REGIÃO

Dra. Camila Cavalcanti Esclarece Dúvidas Sobre Acidentes Com Escorpiões

autor Publicado em 19 de Setembro de 2017

 

Em caso de acidente com escorpião: Aplique compressas de água fria ou gelo, o que tanto diminui a circulação no local como produz certo nível de anestesia.

Dra. Camila Cavalcanti Esclarece Dúvidas Sobre Acidentes Com Escorpiões

 

O escorpionismo é o quadro do envenenamento humano desencadeado pela inoculação do veneno do escorpião. Os acidentes escorpiônicos são importantes em virtude da grande frequência com que ocorrem e da sua potencial gravidade, sendo considerado um problema de saúde pública devido à elevada incidência em várias regiões do país, como em nosso estado. Em 2016, o Paraná registrou mais de 14 mil acidentes com animais peçonhentos, sendo que as picadas de escorpiões somaram 1.738 casos. Neste ano, de janeiro a setembro (dados preliminares), já foram computados 924 acidentes com escorpiões.

Das cerca de 1.600 espécies conhecidas no mundo, apenas 25 podem causar acidente mortal. No Brasil, as principais espécies que causam acidentes graves são: Tityus serrulatus (escorpião amarelo), Tityus bahiensis (escorpião marrom), Tityus stigmurus e Tityus trivittatus, sendo o escorpião amarelo a espécie de maior periculosidade, sendo o principal causador dos óbitos, principalmente em crianças. Também foram registrados acidentes causados por outras espécies do gênero Tityus, porém sua incidência e gravidade são menores.

A alta capacidade de colonização em ambientes urbanos deve-se, além das modificações ambientais, também às características reprodutivas dos escorpiões: são animais vivíparos, o período de gestação é curto, adquirem uma prole numerosa e apresentam cuidado maternal. A espécie T. serrulatus (escorpião amarelo) possui ainda capacidade de reproduzir-se por partenogênese (reprodução assexuada), o que lhes confere uma fácil dispersão, adaptação e proliferação.

Acredita-se que o aumento do número de casos seja decorrente das modificações do ambiente natural pelo desmatamento e os diferentes usos do solo urbano pelo homem, o que causa uma quebra na cadeia alimentar, acabando também com os locais de abrigo desses invertebrados. Com a escassez de recursos e aumento da temperatura esses animais passam a procurar alimento e abrigo em residências, terrenos baldios e áreas em construção.

Acidentes por T.serrulatus são os mais graves. A dor local (ardor, queimação ou agulhada) pode ser acompanhada por parestesias (formigamentos), aumentar de intensidade à palpação e irradiar-se para a raiz do membro acometido. Ponto(s) de inoculação nem sempre são visíveis, na maioria dos casos, há apenas discreto eritema e edema, podendo-se observar também sudorese e piloereção local. Nos acidentes moderados e graves, principalmente em crianças, após minutos até poucas horas (2-3h), podem surgir manifestações sistêmicas.

As manifestações sistêmicas gerais são: hipo ou hipertermia e sudorese profusa; Digestivas: náuseas, vômitos, sialorréia (salivação excessiva) e, mais raramente, dor abdominal e diarreia; Cardiovasculares: arritmias cardíacas, hiper ou hipotensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva e choque; Respiratórias: taquipnéia, dispnéia e edema pulmonar agudo; Neurológicas: agitação, sonolência, confusão mental, hipertonia e tremores.

A gravidade do quadro clínico depende de vários fatores como espécie e tamanho do animal agressor, quantidade de veneno inoculado, número de picadas, massa corporal da vítima (em extremos de idade a letalidade é maior) e sensibilidade ao veneno, tempo decorrido entre o acidente e o tempo de atendimento médico, pois a agilidade em administrar o soro antiveneno em acidentes com animais peçonhentos pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

De acordo com o inciso 10 do art. 3º da Portaria MS/GM nº 1.172, de 15 de junho de 2004, referente à organização do Sistema Único de Saúde (SUS) e às atribuições relacionadas à vigilância em saúde, compete ao município o registro, a captura, a apreensão e a eliminação de animais que representem risco à saúde do homem, cabendo ao estado a supervisão, acompanhamento e orientação dessas ações. Então, caso encontre um escorpião em seu domicílio acione a vigilância em saúde para que estes façam a busca ativa na região.

Em caso de acidente com escorpião:

·         Tente capturar o animal, vivo ou morto, para que a espécie possa ser identificada. Isso irá auxiliar na hora de medir a gravidade do acidente.

·         Mantenha a vítima calma, deitada e imóvel para que a circulação seja mais lenta. Essa atitude dificulta a disseminação do veneno.

·          Lave bem o local da picada com água e sabão.

·          Aplique compressas de água fria ou gelo, o que tanto diminui a circulação no local como produz certo nível de anestesia.

·         Evite fazer torniquetes, espremer, cortar ou perfurar o local, porque isso pode facilitar a disseminação do veneno.

·          Leve imediatamente a vítima ao pronto-socorro.

 

Como prevenir acidentes com animais peçonhentos?

·         Usar calçado e luvas nas atividades rurais e jardinagem.

·         Examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las.

·         Afastar camas e berços das paredes.

·         Não deixar que lençóis ou cobertores sobre a cama/berço encoste no chão.

·         Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção.

·         Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés.

·         Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos.

·         Em caso de dúvidas, ligue para 0800 410148, telefone do Centro de Controle de Envenenamento do Paraná, o qual o Governo do Estado mantém em Curitiba, para orientar a população e profissionais de saúde sobre os encaminhamentos quando necessário. O serviço tem atendimento 24 horas. - Dra. Camila Cavalcanti CRM-PR 38.162

 

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