Foto: José Maria Marin será um dos cartolas julgados nos Estados Unidos

 

Dois anos e meio depois das prisões que sacudiram o mundo do esporte, cartolas do futebol vão finalmente ser julgados por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em um documento apresentado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Corte do Distrito do Brooklyn, em Nova York, estabeleceu o calendário dos processos e confirmou que José Maria Marin, ex-presidente da CBF, comparecerá no dia 6 de novembro diante do tribunal para o início de seu julgamento.

No mesmo dia, o ex-presidente da Conmebol Juan Ángel Napout também estará no banco dos réus. Ambos cumprem prisão domiciliar nos Estados Unidos desde o final de 2015 e são acusados de ter solicitado propinas a empresas em contratos de transmissão para a Copa Libertadores, Copa do Brasil e Copa América. Fontes envolvidas no processo, no entanto, admitem que as datas ainda podem sofrer alterações, principalmente se novas provas surgirem ou se os suspeitos optarem por negociar um acordo de cooperação nos próximos dias.

No total, 42 entidades e dirigentes foram indiciados pelos americanos, em um escândalo que o FBI acredita ter movimentado mais de US$ 200 milhões (R$ 632,6 milhões pela cotação atual) em propinas em diversos países nas últimas duas décadas. Dos 15 acusados que ainda esperam julgamento nos EUA, apenas três deles ainda declaram inocência. Um deles é José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Diante do impacto do processo, a corte poderá tomar a decisão de manter os integrantes do júri blindados do assédio da imprensa e de uma eventual exposição a pressões dos acusados. Um esquema está sendo montado para que o júri seja transportado a um hotel por policiais, sem que seus nomes ou endereços sejam revelados.

Diante de Marin estará a juíza Pamela Chen, considerada uma “estrela” entre as autoridades federais. Descendente de chineses, ela foi escolhida e amplamente elogiada pelo ex-presidente Barack Obama para assumir o cargo em Nova York.

Não será a primeira vez que ela estará no centro das atenções da imprensa internacional. Desde que assumiu o cargo, em 2013, ela já tratou de casos polêmicos, como a tentativa da polícia de Nova York de espionar muçulmanos e a evasão fiscal do ex-deputado americano Michael Grimm.

Além de Marin, outros dois cartolas brasileiros foram indiciados: Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, e o atual chefe da entidade, Marco Polo del Nero. Ambos não saem do Brasil desde 2015 e, assim, conseguiram evitar a prisão. No caso de Del Nero, seu indiciamento sequer o levou a abandonar a presidência da CBF.

Marin já poderá ter uma noção do que pode ocorrer com ele a partir de quarta-feira. Nessa data, o caso de José Hawilla, fundador da Traffic e delator da corrupção no futebol brasileiro, será julgado.

No mesmo dia, o ex-presidente da Federação de Futebol da Guatemala Brayan Jiménez saberá a sentença decretada pelo tribunal. Ele admitiu culpa em um esquema que envolvia a cobrança de propinas em troca de contratos de televisão para jogos da seleção do seu país. Seu braço direito na Guatemala, Hector Trujillo, saberá sua punição uma semana depois, no dia 25. O ex-chefe do futebol de Honduras, Rafael Callejas, será sentenciado pela Justiça dos EUA em 15 de dezembro.

No dia 21 de dezembro, será o ex-executivo brasileiro José Margulies que terá sua sentença anunciada. Ele já se declarou culpado, em um esquema de pagamento de propinas envolvendo a empresa Traffic.

DESDOBRAMENTOS – Alguns dos dirigentes mais influentes da Fifa, porém, terão suas sentenças anunciadas apenas em 2018. Depois de vários adiamentos, a corte promete tomar uma decisão sobre Jeffey Webb, ex-presidente da Concacaf, no dia 24 de janeiro. Ele admitiu culpa e, para pagar sua fiança, chegou a entregar à Justiça anéis de diamante da esposa.

Alfredo Hawit, que substituiu Webb depois de sua prisão no comando da Concacaf, também acabou detido. Sua sentença será conhecida apenas em março de 2018. Os processos também estão sendo acompanhados de perto pela Fifa. A entidade insiste que esses cartolas a fraudaram e, por isso, quer recompensas. Advogados, porém, ainda alertam que os julgamentos e revelações poderão respingar de volta na própria Fifa.

 

Fonte: Gazeta Press

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O mundo está cansado de mentirosos, de padres da moda, de arautos de cruzadas

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O mundo está cansado de mentirosos, de padres da moda, de arautos de cruzadas

 

Aos novos bispos do curso anual de formação, o papa afirma que fazer pastoral da misericórdia não é fazer liquidação de pérolas. “Não poupem esforços para ir ao encontro do povo de Deus, estejam perto das famílias com fragilidade. Nos seminários, apontem para a qualidade, não para a quantidade. Desconfiem dos seminaristas que se refugiam na rigidez.”

“O mundo está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores das causas próprias, os arautos de cruzadas vãs.”

O Papa Francisco dirigiu um longo discurso aos bispos recém-nomeados, em Roma, para um curso de formação, tocando diversas questões do seu ministério, a partir da necessidade de tornar pastoral – “isto é, acessível, tangível, encontrável” – a misericórdia, que é o “resumo daquilo que Deus oferece ao mundo”.

Os bispos, disse Jorge Mario Bergoglio, devem ser capazes de encantar e de atrair os homens e as mulheres do nosso tempo a Deus, sem “lamentações”, sem “deixar nada de não tentado a fim de alcançá-los” ou “recuperá-los”, e graças aos percursos de iniciação (“Hoje, pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente”).

Além disso, é necessário vigiar a formação dos futuros sacerdotes, apontando para a “qualidade do discipulado”, e não para a “quantidade” de seminaristas, e usando “cautela e responsabilidade” ao acolher sacerdotes na diocese. Francisco também convidou os novos bispos a estarem perto do seu clero, àqueles que Deus coloca “por acaso” no seu caminho e às famílias com as suas “fragilidades”.

“Perguntem a Deus, que é rico em misericórdia – disse o papa aos 154 novos bispos (16 dos territórios de missão) que participaram do curso anual de formação promovido conjuntamente pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais – o segredo para tornar pastoral a Sua misericórdia nas suas dioceses. De fato, é preciso que a misericórdia forme e informe as estruturas pastorais das nossas Igrejas. Não se trata de rebaixar as exigências ou vender barato as nossas pérolas. Ou, melhor, a única condição que a pérola preciosa dá àqueles que a encontram é a de não poder reivindicar menos do que tudo. Não tenham medo de propor a Misericórdia como resumo daquilo que Deus oferece ao mundo, porque o coração do homem não pode aspirar a nada maior”, disse Francisco, que, sobre a misericórdia como “limite para o mal”, citou Bento XVI, acrescentando duas perguntas retóricas: “Por acaso, as nossas inseguranças e desconfianças são capazes de suscitar doçura e consolação na solidão e no abandono?”.

Para tornar a misericórdia “acessível, tangível, encontrável”, acima de tudo, o papa recordou que “um Deus distante e indiferente pode ser ignorado, mas não resistimos facilmente a um Deus tão próximo e, além disso, ferido por amor. A bondade, a beleza, a verdade, o amor, o bem – eis o que podemos oferecer a este mundo mendicante, ainda que em vasos meio quebrados. No entanto, não se trata de atrair a si mesmos. O mundo – disse Francisco – está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores de causas próprias, os arautos de cruzadas vãs. Em vez disso, tentem ajudar a Deus, que já Se introduz antes ainda da chegada de vocês”.

Nesse sentido, “Deus não se rende nunca! Somos nós, que, acostumados ao rendimento, muitas vezes nos acomodamos, preferindo nos deixar convencer que realmente puderam eliminá-Lo e inventamos discursos amargos para justificar a preguiça que nos bloqueia no som imóvel das lamentações vãs: as lamentações de um bispo são coisas feias”.

Em segundo lugar, é necessário, segundo o papa, “iniciar” aqueles que são confiados aos pastores: “Eu lhes peço para não terem outra perspectiva para olhar os seus fiéis do que a da sua unicidade, de não deixarem nada de não tentado a fim de alcançá-los, de não poupar qualquer esforço para recuperá-los. Sejam bispos capazes de iniciar as suas Igrejas nesse abismo de amor. Hoje – disse Francisco – pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente. Perdeu-se o sentido da iniciação, e, no entanto, nas coisas realmente essenciais da vida, tem-se acesso apenas mediante a iniciação. Pensem na emergência educativa, na transmissão tanto dos conteúdos quanto dos valores, no analfabetismo afetivo, nos percursos vocacionais, no discernimento nas famílias, na busca da paz: tudo isso requer iniciação e percursos guiados, com perseverança, paciência e constância, que são os sinais que distinguem o bom pastor do mercenário”.

Francisco se debruçou com atenção particular sobre o tema da formação dos futuros padres: “Peço-lhes que cuidem com especial solicitude as estruturas de iniciação das suas Igrejas, em particular os seminários. Não os deixem ser tentados pelos números e pela quantidade das vocações, mas busquem a qualidade do discipulado. Não privem os seminaristas da sua firme e terna paternidade. Façam-nos crescer a ponto de adquirir a liberdade de estar em Deus ‘tranquilos’ e serenos como crianças desmamadas nos braços da sua mãe”; não como presas dos próprios caprichos e escravos das próprias fragilidades, mas livres para abraçar aquilo que Deus lhes pede, mesmo quando isso não parece tão doce quanto o seio materno era no início. E fiquem atentos quando alguns seminaristas se refugiam na rigidez; por baixo, sempre há algo de feio”.

E ainda: “Eu lhes peço também para agirem com grande prudência e responsabilidade ao acolher candidatos ou incardinar sacerdotes nas suas Igrejas locais. Por favor, prudência e responsabilidade nisso. Lembrem-se de que, desde o início, quis-se como inseparável a relação entre uma Igreja local e os seus sacerdotes, e nunca se aceitou um clero vagante ou em trânsito de um lugar para outro. E essa é uma doença dos nossos tempos”.

Por fim, o papa pediu que os bispos sejam “capazes de acompanhar”, citando, a esse respeito, a parábola do bom samaritano: “Sejam bispos com o coração ferido por tal misericórdia e, portanto, incansável na humilde tarefa de acompanhar o homem que, ‘por acaso’, Deus colocou no seu caminho”.

E, ainda, recomendou o papa aos novos bispos, “acompanhem por primeiro, e com paciente solicitude, o seu clero” e “reservem um acompanhamento especial para todas as famílias, regozijando-se com o seu amor generoso e encorajando o imenso bem que elas dispensam neste mundo. Acompanhem sobretudo as mais feridas. Não ‘passem ao largo’ diante da sua fragilidade”.

“Fico alegre por acolhê-los e por poder compartilhar com vocês alguns pensamentos que vêm ao coração do sucessor de Pedro, quando vejo diante de mim aqueles que foram ‘pescados’ pelo coração de Deus para guiar o Seu povo santo”, tinha iniciado o papa.

“Deus os livre de tornar vão tal frêmito, de domesticá-lo e esvaziá-lo da sua potência ‘desestabilizadora’. Deixem-se desestabilizar, é bom para um bispo”, disse Francisco.

“Muitos, hoje, se mascaram e se escondem. Eles gostam de construir personagens e inventar perfis. Tornam-se escravos dos parcos recursos que recolhem e aos quais se agarram como se bastassem para comprar o amor que não tem preço. Não suportam o frêmito de se saberem conhecidos por Alguém que é maior e não despreza o nosso pouco, é mais Santo e não culpa a nossa fraqueza, é realmente bom e não se escandaliza com as nossas chagas. Não seja assim para vocês”, concluiu: “Deixem que tal frêmito percorra vocês. Não removam-nos nem o silenciem”.

 

Fonte: Aleteria.org

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