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Governo de transição começa hoje no Uruguai

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O processo de transição de governo no Uruguai começa hoje (2). Inicialmente, estava marcado para a segunda-feira da semana passada (25). No entanto, como a apuração das eleições do domingo (24) apontava para um empate técnico, com uma diferença de pouco mais de 1% entre os candidatos, a divulgação foi adiada. No último sábado (30), a Corte Eleitoral do país anunciou oficialmente a vitória de Lacalle Pou.

O resultado dessas eleições, vencidas pelo candidato de centro-direita Luis Lacalle Pou, deixaram exposta a divisão do país. Entre os 2,4 milhões de cidadãos uruguaios que compareceram às urnas, 1.189.313 votaram em Lacalle Pou e 1.152.271 optaram por Daniel Martínez, da coalizão de esquerda Frente Ampla, há 15 anos no poder. A diferença entre os dois candidatos foi de pouco mais de 37 mil votos.

Lacalle Pou venceu a eleição em 17 dos 19 estados do país. Ele perdeu apenas em Montevidéu e Canelones, dois estados vizinhos que concentram cerca de 52% da população.

Seu primeiro compromisso nesta semana é o encontro com o atual presidente, Tabaré Vázquez, às 10h. Após a reunião, às 11h, Lacalle é esperado no Diretório do Partido Nacional.

Ministros

O futuro presidente já anunciou que levará alguns dias para definir todos os seus ministros. No entanto, há quatro cargos que já decididos: Azucena Arbeleche, no Ministério da Economia; Pablo da Silveira na Educação; Pablo Bartol no Ministério do Desenvolvimento Social; e Ernesto Talvi, nas Relações Exteriores.

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Ernesto Talvi, o próximo chanceler, também disputou a presidência neste ano, pelo Partido Colorado, e recebeu cerca de 12% dos votos. Após as eleições em primeiro turno, Lacalle Pou se aliou a Talvi e a Guido Manini Rios, candidato pelo partido Cabildo Abierto, conformando o que chamam no Uruguai, de uma aliança multicolorida, devido às cores das bandeiras dos três partidos.

Este, inclusive, será um desafio para o próximo presidente: negociar com os representantes dos partidos aliados e distribuir cargos no próximo governo.

Alguns ministérios ainda não foram anunciados oficialmente, mas a imprensa no Uruguai já adianta nomes como Javier García, que deve assumir a Defesa; Jorge Larrañaga, para o Ministério do Interior; Luis Alberto Heber, no do Transporte; e Pablo Mieres para o Trabalho.

Relações Exteriores

Em uma entrevista concedida ao periódico uruguaio El País, Ernesto Talvi, o futuro chanceler, afirmou que apostará em um Mercosul moderno e flexível, e disse acreditar que o Uruguai, como um país pequeno entre dois gigantes, pode mediar a relação entre Brasil e Argentina.

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“Nós interagimos com os Estados e não com os governos; não por afinidades, mas por interesses”, disse Talvi, que espera que os vizinhos não personalizem os problemas.

Em relação ao Mercosul, Talvi afirmou que buscará conquistar flexibilidade para acordos bilaterais, ou seja, conseguir mudar as regras para que os países possam firmar acordos sem ter que necessariamente ter o aval de todos os países do bloco.

“O Brasil está adotando uma política que vemos com bons olhos. Embora o ritmo seja mais lento se feito como um bloco do que se fizermos individualmente. Espero que possamos fazê-lo”, disse Talvi, se referindo à flexibilização do tratado.

Talvi afirmou ainda que acredita que o Mercosul poderia iniciar negociações com os Estados Unidos e com a China. “Eu diria que, após 20 anos de fechamento, pela primeira vez estamos vendo a possibilidade de o bloco ser como foi originalmente concebido: um regionalismo aberto”.

Edição: Maria Claudia
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OMS reconhece evidências sobre transmissão da covid-19 pelo ar

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu nessa terça-feira (7) “evidências emergentes” de transmissão pelo ar do novo coronavírus, depois que um grupo de cientistas cobrou do organismo a atualização de suas orientações sobre como a doença respiratória se espalha.

“Temos conversado sobre a possibilidade de transmissão pelo ar e transmissão por aerossol como uma das modalidades de transmissão da Ccvid-19”, disse Maria Van Kerkhove, principal autoridade técnica da OMS para a pandemia de Covid-19, em entrevista coletiva. 

A OMS havia dito anteriormente que o vírus que causa a doença respiratória se dissemina principalmente por meio de pequenas gotículas expelidas pelo nariz e pela boca de uma pessoa infectada, que logo caem no chão.

Em carta aberta, enviada à agência sediada em Genebra e publicada na segunda-feira (6) no periódico científico Clinical Infectious Diseases, 239 especialistas de 32 países indicaram indícios que, segundo eles, mostram que partículas flutuantes do vírus podem infectar pessoas que as inalam.

Como essas partículas menores que são exaladas podem permanecer no ar, os cientistas pediram à OMS que atualize suas diretrizes.

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Em entrevista em Genebra, Benedetta Allegranzi, principal autoridade técnica em prevenção e controle de infecções da OMS, disse que há evidências emergentes de transmissão do novo coronavírus pelo ar, mas que elas não são definitivas.

“A possibilidade de transmissão pelo ar em locais públicos – especialmente em condições muito específicas, locais cheios, fechados, mal ventilados que foram descritos – não pode ser descartada. Entretanto, os indícios precisam ser reunidos e interpretados, e continuamos a apoiar isso”, afirmou.

Qualquer alteração na avaliação de risco de transmissão pela OMS pode afetar seus conselhos atuais sobre manter o distanciamento físico de um metro. Governos, que contam com a agência para definir suas políticas de orientação, também podem precisar ajustar as medidas de saúde pública destinadas a conter a propagação do vírus.

Mais informações na Radioagência Nacional:

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