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Em live sobre jovens na política, Barroso e convidados discutem a importância da educação e da pluralidade de ideias

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A live “+Jovens na Política”, a terceira da série “Diálogos Democráticos”, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi veiculada nesta sexta-feira (31), pelas redes sociais e pelo canal do Tribunal no YouTube. Mediado pelo presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, o debate on-line contou com a participação do rapper Projota, da deputada federal Tabata Amaral e do filósofo Luiz Felipe Pondé.

Logo no início do evento, Luís Roberto Barroso destacou que pesquisas vêm indicando um maior interesse dos jovens pelo debate público e pela política. Ele perguntou aos debatedores o que, na opinião deles, afasta ou aproxima os jovens da política.

A deputada Tabata Amaral (PDT-SP) explicou que os jovens nas periferias das grandes cidades vivem afastados do debate político. Além disso, de acordo com ela, nem nas escolas os jovens costumam encontrar incentivos para desenvolverem uma consciência cívico-política ou exercitarem o debate. Dessa forma, a educação, segundo a parlamentar, tem um papel primordial para a formação política dos jovens.

“Eu tive a minha vida transformada pela educação. E isso fez de mim uma ativista pela educação”, revelou. Tabata Amaral afirmou que a educação é o meio pelo qual a juventude adquire a noção de que a mudança almejada somente pode ser alcançada por meio do engajamento político.

O filósofo Luiz Felipe Pondé, por sua vez, apontou que o problema não é exclusivamente brasileiro, e pode ser entendido como uma questão da geração. Para ele, além da descrença na representação, há uma certa incompreensão da democracia, o que explicaria a adesão de alguns jovens a discursos antidemocráticos, sobretudo na internet.

Pondé destacou que os jovens têm encontrado problemas para entender e se situar diante das complexidades do mundo atual, muitas vezes buscando abrigo em discursos extremistas e excludentes que acolham as suas crenças, não abrindo espaço para o diálogo. “Eu acredito que a política hoje, quando ela sofre da polarização, faz muito barulho mas empobrece a semântica da compreensão da realidade, porque a realidade fica o tempo todo: ‘ou você é A, ou você é B, ou você é anti-A, ou você é anti-B’”, afirmou.

Já na opinião do rapper Projota, “a política é o que afasta o jovem da política”. Ele explicou que os jovens de hoje, em especial os da periferia, estão mais preocupados com o seu emprego, sua sobrevivência e a segurança de sua família do que com a política. “O jovem pensa que tem superpoderes e que não tem que pensar em política agora. Ele primeiro vai pensar nos sonhos que ele tem, e quando ele buscar esses sonhos e não conseguir alcançá-los, aí talvez ele perceba que foi por causa da política”, disse.

Projota concordou com Tabata Amaral sobre como o debate político é algo distante da realidade dos jovens da periferia. “[Na periferia] você cresce sem nenhum tipo de familiaridade com a política”, destacou. Para ele, o jovem que porventura se interessar por política tende a buscar conhecimento de forma autodidata, e, assim, acaba recorrendo às redes sociais. No entanto, segundo o rapper, a escola tem um papel muito importante para reverter essa situação.

O ministro Barroso afirmou que, embora possa ser considerada maçante, a política é o meio natural pelo qual ocorrem as mudanças na sociedade. Por isso, destacou, o TSE está promovendo o debate sobre a presença e o papel dos jovens na política e lançará uma campanha voltada para a importância do voto consciente.

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Ele se declarou um otimista, para quem a História segue um fluxo contínuo em direção do bem e do avanço civilizatório. “Vamos andando na direção certa, ainda que não na velocidade desejada”, disse.

O papel da escola

Barroso também perguntou à deputada Tabata Amaral se a sua trajetória, sendo uma jovem de periferia que estudou em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, poderia ser replicada a jovens que não tiveram as mesmas oportunidades que ela teve. Ela reconhece que foi privilegiada ao longo de sua formação, sobretudo, ela acredita, por ser branca. “Não dá para olhar para trajetórias como a minha e dizer que, no Brasil, quem quer consegue. Temos que olhar para trajetórias como a minha e dizer: ‘olha, não é possível que tanta coisa teve que dar certo para essa pessoa poder estudar’”, afirmou.

Segundo ela, a escola pública é um lugar estratégico para que as desigualdades sejam enfrentadas e o ciclo da pobreza seja quebrado e foi somente em Harvard que ela viu a importância da área pública e da política para a transformação social.

A formação do jovem

Dirigindo-se ao filósofo Luiz Felipe Pondé, o ministro Barroso questionou se a abertura para a política pode contribuir para a formação intelectual e até mesmo espiritual dos jovens. Pondé destacou que competitividade, oportunismo e trabalho precarizado são realidades na vida do jovem de hoje e, por isso, ele afirma que, em sua maioria, o jovem não está interessado na política.

Segundo o filósofo, o eleitor que se aproxima do debate político é movido por paixões ideológicas e não pelo interesse no debate e na troca de visões de mundo. “Ele vai para o debate porque ele quer convencer o outro do que ele acredita”, afirmou. Assim, a polarização que se vê em redes sociais seria apenas o reflexo de uma tendência comportamental e política que já se verifica na sociedade.

A arte e o jovem

Já o rapper Projota, ao ser questionado sobre o papel da arte para a mobilização política dos jovens – sobretudo na periferia -, contou que foi por meio do rap que, aos 16 anos, despertou para o pensamento político e para uma reflexão sobre o meio em que vivia. “Eu sou um exemplo vivo, materializado aqui, de como a música me mostrou um outro caminho”, admitiu.

A arte, para Projota, dá voz a vários movimentos da sociedade que estão agindo para transformar a sociedade e, por isso, é um caminho para que o jovem encontre a sua voz e se interesse pela política.

Um jogo diferente

Ao propor uma última rodada de debates, o ministro Luís Roberto Barroso perguntou à deputada Tabata Amaral como é, para ela, “tentar jogar um jogo diferente dentro da política tradicional” e se ela se arrependeu da escolha que fez de deixar a carreira de cientista astrofísica para entrar para a carreira política.

Sendo mulher, da periferia, pobre, sem tradição na vida partidária e não tendo parentes no mundo político, a parlamentar comentou que foi um caminho muito difícil para se inserir num mundo que, segundo ressaltou, passou a ser acessível para mulheres no Brasil há menos de 90 anos. Além disso, segundo ela, os altos custos de uma campanha política, são um dos principais motivos pelos quais jovens lideranças acabam por não se candidatar.

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O Brasil para a filha

O cantor Projeto afirmou que tenta se manter otimista quando pensa sobre o país que desejaria para sua filha – de apenas cinco meses – daqui a 20 anos, mesmo no contexto da pandemia de Covid-19. Ele acredita que há uma transformação em curso na sociedade e que tem se preocupado em dar à filha uma educação que preze sempre pela reflexão.

O ministro Barroso observou que, tendo em vista o que viveu em sua juventude, quando, na idade de Projota e de Tabata Amaral, se preocupava em acabar com a tortura e a censura no país, as coisas de fato caminharam para o melhor. Isso porque hoje o debate está centrado na defesa da educação e na busca de um maior engajamento político dos jovens.

Perguntas do público

Antes de encerrar a live, Luís Roberto Barroso trouxe aos convidados algumas perguntas que foram enviadas por pessoas que acompanhavam a transmissão nas redes sociais e no canal do TSE no YouTube.

Perguntada sobre os caminhos que um jovem interessado por política deve trilhar para se candidatar, Tabata Amaral indicou que um bom começo seja a participação em movimentos políticos suprapartidários que atuem em temas ou em áreas que sejam do interesse do jovem.

“Mais importante que a experiência de vida, é a vocação”, respondeu Projota à pergunta do telespectador sobre o questionamento que se costuma fazer a jovens interessados pela política por quem questiona a sua maturidade. Segundo ele, querer fazer e ser parte da mudança é o elemento essencial para ser um bom político.

Quanto à sua influência sobre os jovens, o rapper admitiu ser uma responsabilidade muito grande. Ele contou que tenta equilibrar a sua vontade de desabafar e o seu pensamento com a responsabilidade sobre a mensagem que leva às pessoas, principalmente para as mais jovens.

Um espectador perguntou a Luiz Felipe Pondé se o fim da polarização não empobreceria o debate político, favorecendo o monopólio do discurso por apenas um segmento ideológico e social. Pondé destacou que a polarização não é sinônimo de pluralidade de ideias. “Pluralidade de ideias significa um conteúdo diverso de ideias; polarização é um empobrecimento semântico, praticado principalmente no ambiente das redes sociais”, pontuou.

Ao concluir o debate, Barroso disse que “a vida é feita de pluralismos, de alternância e de discussão de posições diferentes”. O magistrado também destacou que o que faz mal à democracia não é a divergência, mas a falta de aceitação do ponto de vista alheio, que muitas vezes pontuada com violência e agressividade.

Barroso disse ver com otimismo o movimento de jovens para ocupar espaços na vida política, que, para ele, vem sanar uma lacuna surgida nas décadas anteriores em que houve um afastamento dos jovens do debate político.

Diálogos Democráticos

A série “Diálogos Democráticos” já debateu a representatividade das mulheres na política e o desafio do combate à desinformação. Para cada encontro, são escolhidas e convidadas personalidades que tenham conhecimento aplicado ao tema discutido e atuem na área.

RG/LC, DM

19/06/2020 – Em live promovida pelo TSE, personalidades femininas debatem a necessidade de mais mulheres na política

22/06/2020 – Segunda live da série “Diálogos Democráticos” vai abordar impactos da desinformação no processo eleitoral

Fonte: TSE

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Conheça a atuação do TSE no enfrentamento da desinformação

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Os brasileiros já conhecem o impacto negativo da desinformação nos processos democrático e eleitoral. Muitas inciativas de cunho educativo e de enfrentamento do tema vêm sendo realizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde as Eleições de 2018, quando o fenômeno teve seu ápice. Para o pleito de 2020, contudo, os disseminadores de fake news vão encontrar uma população um pouco mais conscientizada, instituições mais preparadas para lidar com o assunto e, em alguns casos, a legislação para limitar eventuais abusos.

Pela primeira vez, o tema fake news passou a integrar a Resolução TSE nº 23.610/2019. A norma impõe a candidatos e a partidos que chequem a veracidade da informação utilizada na propaganda eleitoral antes de divulgá-la. A medida, que tem o objetivo de evitar a disseminação da desinformação durante o processo eleitoral, também prevê o direito de resposta à vítima, sem prejuízo de eventual responsabilização penal do autor da informação inverídica.

A inovação da lei e a atuação do Judiciário, no entanto, não são suficientes para controlar o fenômeno da desinformação. O entendimento é ratificado pelo presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, que explicitou em seu discurso de posse – e vem reafirmando em entrevistas – que os principais atores no enfrentamento das fake news serão, em conjunto, as mídias sociais, os veículos de imprensa e a própria sociedade, a quem o ministro sempre convoca a atuar no ambiente virtual com “responsabilidade e empatia”.

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Eleições 2018

Para envolver os cidadãos e a sociedade civil nas discussões sobre o tema, desde 2018, o TSE têm promovido diversas ações para enfrentar a onda de notícias falsas. Naquele ano, a Corte atuou de forma ostensiva para rebater as fake news que estavam sendo veiculadas no período eleitoral e sobre a Justiça Eleitoral.

Um Conselho Consultivo, com representantes de várias instituições, foi criado para discutir propostas de combate ao fenômeno. Também foi criada uma página de esclarecimentos para que os cidadãos pudessem checar o que estava circulando na rede, bem como foram firmados acordos com partidos, veículos de imprensa e redes sociais para a não proliferação de notícias inverídicas.

Além disso, o TSE não deixou de lado seu papel jurisdicional e atuou com celeridade no julgamento de processos sobre fake news. Das 50 ações sobre o assunto protocoladas na Corte durante o pleito, 48 foram respondidas prontamente. Em média, o Tribunal levou menos de dois dias para decidir pedidos de liminares.

Outras ações

O trabalho da Corte não parou em 2019. O TSE decidiu continuar o debate e preparar o terreno para 2020. Foi realizado o Seminário Internacional Fake News e Eleições, que contou com o apoio da União Europeia, e reuniu alguns dos maiores especialistas no tema.

O TSE também lançou o Programa de Enfrentamento à Desinformação com Foco nas Eleições 2020, que já conta com 49 instituições parceiras, entre partidos políticos e entidades públicas e privadas. A iniciativa tem o objetivo de enfrentar os efeitos negativos provocados pelas notícias falsas à imagem e à credibilidade da Justiça Eleitoral, à realização das eleições e aos atores envolvidos no pleito.

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Debates, eventos on-line e campanhas continuam sendo realizados pela Corte. O TSE segue dando prioridade as ações de educação midiática e informacional, com a finalidade de conscientizar os cidadãos acerca da desinformação.

O Tribunal ainda estreará, em setembro, uma nova campanha com a mensagem “Se for fake news, não transmita”. A finalidade é abordar a disseminação de notícias falsas no dia a dia da sociedade, com ênfase no impacto negativo desse fenômeno nos processos democrático e eleitoral brasileiros, bem como na vida dos cidadãos. Para dar amplitude à mensagem, o TSE contará com a divulgação do biólogo Atila Iamarino, youtuber e divulgador científico que tem atuado contra notícias falsas durante a pandemia de Covid-19.

Fato ou Boato?

Recebeu um conteúdo duvidoso sobre a Justiça Eleitoral? Acesse www.justicaeleitoral.jus.br/fato-ou-boato e encontre em um só espaço todos os conteúdos produzidos para rebater as informações falsas. A página conta também com materiais desenvolvidos pelas instituições parceiras que aderiram ao Programa de Enfrentamento à Desinformação.

RC/LC

Fonte: TSE

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