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192 países da ONU assinam pacto global para migração, sem os EUA

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192 países da ONU assinam pacto global para migração, sem os EUA

 

Os países-membros das Nações Unidas firmaram na sexta-feira 13 um pacto global sobre migração, que representa a primeira tentativa de tratar a questão migratória em escala mundial. Ao todo, 192 nações assinaram o documento – apenas os Estados Unidos ficaram de fora.

O acordo, que não é juridicamente vinculativo, inclui uma ampla lista de compromissos dos governos para garantir direitos básicos aos migrantes, incentivar a imigração legal e cooperar em prol de uma gestão de fronteiras mais eficiente e de um melhor gerenciamento do fluxo de pessoas.

“Esta é a primeira vez que os Estados-membros das Nações Unidas se reúnem para negociar um acordo que cubra todas as dimensões da imigração internacional de maneira integrada e abrangente”, informou a ONU em comunicado.

O texto foi aprovado por consenso pelos países após um ano e meio de intensas negociações – marcadas pela resistência de alguns governos – e será formalmente adotado em uma conferência intergovernamental em Marrakech, no Marrocos, em 10 e 11 de dezembro.

Embaixadores dos 192 países comemoraram de pé e com uma grande salva de palmas a criação do documento, parabenizando os líderes das negociações, os representantes do México, Juan José Gómez Camacho, e da Suíça, Jürg Lauber.

O embaixador mexicano, cujo país enfrenta questões delicadas acerca da imigração com os Estados Unidos, descreveu a assinatura do pacto como um “dia histórico”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também saudou o documento, classificando-o de uma “conquista significativa”. Em coletiva de imprensa, o português ressaltou a contribuição dos imigrantes para a economia global e disse que eles são “um notável motor para o crescimento”.

Já o eslovaco Miroslav Lajcák, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, previu que o acordo, apesar de não ser vinculativo – ou seja, não obriga que os países cumpram com os compromissos –, vai mudar a forma como o mundo olha para a questão da imigração.

Ele destacou ainda que o documento não dita nem impõe nada aos governos e respeita totalmente a soberania dos Estados em matéria de imigração, mas representa um grande passo à frente. “É um momento histórico e o potencial é enorme”, afirmou.

Entre os 23 objetivos acordados no pacto há metas mais amplas, como trabalhar no âmbito do desenvolvimento e na prevenção de conflitos para reduzir as situações que forçam as pessoas a deixarem seus países, além de melhorar as opções de imigração legal.

Mas há também compromissos mais concretos, como tentar evitar a separação de famílias – um tema atualmente polêmico nos Estados Unidos –, realizar detenções somente em último caso e oferecer a todos acesso a serviços básicos, mesmo àqueles que estão em situação irregular.

Os 18 meses de negociações contaram inicialmente com a participação de todos os 193 Estados das Nações Unidas, apesar de alguns deles, como a Hungria, mostrarem uma postura crítica.

Nesta sexta-feira, após a assinatura do acordo, o ministro do Exterior húngaro, Péter Szijjártó, disse a diplomatas que seu governo discorda de alguns pontos-chave e discutirá a “possibilidade de desassociação” do pacto em uma reunião na próxima quarta-feira.

Em setembro de 2016, todos os países da ONU – incluindo os Estados Unidos sob o então presidente Barack Obama – aprovaram dar início a um processo que levaria à adoção de um pacto global sobre migração, que acabou se concretizando agora.

Em declaração adotada na ocasião, os governos concordaram ainda que nenhum dos países poderia administrar questões de imigração internacional por conta própria.

Em dezembro do ano passado, contudo, Washington anunciou que estava deixando as negociações sobre o acordo. Em nota, a missão americana nas Nações Unidas afirmou que muitos pontos do documento eram “incoerentes” com as políticas migratórias do presidente Donald Trump.

“Temos 192 países que concordaram com o texto do pacto, e as portas estão abertas para os Estados Unidos caso eles queiram voltar”, destacou Lajcák, presidente da Assembleia Geral.

O chamado Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular vem num momento delicado em questões de política migratória internacional, quando estima-se que cerca de 3,4% da população global seja de migrantes, ou seja, 250 milhões de pessoas em todo o mundo.

O tema causou recentemente uma crise sem precedentes no governo da chanceler federal alemã, Angela Merkel, além de expor fortes divisões dentro da Europa, afetada nos últimos anos por uma crise de refugiados provenientes de países da África e do Oriente Médio.

A questão é também polêmica nos Estados Unidos, onde o presidente Trump prometeu ações para acabar com a imigração ilegal. Sua política migratória de tolerância zero levou recentemente à separação de mais de 2 mil famílias estrangeiras, gerando indignação internacional.

 

Fonte: Deutsche Welle

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O mundo está cansado de mentirosos, de padres da moda, de arautos de cruzadas

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O mundo está cansado de mentirosos, de padres da moda, de arautos de cruzadas

 

Aos novos bispos do curso anual de formação, o papa afirma que fazer pastoral da misericórdia não é fazer liquidação de pérolas. “Não poupem esforços para ir ao encontro do povo de Deus, estejam perto das famílias com fragilidade. Nos seminários, apontem para a qualidade, não para a quantidade. Desconfiem dos seminaristas que se refugiam na rigidez.”

“O mundo está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores das causas próprias, os arautos de cruzadas vãs.”

O Papa Francisco dirigiu um longo discurso aos bispos recém-nomeados, em Roma, para um curso de formação, tocando diversas questões do seu ministério, a partir da necessidade de tornar pastoral – “isto é, acessível, tangível, encontrável” – a misericórdia, que é o “resumo daquilo que Deus oferece ao mundo”.

Os bispos, disse Jorge Mario Bergoglio, devem ser capazes de encantar e de atrair os homens e as mulheres do nosso tempo a Deus, sem “lamentações”, sem “deixar nada de não tentado a fim de alcançá-los” ou “recuperá-los”, e graças aos percursos de iniciação (“Hoje, pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente”).

Além disso, é necessário vigiar a formação dos futuros sacerdotes, apontando para a “qualidade do discipulado”, e não para a “quantidade” de seminaristas, e usando “cautela e responsabilidade” ao acolher sacerdotes na diocese. Francisco também convidou os novos bispos a estarem perto do seu clero, àqueles que Deus coloca “por acaso” no seu caminho e às famílias com as suas “fragilidades”.

“Perguntem a Deus, que é rico em misericórdia – disse o papa aos 154 novos bispos (16 dos territórios de missão) que participaram do curso anual de formação promovido conjuntamente pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais – o segredo para tornar pastoral a Sua misericórdia nas suas dioceses. De fato, é preciso que a misericórdia forme e informe as estruturas pastorais das nossas Igrejas. Não se trata de rebaixar as exigências ou vender barato as nossas pérolas. Ou, melhor, a única condição que a pérola preciosa dá àqueles que a encontram é a de não poder reivindicar menos do que tudo. Não tenham medo de propor a Misericórdia como resumo daquilo que Deus oferece ao mundo, porque o coração do homem não pode aspirar a nada maior”, disse Francisco, que, sobre a misericórdia como “limite para o mal”, citou Bento XVI, acrescentando duas perguntas retóricas: “Por acaso, as nossas inseguranças e desconfianças são capazes de suscitar doçura e consolação na solidão e no abandono?”.

Para tornar a misericórdia “acessível, tangível, encontrável”, acima de tudo, o papa recordou que “um Deus distante e indiferente pode ser ignorado, mas não resistimos facilmente a um Deus tão próximo e, além disso, ferido por amor. A bondade, a beleza, a verdade, o amor, o bem – eis o que podemos oferecer a este mundo mendicante, ainda que em vasos meio quebrados. No entanto, não se trata de atrair a si mesmos. O mundo – disse Francisco – está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores de causas próprias, os arautos de cruzadas vãs. Em vez disso, tentem ajudar a Deus, que já Se introduz antes ainda da chegada de vocês”.

Nesse sentido, “Deus não se rende nunca! Somos nós, que, acostumados ao rendimento, muitas vezes nos acomodamos, preferindo nos deixar convencer que realmente puderam eliminá-Lo e inventamos discursos amargos para justificar a preguiça que nos bloqueia no som imóvel das lamentações vãs: as lamentações de um bispo são coisas feias”.

Em segundo lugar, é necessário, segundo o papa, “iniciar” aqueles que são confiados aos pastores: “Eu lhes peço para não terem outra perspectiva para olhar os seus fiéis do que a da sua unicidade, de não deixarem nada de não tentado a fim de alcançá-los, de não poupar qualquer esforço para recuperá-los. Sejam bispos capazes de iniciar as suas Igrejas nesse abismo de amor. Hoje – disse Francisco – pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente. Perdeu-se o sentido da iniciação, e, no entanto, nas coisas realmente essenciais da vida, tem-se acesso apenas mediante a iniciação. Pensem na emergência educativa, na transmissão tanto dos conteúdos quanto dos valores, no analfabetismo afetivo, nos percursos vocacionais, no discernimento nas famílias, na busca da paz: tudo isso requer iniciação e percursos guiados, com perseverança, paciência e constância, que são os sinais que distinguem o bom pastor do mercenário”.

Francisco se debruçou com atenção particular sobre o tema da formação dos futuros padres: “Peço-lhes que cuidem com especial solicitude as estruturas de iniciação das suas Igrejas, em particular os seminários. Não os deixem ser tentados pelos números e pela quantidade das vocações, mas busquem a qualidade do discipulado. Não privem os seminaristas da sua firme e terna paternidade. Façam-nos crescer a ponto de adquirir a liberdade de estar em Deus ‘tranquilos’ e serenos como crianças desmamadas nos braços da sua mãe”; não como presas dos próprios caprichos e escravos das próprias fragilidades, mas livres para abraçar aquilo que Deus lhes pede, mesmo quando isso não parece tão doce quanto o seio materno era no início. E fiquem atentos quando alguns seminaristas se refugiam na rigidez; por baixo, sempre há algo de feio”.

E ainda: “Eu lhes peço também para agirem com grande prudência e responsabilidade ao acolher candidatos ou incardinar sacerdotes nas suas Igrejas locais. Por favor, prudência e responsabilidade nisso. Lembrem-se de que, desde o início, quis-se como inseparável a relação entre uma Igreja local e os seus sacerdotes, e nunca se aceitou um clero vagante ou em trânsito de um lugar para outro. E essa é uma doença dos nossos tempos”.

Por fim, o papa pediu que os bispos sejam “capazes de acompanhar”, citando, a esse respeito, a parábola do bom samaritano: “Sejam bispos com o coração ferido por tal misericórdia e, portanto, incansável na humilde tarefa de acompanhar o homem que, ‘por acaso’, Deus colocou no seu caminho”.

E, ainda, recomendou o papa aos novos bispos, “acompanhem por primeiro, e com paciente solicitude, o seu clero” e “reservem um acompanhamento especial para todas as famílias, regozijando-se com o seu amor generoso e encorajando o imenso bem que elas dispensam neste mundo. Acompanhem sobretudo as mais feridas. Não ‘passem ao largo’ diante da sua fragilidade”.

“Fico alegre por acolhê-los e por poder compartilhar com vocês alguns pensamentos que vêm ao coração do sucessor de Pedro, quando vejo diante de mim aqueles que foram ‘pescados’ pelo coração de Deus para guiar o Seu povo santo”, tinha iniciado o papa.

“Deus os livre de tornar vão tal frêmito, de domesticá-lo e esvaziá-lo da sua potência ‘desestabilizadora’. Deixem-se desestabilizar, é bom para um bispo”, disse Francisco.

“Muitos, hoje, se mascaram e se escondem. Eles gostam de construir personagens e inventar perfis. Tornam-se escravos dos parcos recursos que recolhem e aos quais se agarram como se bastassem para comprar o amor que não tem preço. Não suportam o frêmito de se saberem conhecidos por Alguém que é maior e não despreza o nosso pouco, é mais Santo e não culpa a nossa fraqueza, é realmente bom e não se escandaliza com as nossas chagas. Não seja assim para vocês”, concluiu: “Deixem que tal frêmito percorra vocês. Não removam-nos nem o silenciem”.

 

Fonte: Aleteria.org

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