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Cobertura vacinal na pandemia está abaixo de 60%

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Com o isolamento social e o medo de comparecer aos serviços de saúde durante a pandemia de covid-19, a cobertura vacinal no Brasil este ano está muito abaixo da meta, com algumas vacinas do calendário básico do Programa Nacional de Imunização (PNI) não atingindo metade do público-alvo esperado.

O alerta foi feito hoje (15) pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), durante o lançamento da campanha #CRIE+proteção, para divulgação dos serviços gratuitos dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries).

O presidente da SBIm, Juarez Cunha, apresentou dados do Data SUS referentes a agosto, segundo os quais nenhuma cobertura para crianças até 2 anos atingiu 60% do público-alvo no período. No caso da hepatite B, estava em 45,35%, da poliomielite, em 51,75% na primeira dose e 45,23% no primeiro reforço e, no reforço da tríplice viral, em 44,34%. E apenas 10% das gestantes tomaram a dTpa no mês passado. Essa vacina protege contra difteria, tétano e coqueluche.

Cunha alertou que a falta de vacina pode trazer complicações importantes para a saúde coletiva, no momento em que se discute a reabertura das escolas e o retorno às aulas presenciais para crianças e adolescentes. “Temos vacinas seguras, eficazes e gratuitas, e o risco é muito grande se continuarmos com cobertura vacinal tão baixa”, disse o médico. Ele enfatizou que os dados são de agosto são preliminares, mas que os números atuais estão na faixa de 60%, o que é muito baixo.

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Segundo Cunha, o risco é que todas essas doenças, que estão eliminadas ou controladas, podem retornar, principalmente com o retorno da mobilidade de toda a população e o retorno às aulas. “É muito importante que todas as crianças estejam com a vacinação em dia”, afirmou.

Ele Lembrou que, no ano passado, não se atingiu a meta em nenhuma vacina para até 2 anos, com praticamente todas ficando abaixo dos 85%.

Hesitação

A vice-presidente da SBIm, Isabella Ballalai, ressaltou que, desde 2017, a cobertura vacinal vem caindo, com o aumento do movimento de “hesitação ante a vacina”, o que levou o país ao retorno, por exemplo, do sarampo, com 18 mil casos em 2018, 10 mil em 2019 e de já estar com quase 8 mil registros este ano, apesar da pandemia e do isolamento social.

Para Isabella, é preciso se orgulhar do PNI: “o brasileiro confia na vacina, isso se repete nas pesquisas, mas por conta de todos esses fatores da hesitação, registramos este ano mais de 7 mil casos de sarampo. Como estaria o sarampo se não estivéssemos trancados em casa? O que pode acontecer com a poliomielite com uma cobertura vacinal em crianças menores de 1 ano agora em torno de 50%? Essa doença pode voltar, como voltou o sarampo.”

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O médico e divulgador científico Dráuzio Varella, que apresenta a campanha dos Cries, disse que a expectativa de vida no país mais do que dobrou no último século, passando de 35 anos em 1900 para 76 anos atualmente. Varella afirmou que a vacinação é responsável por boa parte desse avanço, ao lado do saneamento básico e das melhores condições de higiene, e condenou veementemente os movimentos contrários à vacinação.

“Você faz o que quiser da sua vida, mas fazer uma propaganda para convencer as pessoas a não levar o filho para vacinar é crime, não tem outra palavra. Você não teve poliomielite porque seus pais o vacinaram. E agora você nega esse recurso para os seus filhos?A gente deveria ter leis muito severas contra esses grupos.”

De acordo com a médica do Crie Martha Lopes, o programa de vacinação brasileiro, criado em 1973, é o maior do mundo e foi responsável pela eliminação da poliomielite no país desde 1994 e da rubéola desde 2015.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Internações caem, mas mortes e casos por covid-19 crescem em SP

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Pela nona semana consecutiva, o estado de São Paulo vem registrando queda no número de novas internações por covid-19 [a doença provocada pelo novo coronavírus]. Na 38ª Semana Epidemiológica, entre 13 e 19 de setembro, houve queda de 3% no número de novas internações na comparação com a semana anterior.

No entanto, nesta mesma semana, o estado observou um pequeno crescimento no número de mortes e de casos confirmados na comparação com a semana anterior.

Entre os dias 13 e 19 de setembro, o estado registrou 1.360 novas mortes, média móvel de 194 óbitos por dia, acima do que foi anotado na semana anterior (37ª Semana Epidemiológica), quando houve 1.254 novas mortes, com média móvel de 179 óbitos por dia. A média móvel é calculada somando o número de casos da semana e dividindo pelo total de dias.

Semana Epidemiológica

Quanto aos casos, o estado contabilizou 40.983 casos confirmados na 38ª Semana Epidemiológica, média móvel de 5.855 ocorrências por dia, também pouco acima do que foi anotado na semana anterior, quando houve 37.605 novos casos, com média móvel de 5.372 casos por dia.

Isso interrompeu uma sequência de quedas. São Paulo vinha tendo queda de óbitos há cinco semanas e, de casos, há duas semanas.

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Segundo o Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, uma das hipóteses para o crescimento do número de casos e de óbitos é um possível represamento de dados ocorrido no feriado de 7 de setembro e os fins de semana. Mas o centro investiga também se o aumento não foi provocado por aglomerações nas praias, parques e bares durante o feriado prolongado de 7 de setembro, período que fez muito calor em todo o estado.

“Esse dado do aumento de óbitos infelizmente interrompeu uma sequência de quedas. E deve ser olhado com muita atenção. Mas não podemos fazer relação direta ainda de causa e efeito ou se esses óbitos têm alguma relação com o aumento de aglomerações que tivemos no feriado”, disse hoje (21) João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência.

O que chama a atenção do centro é que, apesar do aumento de óbitos e de casos, não foi verificado aumento de internações, indicador que ajuda a demonstrar o atual estágio da pandemia. 

“É relevante considerar que, mesmo tendo piora nesse indicador [de mortes], o número de internações continuou caindo, o que é um bom sinal. Claro que preocupa. Mas não há possibilidade de fazermos uma relação direta entre o período em que houve a aglomeração com a piora que ocorreu esta semana. Temos que avaliar isso por mais tempo. Nessa próxima semana vamos ficar muito atentos com o monitoramento de dados para ver se existe alguma relação de caso e efeito”, afirmou Gabbardo.

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“Ao longo da semana, entenderemos se isso foi fruto desse represamento ou se estamos incrementando essas estatísticas”, reforçou Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde.

O Centro de Contingência continua alertando as pessoas para que evitem aglomerações e que mantenham as recomendações sanitárias como a de uso obrigatório de máscaras fora de casa.

Balanço

Segundo balanço divulgado hoje pela Secretaria estadual da Saúde de São Paulo, o estado somou 2.032 novos casos e 32 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, totalizando agora 937.332 casos confirmados e 33.984 mortes pela doença desde o início da pandemia.

Dos casos diagnosticados, 803.994 pessoas estão recuperadas, sendo 103.141 delas após internação. 

Há 3.945 pessoas internadas em estado grave no estado em casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus, além de 5.127 pessoas internadas em enfermarias. A taxa de ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) de todo o estado está em 47,7%, enquanto na Grande São Paulo ela situa-se em 47%, taxas mais baixas desde o início da pandemia.

 

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Saúde

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