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Vale evacua casas próximo a barragem em Ouro Preto

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A mineradora Vale anunciou, hoje (13), que o processo de descaracterização da Barragem Doutor, da Mina Timbopeba, demandará a evacuação de casas na comunidade de Antônio Pereira, a 40 quilômetros de Ouro Preto (MG). O número exato de moradores não foi divulgado. Eles serão encaminhados para hotéis da região e, posteriormente, para moradias temporárias, que serão alugadas pela mineradora.

De acordo com a mineradora, o plano de descaracterização da barragem será iniciado em março e a realocação será temporária. “Importante ressaltar que se trata de uma remoção preventiva programada. A Barragem Doutor está em nível 1 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (Paebm), que não exige evacuação da população à jusante, e não recebe rejeitos desde março de 2019. Não há qualquer situação que exija a elevação de nível de emergência”, informou a Vale em nota.

Segundo classificação da Agência Nacional de Mineração (ANM), a Barragem Doutor foi construída por alteamento a montante. É o mesmo método associado às duas tragédias recentes da mineração. Em novembro de 2015, o rompimento de uma estrutura da Samarco matou 19 pessoas e casou destruição na Bacia do Rio Doce. Já em janeiro do ano passado, foi uma barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho (MG) e desde então 259 corpos já foram resgatados e 11 pessoas ainda estão desaparecidas.

Após essa segunda tragédia, foi sancionada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, a Lei Estadual 23.291/2019. Ela instituiu a Política Estadual de Segurança de Barragens, estabelecendo prazos para que o empreendedor responsável por barragem alteada a montante promova a descaracterização. Em âmbito nacional, a ANM editou uma resolução com determinação similar.

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De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), 43 estruturas foram enquadradas no dispositivo da lei estadual, das quais 16 são da Vale. Para descaracterizar todas elas, a Vale anunciou investimentos de R$ 7,1 bilhões. Em dezembro do ano passado, a mineradora anunciou a conclusão da primeira descaracterização, envolvendo a Barragem 8B, na Minas de Águas Claras, em Nova Lima (MG).

Evacuações

A remoção das famílias na comunidade de Antônio Pereira é mais um capítulo das evacuações realizadas após a tragédia de Brumadinho. No mês passado, a Vale estimava que cerca de 450 famílias (link: 4) estão fora de suas casas em Minas Gerais. A mineradora deve assegurar a elas, além da hospedagem, alimentação, transporte e itens de necessidade básica.

A situação decorre do pente-fino nas barragens realizado após a tragédia de Brumadinho, envolvendo desde vistorias da ANM até ações judiciais movidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para pedir a paralisação das atividades em determinadas minas. Como resultado, dezenas de barragens foram consideradas inseguras e ficaram impedidas de operar. Em alguns casos, foram determinadas evacuações de comunidades pela Justiça ou pela ANM.

Segundo as normas vigentes, quando a situação da barragem exige a elevação do nível de emergência para 2 ou 3, é obrigatória a retirada de famílias da zona de autossalvamento, isto é, da área que seria alagada em menos de 30 minutos caso ocorra um rompimento. A Vale possui atualmente quatro barragens no nível 3, o alerta máximo que significa risco iminente de ruptura.

Nova Lima

No nível 2, estão outras quatro estruturas da Vale, inclusive a Barragem Capitão do Mato, no município de Nova Lima, que teve sua situação alterada nesta semana. A mineradora informou na terça-feira (11) a sua elevação para nível 2. “Em decorrência do volume de chuvas, superior à média histórica registrada na região, alguns instrumentos da estrutura apontaram alterações temporárias no nível de água, já tendo, neste momento, retornado aos níveis normais. A barragem permanecerá preventivamente em nível 2 até a conclusão da análise técnica do histórico e das condições atuais da estrutura”, informou a mineradora.

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Apesar da elevação do nível, não houve novas evacuações. Segundo a Vale, os moradores já haviam sido realocados. A zona de autossalvamento é similar à da Barragem Vargem Grande, que está em descomissionamento. A estrutura chegou a atingir o nível 2, mas em junho do ano passado foi rebaixada para nível 1.

Em Nova Lima, em 28 de janeiro foi anunciado que quatro famílias precisaram ser retiradas de suas casas. Os imóveis estão situados em Macacos, comunidade com uma área ameaçada pela barragem B3/B4, uma das estruturas da Vale que se encontra em nível 3.

“A medida, de caráter preventivo, leva em conta o Termo de Compromisso firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para revisão dos estudos de dam break de todas as barragens em Minas Gerais”, informou a Vale. Segundo a mineradora, resultados preliminares do estudo da B3/B4 sugeriram que a área alagada, em um cenário extremo de rompimento, é maior do que se estimava anteriormente. Assim, a evacuação realizada no ano passado não havia incluído essas quatro famílias.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Geral
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Em seu 24º carnaval, Cordão do Boitatá no Rio celebra a ancestralidade

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Em seu 24º carnaval, o bloco Cordão do Boitatá anima hoje (23) os foliões em um baile multicultural na Praça XV, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O baile deste ano homenageia a ancestralidade por meio da Tia Maria do Jongo, morta no ano passado. Ela era umas das principais figuras do Jongo da Serrinha, grupo que exalta ritmos ligados à ancestralidade africana, como jongo, samba, afoxé, coco, ciranda e cantigas em dialetos africanos.

A produtora do bloco, Flávia Berton, contou que o outro homenageado é Buka Oxumaré, também morto em 2019, que congregava sambistas em seu quiosque na Praia da Barra da Tijuca. “São duas pessoas muito importantes para o Boitatá que representam a cultura negra no Rio de Janeiro de um forma bonita, de luta, de resistência, com muita alegria e com festa que é isso que a gente se propõe fazer aqui”, disse Flávia.

Este é o segundo ano que o Cordão do Boitatá faz financiamento colaborativo para montar seu show na Praça XV. De acordo com Flávia, o grupo resolveu não ter mais patrocínio. No ano passado, o Boitatá arrecadou R$ 80 mil. Este ano, foram R$ 125 mil que cobrem 80% dos gastos. O restante veio de doações e de ensaios com ingressos pagos. “Somos uma rede e podemos movimentar a festa do jeito que a gente quer, sem ter amarras”, afirmou.

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Os foliões do Boitatá vão dançar até o fim da tarde deste domingo com mutos artistas convidados, como a cantora Teresa Cristina, o músico Davi Moraes, e o grupo Jongo da Serrinha.

A psicóloga Renata Vargas de Carvalho, de 37 anos, é a musa do Boitatá há sete anos. Com sua faixa de musa e fantasiada de cigana, Renata, que é cadeirante, era das mais animadas à frente do palco. “Venho pela energia, pelas pessoas, e por manter viva essa festa que é o carnaval”.

Os amigos Eliano Lettieri, de 44 anos, Fagner Monteiro, de 38 anos, e Arley Guerra, de 42 anos estavam fantasiados de personagens do filme O Mágico do Oz. “Somos amigos há quase 20 anos e é a primeira vez que a gente resolve sair com personagens famosos”, disse Lettieri.

Eles contaram que são frequentadores assíduos do Boitatá por ser um bloco tradicional e familiar. “É um bloco multicultural, que fala de arte, amor, liberdade. A gente tem identificação com esse bloco porque o carnaval é a união de forças para estarmos sempre em harmonia e alegria”, completou Lettieri.

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A produtora de TV Luana Fornaciari, de 40 anos, levou seu bebê Joaquim de sete meses para seu primeiro carnaval. Ela mora na França, mas veio para o Brasil rever a família e aproveitar os dias de folia. Ela acompanha o Boitatá há mais de 14 anos pela qualidade musical do bloco. “Os músicos são os melhores. Então a gente tenta sempre dar um jeito de vir para prestigiar”.

O Cordão do Boitatá começou como um bloco de cortejo carnavalesco há 24 anos. Desde 2006, o bloco também se apresenta em um palco montado na Praça XV.

Edição: Valéria Aguiar

Fonte: EBC Geral

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