Economia

Copom realiza última reunião do ano com expectativa de queda da Selic

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza na próxima terça (10) e quarta-feira (11) a última reunião deste ano para definir a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 5% ao ano. A expectativa é de uma nova redução da Selic em 0,5 ponto percentual para 4,5% ao ano.

No final de julho, o Copom iniciou um ciclo de cortes, reduzindo a Selic em 0,5 ponto percentual para 6% ao ano. Em setembro, a Selic foi reduzida novamente em 0,5 ponto percentual, e em outubro, houve mais um corte de 0,5 ponto percentual.

Segundo a última pesquisa do BC ao mercado financeiro, a Selic deve cair mais em 2020, chegando a 4,25% ao ano, em fevereiro, e será mantida nesse patamar nas reuniões seguintes até dezembro, quando será elevada para 4,5% ao ano.

Meta de inflação

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Neste ano, a meta é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. Para o mercado financeiro, a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar abaixo do centro da meta, em 3,52%, neste ano. Para 2020, a previsão também está abaixo da meta (4%), em 3,60%.

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Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Para cortar a Selic, o Copom precisa estar seguro de que os preços estão sob controle e não correm risco de ficar acima da meta de inflação.

O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião do Copom.

A taxa básica, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

O Copom, formado pela diretoria do BC, reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom analisam as possibilidades e definem a Selic.

Edição: Lílian Beraldo
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Economia

Cepal prevê queda de pelo menos 1,8% na economia da América Latina

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A crise desencadeada pela covid-19 pode levar à queda da economia (Produto Interno Bruto – PIB) da América Latina e do Caribe de, pelo menos, 1,8%, em 2020. A Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) das Nações Unidas divulgou hoje (3) a previsão no relatório “A América Latina e o Caribe diante da pandemia de covid-19: efeitos econômicos e sociais”.

Antes da chegada da covid-19, a Cepal previa que a região cresceria no máximo 1,3% em 2020. Entretanto, os efeitos da crise levaram a mudar essa previsão e a prever uma queda do PIB de pelo menos 1,8%, embora não se possa descartar que se chegue a retração entre 3% e 4%, ou até mais. Para a Cepal, o impacto econômico final dependerá das medidas tomadas nos níveis nacional, regional e global.

Segundo o relatório, a crise da covid-19 terá efeitos econômicos diretos nos sistemas de saúde e nas taxas de mortalidade, e efeitos indiretos, que se materializarão no lado da oferta e da demanda na economia.

De acordo com a Cepal, entre os efeitos diretos está o impacto nos sistemas de saúde da região, cuja infraestrutura é insuficiente para enfrentar os problemas gerados pela pandemia. Para fortalecer os sistemas de saúde, há necessidade de maiores gastos públicos: os países da região gastam uma média de 2,2% do PIB em saúde.

Segundo a Cepal, para tratar a emergência sanitária é “imperativo aplicar imediatamente e de maneira eficiente as medidas de contenção sugeridas pela Organização Mundial da Saúde, fortalecer os sistemas de saúde e garantir o acesso universal a exames, medicamentos e curas”. Para tratar a emergência social, acrescenta a Cepal, são necessárias medidas de proteção de renda para os grupos mais vulneráveis, de proteção do emprego, como os benefícios de desemprego e renda básica de emergência, e de apoio às pequenas e médias empresas e aos trabalhadores por conta própria.

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Com relação às questões fiscais, diz a Cepal, os orçamentos devem ser reorganizados para implementar pacotes de estímulo a fim de fortalecer os sistemas de saúde, proteger a renda e minimizar a contração da economia. Na área monetária, acrescenta o órgão, devem ser feitos esforços para estabilizar as taxas de câmbio e preservar a solvência e o funcionamento do mercado bancário. E para incentivar a cooperação internacional, é necessário reconsiderar as políticas de concessão de empréstimos dos organismos internacionais. E facilitar, também, os empréstimos a juros baixos e adiar o serviço da dívida para os países em desenvolvimento.

Em particular, o organismo da Organização das Nações Unidas pede que as sanções impostas à Cuba e à Venezuela sejam retiradas para permitir o acesso a alimentos, suprimentos médicos e exames da covid-19 e assistência médica. “É tempo de solidariedade, não de exclusão”, indica o documento.

A longo prazo, a região terá que repensar suas estratégias de desenvolvimento para prevenir a gravidade de futuros choques, enfatiza o relatório. Nesse sentido, a Cepal propõe a criação de um fundo regional dedicado às necessidades específicas dos países de renda média para apoiar a recuperação social, econômica e produtiva.

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Exportações

De acordo com o estudo da Cepal, a previsão é que o valor das exportações da região cairá pelo menos 10,7% em 2020, devido à queda dos preços e à contração da demanda agregada global.

Para a Cepal, os países precisam repensar suas estratégias de desenvolvimento, fortalecendo a coordenação e a integração regional para assegurar as cadeias de suprimentos de bens críticos, aliviar a pobreza e promover a redução da desigualdade, e fortalecer o comércio intra-regional e as cadeias de produção, entre outras medidas.

Agenda 2030

O relatório alerta, também, que a crise coloca em risco a integralidade da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus Objetivos (ODS). Em sua análise, apresenta exercícios de simulação para 72 séries estatísticas dos indicadores dos ODS. Segundo a Comissão, 73% dos indicadores analisados mostram que há problemas para alcançar os ODS até 2030. Nesse sentido, a Cepal enfatiza que avaliar os impactos das políticas utilizadas para implementar a Agenda 2030 nos países da região é crucial. Para o monitoramento dos avanços a médio e longo prazo, a Cepal desenvolveu dois instrumentos específicos: o Portal dos ODS (SDG Gateway) e o Observatório Covid-19, que em breve estarão disponíveis.

Edição: Valéria Aguiar

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