Saúde

Esgoto pode indicar percentual de contaminados pela covid-19

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Procedimento eficiente para a identificação de doenças infecto-contagiosas, o exame de fezes, quando feito em larga escala – via monitoramento de redes de esgoto – pode ser uma forma eficaz de identificar o percentual de indivíduos contaminados pelo novo coronavírus (covid-19) em uma região. Entre as vantagens dessa técnica está a de abranger tanto pessoas que apresentam como que não apresentam os sintomas da doença (assintomáticas).

O monitoramento de esgotos como ferramenta de vigilância epidemiológica não é uma novidade. Em meados dos anos 1850, o inglês John Snow usou dessa ferramenta para entender a ocorrência da cólera e identificar as residências de pessoas que morreram por conta da doença no bairro do Soho, em Londres.

Projeto-piloto

Diante da expectativa de essa ferramenta poder ser aplicada também para acompanhar a situação da atual pandemia no país, o projeto-piloto Monitoramento Covid Esgotos está sendo implementado nos sistemas de esgoto de Belo Horizonte e Contagem, ambos de Minas Gerais. Ao fazer esse tipo de monitoramento, são gerados dados que poderão ajudar os gestores na tomada de decisões inclusive sobre medidas como a de isolamento social.

A iniciativa, que terá duração inicial de dez meses, conta com a participação da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis), entidade vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o coordenador do INCT ETEs Sustentáveis e professor da UFMG, Carlos Chernicharo, a testagem do esgoto possibilita o diagnostico do conjunto de indivíduos de uma comunidade. “Assim sendo, o esgoto passa a ser a amostra de fezes e de urina que representa o conjunto da população”, explicou o professor, hoje (22), durante uma videoconferência promovido pela ANA.

“O que fazemos é novo apenas do ponto de vista de identificar a covid-19”, disse o professor. Os pesquisadores buscam, por meio desse projeto, identificar “tendências e alterações” na ocorrência da covid-19 nas diferentes regiões analisadas, para entender a prevalência e a dinâmica de sua circulação.

Boletim

De acordo com o primeiro boletim da semana inicial dos trabalhos de campo do Monitoramento Covid Esgotos, a presença do novo coronavírus foi detectada em oito entre 26 amostras (31%). As coletas foram realizadas nas sub-bacias do Ribeirão Arrudas e do Ribeirão do Onça.

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O objetivo da pesquisa é o de mapear esgotos para indicar áreas com maior incidência da transmissão, de forma a subsidiar a adoção ou não de medidas, tendo por base a ciência. Além disso, possibilita avisos precoces dos riscos de aumento de incidência do novo coronavírus de forma regionalizada, para melhor embasar a tomada de decisão dos gestores públicos.

Na apresentação online, Chernicharo destacou que, com base no monitoramento do esgoto, “em teoria, um indivíduo contaminado pode ser identificado dentro de uma população de 100 a até 2 milhões de habitantes”.

Segundo o pesquisador, a implementação dessa ferramenta depende da disponibilidade de fatores como uma adequada infraestrutura laboratorial; o mapa da malha urbana de esgotos; a definição de pontos de amostragem; a coleta, preservação e transporte das amostras de esgoto; e o recebimento e processamento das amostras em laboratório. Uma nota técnica produzida pela equipe, na qual esses fatores são detalhados, será disponibilizadas a quem tiver interesse em conhecer o projeto-piloto.

Superintendente de Planejamento da ANA, Sérgio Morais, explicou que a primeira detecção do novo coronavírus em fezes ocorreu em 31 de janeiro nos Estados Unidos. Em março, um outro estudo, este na Holanda, detectou a covid-19 no esgoto. As coletas nos dois municípios mineiros que servirão de base para o projeto-piloto tiveram início no dia 13 de abril. “Nossa ideia é gerar uma metodologia, a partir desse projeto”, disse.

De acordo com o superintendente, a realidade brasileira apresenta limitações com relação à aplicação dessa ferramenta em alguns municípios, uma vez que 45% da população não dispõem de esgoto, e que 70% das cidades não possuem estações de tratamento de esgoto.

Para o subcoordenador do INCT e professor do Departamento de Engenharia Sanitaria e Ambiental da UFMG, Cesar Mota, a detecção do RNA viral no esgoto foi surpreendente, já que esse tipo de molécula é muito sensível a fatores ambientais. “Mesmo com tudo que há no esgoto, como ácidos e temperaturas mais elevadas, foi possível detectar esse RNA viral nos esgotos, tanto nas fezes como na urina”, disse, acrescentando que, até o momento, nenhuma pesquisa comprovou a transmissão, via esgoto, da doença.

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“O esgoto já é uma fonte inesgotável de doenças. A covid-19 é apenas mais uma. Por isso, usando equipamento de proteção, a contaminação é evitável. No entanto, precisamos ter cuidado com a transmissão feco-nasal, uma vez que, no caso da Sars, já foi identificada contaminação, por este meio, de residentes em prédios de Hong Kong”, complementou.

Regiões

Representando a Secretaria de Saúde do governo de Minas Gerais, o superintendente de Vigilância Sanitária estadual Filipe Laguardia disse que, “enquanto grande cliente do projeto”, o governo mineiro pretende identificar as regiões com maior incidência de infectados, de forma a auxiliar na tomada de decisões.

“Vemos alguns pontos motivadores para esse projeto. Um deles está relacionado à novidade que a doença representa. Toda informação nova sobre o comportamento e o agravo desse vírus é importante. Um outro ponto é a qualidade da proposta, que poderá disponibilizar informações científicas com as quais o poder público poderá se aliar”, disse o superintendente, animado também com a possibilidade de emissão de alertas precoces da circulação do vírus, a partir das análises feitas nos esgotos.

Essas possibilidades podem, segundo ele, compensar pelo menos parcialmente algumas das limitações pelas quais passam as autoridades sanitárias do país. Entre elas, o fato de o número de testes ser inferior à demanda.

“Muitos desses testes são de baixa qualidade. Além disso é grande o número de subnotificações de casos confirmados, especialmente os assintomáticos. Uma outra limitação é a pouca previsibilidade da evolução da doença”, argumentou, referindo-se à possibilidade de os exames considerarem tanto pessoas sintomáticas como as que não apresentam sintomas.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento Tecnológico, Inovação e Qualidade da Companha de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Marcus Tulius de Paula Reis, o projeto-piloto conta com 24 pontos de monitoramento. Dezoito deles na rede coletora, e os demais em pontos dos ribeirões Arridas e Onça; e em pontos de entrada e saída das estações de tratamentos de esgoto locais.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Crivella defende volta à normalidade, após 70 dias de isolamento

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O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, disse hoje (5) que, depois de quase 70 dias de afastamento social devido à pandemia de covid-19, “é um imperativo as atividades voltarem”. Ele falou com a imprensa após inaugurar um deck revitalizado na Lagoa Rodrigo de Freitas. Segundo Crivella, o número de óbitos na cidade diminuiu.

“O número de óbitos hoje [incluindo todas as causas], está em torno de 240 óbitos por dia. O histórico é 180, nós já tivemos 350, 370, 380 óbitos por dia, quando a nossa média é essa, 170, 180. Mas caiu, desceram muito. Esses 240 óbitos que tivemos esta semana, se você for olhar, coronavírus e suspeitos são menos do que outras comorbidades. Se você for ver, pessoas estão morrendo de enfarto, AVC, doenças infecciosas, câncer, porque se afastaram do tratamento, dos exames”.

Dados do Sistema Infogripe, da Fiocruz, mostram que as mortes por Síndrome respiratória aguda grave (Srag), um indicativo de covid-19, continuam muito acima da média para a doença no estado. Para a semana epidemiológica 22, que corresponde à semana passada, foram estimados 86 óbitos, com dados ainda em atualização que podem chegar a 182. Na semana anterior foram 229. Na semana epidemiológica 22 de 2019 foram 15 mortes por Srag.

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Semana epidemiológica 19, de 3 a 9 de maio, o estado do Rio de Janeiro teve 428 óbitos por Srag. Na semana correspondente no ano passado foram 21. O estado do Rio de Janeiro aparece como tendo uma temporada muito elevada de síndrome respiratória grave este ano. Para o panorama de país, o Infogripe mostra que praticamente todos os testes que deram positivo em pacientes com Srag tiveram Sars-CoV-2.

Pelos registros de óbitos do Portal da Transparência dos cartórios, a cidade do Rio de Janeiro teve um pico de 161 mortes confirmadas ou suspeitas de covid-19 no dia 30 de abril e outro de 149 no dia 10 de maio. Na sexta-feira passada (29), foram 98 mortes pela doença. Os dados são atualizados em tempo real, de acordo com os registros de óbito feitos nos cartórios, portanto os últimos dias podem sofrer alterações.

Mesmo com os números ainda elevados, o prefeito defendeu o plano de reabertura da economia e das atividades na cidade.

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“Eu peço a compreensão de todos, é assim que ocorreu em outros países. Todos os nossos parâmetros estão sendo medidos dia a dia. Se por acaso tivermos um efeito colateral não previsto ou alguma coisa que não esteja de acordo com o planejamento, nós voltamos atrás, sem problema nenhum, voltamos a fechar, voltamos a fazer o afastamento social nos níveis que eram antes. Essas seis fases são bem devagarzinho. Por exemplo, comércio, que foi a área mais afetada, nessa semana só abriram as agências de automóveis e as lojas de móveis, que são espaços enormes, onde entram pouca gente, que normalmente não têm aglomeração”.

Para a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, ainda não é o momento de relaxar as medidas restritivas na cidade, já que há locais muito vulneráveis, como as favelas, e a doença está avançando para o interior do país.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Saúde

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