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Casos de covid-19 na Rocinha podem ser 62 vezes maiores que o oficial

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número de casos de covid-19 na Rocinha pode ser até 62 vezes maior do que o divulgado nesta comunidade da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. A conclusão faz parte de uma análise feita pela empresa de consultoria Boston Consulting Group (BCG) com dados do Painel Covid Radar, um coletivo de mais de 50 empresas que atua para reduzir os efeitos da crise de saúde no Brasil.

O painel, que tem como um dos líderes o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), inclui estudos basedos em cálculos de soroprevalência, imunização e subnotificação da pandemia no Brasil e avalia cenários do mundo todo.

O estudo da BCG busca entender o nível de imunização da população e o grau de subnotificação de casos de covid-19. Conforme a análise, a média brasileira de subnotificação está em 10 vezes, mas pode variar em algumas regiões e bairros do país. Na Rocinha, por exemplo, esse número chega a 62.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro diz que a Resolução nº 4.331, de 17/03/2020, normatiza o preenchimento dos formulários de notificação, combatendo, assim, a possibilidade de subnotificação. De acordo com a secretaria, é preciso levar em consideração também a parcela de cidadãos contaminados, mas assintomáticos, que podem não ser notificados em função da ausência de sintomas, comportamento que não é exclusivo das comunidades. “Portanto, não se pode afirmar que seja maior a subnotificação em comunidades do que em outros locais”, conclui a pasta.

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Pela análise da BCG, o grau de imunização no Brasil está entre 1% e 2% da população. No entanto, áreas mais atingidas pelo vírus já têm taxas melhores, como, por exemplo, bairros altamente expostos de São Paulo, onde o percentual chega a 10%. Na Rocinha, 25% da população do bairro já pode estar imunizada.

Pesquisa epidemiológica

Na cidade do Rio, termina hoje (7), o trabalho de campo da Fase 2 da pesquisa epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde em comunidades e outros bairros do município, que vem sendo feita desde o dia 1º. Segundo a secretaria, o resultado da primeira fase mostrou que o maior percentual de casos positivos nas seis regiões pesquisadas ocorreu na Cidade de Deus (28%). Em seguida, vieram Rio das Pedras (25%) e Rocinha (23%).

O percentual de letalidade, resultado do número de mortos em relação ao total de infectados, ficou em 0,2% em Rio das Pedras; 0,3% na Maré e na Rocinha; 0,4% na Cidade de Deus; 1,2% em Realengo e 1,8% em Campo Grande.

Na avaliação dos sintomas, entre os que tiveram resultado positivo em testes para o novo coronavirus, o índice que prevaleceu foi o de assintomáticos. “As pessoas que tinham o vírus, mas não apresentaram sintomas foram 52%. Apenas 1% dos entrevistados e testados relataram ter apresentado todos os sete sintomas averiguados: febre, cansaço, dor no corpo, dor de garganta, tosse, dispneia (falta de ar) e diarreia”, acrescentou a secretaria.

Segundo a pasta, é relevante o fato de o percentual de casos positivos, mas sem sintoma, ter sido maior entre os mais idosos. A incidência ficou em 67% entre os que tinham de 80 a 89 anos, em 50¨% entre os que tinham de 30 a 39 anos e de 45% entre os com idade de 40 a 49 anos.

m homem recebe um teste de auto-coronavírus de um estudante de medicina à sua porta, em meio ao surto de doença de coronavírus (COVID-19), em São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil, 14 de abril de 2020. REUTERS / Rahel Patrasso m homem recebe um teste de auto-coronavírus de um estudante de medicina à sua porta, em meio ao surto de doença de coronavírus (COVID-19), em São Caetano do Sul, São Paulo, Brasil, 14 de abril de 2020. REUTERS / Rahel Patrasso

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Segundo a secretaria, na primeira fase foram testados 3.210 moradores das comunidades da Maré, Rocinha, Cidade de Deus e Rio das Pedras, Campo Grande e Realengo – REUTERS / Rahel Patrasso/Direitos Reservados

Testes

Conforme a secretaria, na primeira fase foram testados 3.210 moradores das comunidades da Maré, Rocinha, Cidade de Deus e Rio das Pedras, Campo Grande e Realengo. A fase dois da pesquisa epidemiológica foi nas seis comunidades já testadas. Nessa etapa são mais 3.200 testes, coletados por equipes de Atenção Primária da pasta. “Os dados serão analisados e confrontados com os resultados da primeira fase”, informou a secretaria.

Foram intensificadas as orientações para a população atendida nas clínicas da família e nos centros municipais de Saúde e que moram em comunidades. “As unidades oferecem tratamento e acompanhamento de casos leves, além do monitoramento dos grupos de risco, por telefone”, completou a secretaria.

A prefeitura do Rio inaugurou centros de imagens em comunidades, ampliando o acesso ao exame que auxilia no diagnóstico precoce da doença e início do tratamento. A secretaria reforçou, junto aos seus profissionais e às instituições privadas, a necessidade e a importância da correta notificação de casos suspeitos, confirmados ou óbitos decorrentes da pandemia.

Edição: Nádia Franco e Fábio Massalli

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Plataforma gera estatísticas da covid-19 em 91 municípios paulistas

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Um projeto de pesquisadores das universidades Estadual Paulista (Unesp) e de São Paulo (USP) reúne diariamente os dados relacionados à pandemia do novo coronavírus (covid-19) em 91 cidades do estado. A partir dos dados disponibilizados pelas prefeituras, a plataforma gera informações que permitem o acompanhamento da evolução da doença em cada município e comparações entre eles.

A iniciativa foi desenvolvida dentro do Centro de Ciências Matemáticas aplicadas à Indústria com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. São compiladas informações como número de casos confirmados, destacados e mortes causadas pela doença desde o final de março. A partir dessas informações, a plataforma calcula informações como o crescimento do número de casos, o percentual de casos descartados e a quantidade de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.

Previsões

Segundo responsável pelo projeto, Wallace Casaca, professor da Unesp em Rosana, depois de alguns testes também serão divulgadas previsões de evolução das doenças a partir do fim desta semana. “A gente pegou os dados e compilou para inferir quantos óbitos e novos casos da covid-19 cada departamento de saúde vai ter. A gente compilou esses dados e agrupou e agora a gente vai disponibilizar estimativas que quantos casos vai ter daqui a duas semanas, três e um mês”, disse.

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As estimativas vão ser baseadas em modelos matemáticos, a partir das tendências que os próprios dados têm apresentado nos últimos meses, junto com o trabalho de inteligência artificial. “A gente pegou dados da semana retrasada e testou [as previsões] para a semana passada e teve uma acurácia bem alta”, explicou Casaca sobre os resultados preliminares da nova ferramenta.

Checagem de informações

A ideia é que a plataforma seja, de acordo com Casaca, tanto uma forma de informar a população, quanto permitir o acompanhamento das ações do Poder Público. “Tanto para fins de informação quanto para fins de auditoria”, enfatiza o pesquisador. Ele explicou que, a partir do sistema, é possível observar, por exemplo, quais dados as prefeituras deixaram de atualizar.

“Têm cidades em que os números de casos confirmados é menor do que os de descartados, o que mostra que esse município não está testando”, disse Casaca sobre observações que podem ser feitas a partir da plataforma. 

Ele explicou que o normal é que existam cerca de três ou quatro casos descartados a cada confirmação, e que números menores do que esses podem ser um indicativo de que estão sendo feitos testes apenas em situações mais extremas, aumentando a subnotificação.

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Em menos de dois meses de funcionamento, a plataforma já recebeu, de acordo com o professor, 46 mil visitas. Por dia são, segundo ele, em média 200 usuários, número que chega até 3,7 mil em ocasiões de maior movimento.

A plataforma está disponível na página do projeto: https://www.viser.com.br/covid-19/info-tracker

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

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