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Demissões na fábrica da Renault no Paraná serão discutidas em audiência pública na Assembleia Legislativa

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A Assembleia Legislativa do Paraná realiza, nesta sexta-feira (31) a partir das 10 horas, uma audiência pública de forma remota para discutir os motivos e consequências das 747 demissões na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais ocorridas no dia 22 de julho.

O debate será realizado a pedido do deputado Arilson Chiorato (PT) e contará com a participação de diversos deputados, bem como representantes do sindicato dos trabalhadores e entidades representativas.

As demissões na empresa têm sido motivo de preocupação por parte dos deputados estaduais. Desde que foram anunciadas, diversos deputados, entre eles o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), Requião Filho (MDB), Ricardo Arruda (PSL), Luciana Rafagnin (PT) e Professor Lemos (PT), se pronunciaram na sessão plenária, se reuniram com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos, enviaram ofícios ao Governo do Estado com o objetivo de fazer com que a decisão da empresa fosse revertida. Entre as alegações dos parlamentares está a lei estadual 15.426/2007, que apresenta uma série de condições às empresas que recebem incentivos fiscais devem cumprir, inclusive a “manutenção de nível de emprego e vedação de dispensa, salvo por justa causa ou motivação financeira obstativa da continuidade da atividade econômica devidamente comprovada pelo beneficiário do incentivo fiscal”.

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Os demais funcionários da empresa estão em greve em protesto contra as demissões.

Para o deputado Chiorato, a audiência pública servirá para “debater, tratar e buscar solução para os 747 demitidos pela Renault. Junto com MP cobrar o Governo e também a empresa para acharmos uma solução e não deixarmos as pessoas, nesse momento de pandemia nessa situação inadmissível, uma multinacional que recebeu e recebe tantos incentivos fiscais do Estado do Paraná”.

A audiência pública poderá ser acompanhada ao vivo pela TV Assembleia, através dos canais 20.2 em tv aberta e 16 através da Claro/Net, e pelas redes sociais do Legislativo nesta sexta-feira (31) a partir das 10 horas.

 

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Política Estadual

Nos 14 anos da Lei Maria da Penha, mulheres pedem mudanças na postura e ações sociais e culturais da sociedade

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“Viver sem violência é um direito de todos”. Com essa frase, a delegada da Mulher de Londrina, no Norte do Paraná, Magda Hofstaetter, encerrou a participação na audiência pública com o tema: “14 anos da Lei Maria da Penha – Há 14 anos dando voz às mulheres brasileiras”.  Antes, Magda citou, entre os avanços nesse tempo, números da própria região. “Até agosto deste ano, 43 agressores foram presos. Enquanto em todo o ano passado foram 30. Não queremos dizer que isso é para ser comemorado. Mas significa que estamos dando respostas à sociedade”, justificou.

O encontro debateu, entre outros pontos, o projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná que institui a Força Tarefa de Defesa da Mulher; e as mudanças na Lei Maria da Penha no último ano e seu impacto no combate à violência contra a mulher.

“Com a entrada em vigor da lei, em 2006, apesar dos altos índices de violência que temos assistido, podemos constatar que as vítimas ganharam voz e passaram a denunciar mais seus agressores”, diz a presidente da Comissão, a deputada Cantora Mara Lima (PSC).

Além de Mara Lima e da delegada Magda, a audiência teve a participação das deputadas Mabel Canto (PSC), Luciana Rafagnin (PT), vice-presidente da Comissão,  e Cristina Silvestri (CDN), procuradora da Mulher da Assembleia, dos deputados Soldado Fruet (PROS) e Cobra Repórter (PSD), através de um representantes, e também da coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID), desembargadora Priscilla Placha Sá;  defensora pública e coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado do Paraná (NUDEM), Lívia Martins Salomão Brodbeck e Silva;  e da promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero NUPIGE, Ana Carolina Pinto Franceschi.

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Ana Carolina lembrou que o Paraná conta com apenas 21 delegacias especializadas no atendimento à mulher.  Magda aproveitou para reforçar que, além do projeto da criação da força-tarefa, há uma proposta da Polícia Civil de criar locais específicos para atendimento às mulheres vítimas de violência em todas as delegacias, com investimento em capacitação de servidores.

Ana Carolina concordou, reforçando que os agressores participem de programas socioeducativos para reabilitação. “Os agressores que participam desses grupos com uma equipe multidisciplinar têm menos registros de reincidência. Isso deve ser uma política de Estado”, destacou.

Lívia Salomão, do NUDEM, citou como avanços a partir da Lei, a criminalização do assédio sexual e a tipificação do feminicídio. “A ONU classificou a lei Maria da Penha como a terceira melhor legislação de proteção à mulher do mundo.  Ela é muito difundida e é conhecida por 87% da população. Mas precisamos avançar nos aspectos de educação, onde o machismo está arraigado nos agressores e nas próprias vítimas. Isso é cultural. As meninas precisam saber desde pequenas sobre atitudes que são erradas e sobre a própria legislação. Precisamos pensar no caráter social também, já que a parcela de mulheres mais pobres, negras, é mais vulnerável”, apontou.

“Uma verdadeira revolução” – A desembargadora Priscilla Placha Sá enalteceu o trabalho das deputadas estaduais paranaenses e da Procuradoria da Mulher da Assembleia. “A criação da Procuradoria na Assembleia representou um ganho social elevado para as mulheres e as deputadas fizeram uma verdadeira revolução na política legislativa do estado”, elogiou.

“Agradeço as palavras da doutora Priscilla, mas quero lembrar que as necessidades são muitas e precisamos do apoio do Governo para podermos realizar as coisas que ainda queremos”, cobrou a deputada Cristina Silvestri.  Ela também ressaltou os números do boletim on-line implantado durante a pandemia, após solicitação das deputadas estaduais, onde os registros puderam ser feitos pela internet. Foram 500 denúncias no último mês. “Significa que as mulheres podem recorrer à internet para denunciar nesse período em que estão vivendo o dia a dia ao lado dos agressores, que ficam mais tempo dentro de casa. Um recurso muito importante”.

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O banco de dados compartilhado entre os Poderes e órgãos da Administração Pública foi citado pela deputada Mabel Canto como fundamental para o sucesso das medidas protetivas. “Unificar o trabalho é crucial. A sugestão é integrar também o monitoramento eletrônico com tornozeleira”.

A deputada Luciana Rafagnin pediu apoio dos deputados em projetos que ainda não foram colocados em pauta. “Por exemplo, o que pune com mais rigor os agressores e o que prevê um local adequado nas delegacias para que a mulher tenha liberdade para fazer a denúncia. Por causa da pandemia, o número de registros caiu, mas o feminicídio aumentou, talvez até pela dificuldade em pedir ajuda. Precisamos aprovar o projeto da denúncia por WhatsApp”, disse.

O deputado Soldado Fruet destacou o trabalho da deputada Cantora Mara Lima à frente da Comissão. “Como policial por 17 anos na PM do Paraná, atendi muitas denúncias de agressões. Situações terríveis. O Estado tem que oferecer uma boa legislação e uma política pública que proteja as mulheres”.

A Lei Maria da Penha – A Lei Maria da Penha é uma lei federal brasileira, sancionada em 07 de agosto de 2006, cujo objetivo principal é estipular punição adequada e coibir atos de violência doméstica contra a mulher.

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